Um garoto de quatro anos é deixado pela mãe, trancado em casa, com o irmão menor e a responsabilidade de não deixar queimar a comida que está no forno. O cheiro de queimado atrai a atenção dos vizinhos, que fazem de tudo para abrir a porta e salvar as crianças.
Mais uma demonstração da cinematografia iraniana de como um fato simples pode render uma grande filme. Posso citar; O Balão Branco, A Maça, Gosto de Cereja, Através das Oliveiras entre tantos outros.
Filme de premissa tão simples mas significância tão complexa. Para alguns se trata apenas de uma criança tentando encontrar a chave que destranca a porta, já outros enxergarão uma relação política do próprio Irã com sua população, seu autoritarismo e modo como a população de certa forma aceita ordens e as cumpre de forma inconsciente. A porta que se abre seria um novo passo ou um escape?
Simplista ao extremo, como toda produção iraniana!! Belo filme!
O roteiro é de uma simplicidade lancinante, mas... Como comove! Como as situações complexas que resultam do mote central da trama denotam muito mais do que um simples esquecimento da porta trancada... O roteiro impressionante de Abbas Kiarostami, a direção segura, as atuações infantis preciosas e a repetição insistente em repetir o nome completo do garotinho protagonista em tentativas de comunicação(essas três últimas observações como sendo características constantes do ótimo cinema iraniano) só engrandecem este filme no que ele tem de mais simples e genial: um belíssimo libelo em prol das interações sociais legítimas entre pessoas tratadas como diferentes pelas configurações preconceituosas do lugar em que vivem, mas que são semelhantes nos anseios e desejos por justiça. Lindo! (WPC>)