Charu vive uma vida solitária e ociosa na Índia de 1870. O seu marido Bhupati, dono de um jornal, passa mais tempo no escritório e a fazer política do que em casa. Amal, primo de Bhupati e aspirante a escritor, vai viver com eles para tentar encontrar um rumo para a sua vida e também para fazer companhia a Charu que se interessa igualmente por literatura. No entanto, passados alguns meses, os sentimentos entre Charu e Amal começam a ultrapassar a simples amizade...
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Um conto delicado e sensível de amor proibido e de perturbação emocional.
A Esposa Solitária é um grande filme, mas o considero muito mais um drama realista sobre relações humanas conturbadas do que proprieamente um filme de romance. Aliás, o romance aqui é bem básico e fica em segundo plano. O que realmente se destaca é a forma como as aspirações e desejos de cada um dos três protagonistas entram em conflito. Charu, Amal e Bhupati são personagens bem humanizados e de índoles bem questionáveis. Eles possuem qualidades e defeitos, mas na minha concepção eles erram muito mais do que acertam durante o decorrer do filme. Charu é a esposa carente, mas que tem uma personalidade egocêntrica, manipuladora e até mesmo mimada. Não pensa duas vezes em trair o marido sem nem tentar estabelecer um diálogo expondo as suas frustrações e quer que todos se sujeitem às suas vontades. Amal é o rapaz que se interessa amorosamente por Charu, mas que abusa da confiança e da receptividade de seu irmão (não entendi se eles são irmãos ou primos) Bhupati. E Bhupati é o marido ambicioso, que se considera um grande empresário e um grande intelectual. Quer "conquistar o mundo", se preocupando com os seus negócios e os rumos da política, mas não consegue sequer dar o mínimo de atenção à esposa. Três protagonistas condenáveis do ponto de vista moral.
O único que tem um choque de realidade e percebe e reconhece o seu erro é Amal.
Charu e Bhupati estão juntos, mas a relação entre marido e mulher que já não era boa simplesmente se torna ainda mais distante e fria. Prestem atenção: A imagem congela antes deles darem as mãos, os seus olhares cheios de culpa e de angústia não se cruzam e aparece o seguinte termo: "O ninho quebrado". O que levou a isso? As atitudes egoístas e inconsequentes do trio de protagonistas.
Um belo Drama Romântico do mestre Ray , com discreto virtuosismo e leves toques políticos. Mesmo que seja um tanto lento são notáveis a delicadeza e fluidez com que o diretor conduz a história.
Tenho certeza de que na metade dos anos de 1960 deve ter sido um impacto; agora, nem tanto, julgo!
amo personagens solitárias que de certa forma se prendem a pequenas coisas do quotidiano para suportar a vida (a cena da charu no balanço e as suas divagações pela casa)