"Eu quis desmontar e mostrar o mecanismo de uma paixão. Isso poderia ser o álcool e a droga, por exemplo. Não era somente um jogo em si" (JACQUES DEMY).
Jackie é uma parisiense de meia idade que deixa seu marido e filhos para se aventurar no mundo das apostas em Nice, onde estará em jogo não apenas o frenesi das roletas do cassino, mas também o do ciclo da sedução.
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Um belo filme de Demy que retrata a compulsão pelo jogo, o desespero, a ânsia. A cena inicial, um longo travelling, que parte do rosto de Jeanne Moureau, é de uma beleza ímpar. E a música ajuda a criar a dramaticidade que se estabelece entre os dois personagens principais. O final talvez seja um pouco decepcionante para o que se constrói. Mas ainda assim é um belo filme que se vê com prazer.
O que achei interessante neste filme é que o vicio é mostrado por quem sofre com esse problema...eu fico um pouco desconfortável com esses temas.
A relação entre os dois se desenvolve bem. Sempre achei o vício, no geral, algo difícil de ser retratado em filmes ou séries de modo que os não viciados possam entender a lógica por trás das atitudes dos personagens. O roteirista precisa ser bom. Aqui os responsáveis conseguiram transmitir isso, mas mesmo assim tive dificuldade em sentir alguma simpatia pelo protagonista. O cara é burro demais, ele é a representação visual da frase "tudo na vida depende do quanto vc quer transar".
É muito dinâmico. O filme tem um ritmo inexorável que combina as apostas com o suspense. O paralelo que existe entre o vício do jogo e o amor entre eles é uma ótima ideia. Conforme eles vão jogando, o amor cresce cada vez mais. Jeanne Moreau está excelente como jogadora compulsiva e a direção de Demy é certeira. Só não tenho muita certeza se entendi o final, mas de forma de geral, o filme acerta muito. Ótimo!
Jackie tóxica.