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Data de lançamento
4 Set. 1989Duração
Filme que narra uma série de acontecimentos em Taiwan entre 1945 e 1949 a partir das experiências de uma família de quatro filhos, um patriarca e alguns agregados. Destaque para o trágico acontecimento de 28 de fevereiro de 1947, quando mais de 20 mil taiwaneses foram mortos por tropas nacionalistas chinesas.
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Também conhecido como 'A Cidade Das Tristezas', este filme conta a história de uma família envolvida no chamado "Terror Branco", ocorrido no final da década de 40, em Taiwan, quando o Japão, rendido pós segunda guerra, abandonou a ilha e esta foi tomada pelo governo nacionalista chinês Kuomintang (KMT). Em meio às prisões arbitrárias, revoltas e resistências, um núcleo familiar se deteriorava pelo simples correr do tempo e os dilemas que a opressão traz - prostituição, contrabando, desemprego, inflação e fome. Faltam ritmo, diálogos e sequências de ligação, mas nada que desabone a obra onde, possivelmente, ecoou-se, na câmera do diretor, a memória das feridas que não se cicatrizam. Contrastando com o tom contemplativo do drama humano em meio ao caos político. Uma fita complexa e significativa, quase como uma poesia triste oriunda das desilusões.
Essa produção nos faz ter conhecimento de um importante período da história de Taiwan sobre o qual eu nada conhecia e me despertou a curiosidade para saber mais sobre o que ela trata já que muita coisa nela é mostrada de forma um tanto subjetiva. O distanciamento que a direção dá à sua história tanto na apresentação dos seus personagens como na forma que mostra a ação na tela fez com que eu não me conectasse como deveria ao filme. Faltou a direção impor um melhor ritmo já que fatos e personagens se alternam na tela sem nenhuma sutileza e o distanciamento da câmera acabou sendo um exercício para a paciência. Uma boa história que merecia ter sido melhor contada. Do elenco Tony Leung se destaca no papel de um jovem fotógrafo surdo.
Uma das muitas vantagens de Taiwan ser devolvida ao lugar que lhe pertence (caso isso aconteça), a saber, uma mera província da China continental, é que o cinema mocorongo de gente prolixa e esquecível como Hsiao-Hsien e Edward Yang daria mais espaço para cineastas do naipe de um Zhang Yimou. Quem nasceu pra Taipei nunca chega a Pequim mesmo.
chegou ao fim e só restou dor
Claramente, "A Cidade das Tristezas" é um filme mais caro e importante junto ao público taiwanês do que para o resto do mundo. Mas, ainda assim, há algo de universal na história da pequena nação explorada que tenta sobreviver como pode perante o domínio constante de forças externas (primeiro o Japão, e depois a China), e de como isso afeta diretamente uma família de quatro irmãos. Hou Hsiao-Hsien conta a história de forma fragmentada e não-linear, como se fosse uma corrente de reminiscências, de lembranças cujo o passar do tempo tornaram confusas e desordenadas. O destaque fica mesmo para o mais interessante dos irmãos, Wen-Ching, cuja condição de surdo-mudo também é uma simbologia da própria incapacidade de comunicação da ilha para com o resto do mundo. No entanto, a longuíssima duração e o ritmo absurdamente contemplativo - típico do cinema oriental - arrisca que o espectador ocidental perca gradualmente o interesse no decorrer da película.