É o medo da morte que nos transporta ao passado e nos faz reconhecer, aí nessas sombras móveis, a força do presente que nos impele à luta cotidiana. Lutemos!
Filme-tese que reitera algumas das impressões dialogísticas dos filmes anteriores deste mestre contemporâneo e as converte numa experiência de improviso minimalista de primeiríssima grandeza. Elenco muito bem entrosado ao estilo "modelístico" do diretor, que assume-se com uma renovação sexualizada do bressonismo. O modo como a tecnofobia surge como indicativo de resistência à barbarização dominante faz muito sentido, mas fiquei incomodado com a longa seqüência de revivificação teatral (belicosa, afinal de contas) e com o tratamento concedido ao sem-teto (sem dúvida, o melhor personagem, em termos morais): nestas duas situações, percebi que o diretor mostra a Europa/França (ou seja lá qual for o país anti-barbárie em que se situam suas tramas) como uma espécie de bolha unirracial que aparta-se das questões políticas ao nosso redor de uma maneira não necessariamente pacífica. Admito que a esperança defendida com vigor e pleno exercício da sapiência directiva atinge píncaros estéticos, mais uma vez, mas há algo de discursivamente omisso neste filme em particular, que, por este motivo, deixou de ser a obra-prima que anunciava-se em sua meia-hora inicial... (WPC>)
Perceptivelmente um filme menor de Eugène Green e também o mais teatral em sua mise-en-scene, Esperando os Barbaros apresenta uma proposta interessante de friccionar questões contemporâneas dentro de uma roupagem de fantasia, mas que funcionou infinitamente melhor em Mundo Vivente, neste, mesmo sendo um filme curto se mostra extremamente cansativo e pesaroso, enfraquecendo demasiadamente sua abordagem e seu lirismo, os elementos mais fecundos da obra de seu diretor.
É o medo da morte que nos transporta ao passado e nos faz reconhecer, aí nessas sombras móveis, a força do presente que nos impele à luta cotidiana. Lutemos!
Filme-tese que reitera algumas das impressões dialogísticas dos filmes anteriores deste mestre contemporâneo e as converte numa experiência de improviso minimalista de primeiríssima grandeza. Elenco muito bem entrosado ao estilo "modelístico" do diretor, que assume-se com uma renovação sexualizada do bressonismo. O modo como a tecnofobia surge como indicativo de resistência à barbarização dominante faz muito sentido, mas fiquei incomodado com a longa seqüência de revivificação teatral (belicosa, afinal de contas) e com o tratamento concedido ao sem-teto (sem dúvida, o melhor personagem, em termos morais): nestas duas situações, percebi que o diretor mostra a Europa/França (ou seja lá qual for o país anti-barbárie em que se situam suas tramas) como uma espécie de bolha unirracial que aparta-se das questões políticas ao nosso redor de uma maneira não necessariamente pacífica. Admito que a esperança defendida com vigor e pleno exercício da sapiência directiva atinge píncaros estéticos, mais uma vez, mas há algo de discursivamente omisso neste filme em particular, que, por este motivo, deixou de ser a obra-prima que anunciava-se em sua meia-hora inicial... (WPC>)
Perceptivelmente um filme menor de Eugène Green e também o mais teatral em sua mise-en-scene, Esperando os Barbaros apresenta uma proposta interessante de friccionar questões contemporâneas dentro de uma roupagem de fantasia, mas que funcionou infinitamente melhor em Mundo Vivente, neste, mesmo sendo um filme curto se mostra extremamente cansativo e pesaroso, enfraquecendo demasiadamente sua abordagem e seu lirismo, os elementos mais fecundos da obra de seu diretor.