O filme se passa há muitos séculos e é baseado na lenda chinesa Yokihi. No século VIII T'ang da China, o Imperador viúvo Hsüan-tsung (Masayuki Mori) reina sozinho, dedica sua vida à música e vive de luto por conta da morte da última Imperatriz. Até que ele conhece uma bela garota chamada Yang Yu-huan (Machiko Kyo). Ele se apaixona por Yang Yu-huan e ela torna-se sua consorte, a Imperatriz Yang Kwei-fei. Yokihi é um filme de amor, sobre um shakespeariano fundo de lutas de poder e intrigas políticas com consequências trágicas.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Co-produção do Japão e Hong Kong em cores que é um drama romântico histórico da Daiei Studios e Shaw Brothers indicado ao Leão de Ouro de melhor filme no Festival de Cinema de Veneza. Este foi o antepenúltimo filme dirigido por Kenji Mizoguchi (1898-1956) e foi um dos 2 filmes em cores de Mizoguchi, sendo o outro A nova saga do Clã Taira (55), realizado no mesmo ano. Houve uma refilmagem na década seguinte: Yang Gui Fei (62).
Outras versões: uma série de TV Da tang fu rong yuan (2007–2013 ), composta por 2 temporadas e 30 episódios, e a produção chinesa Wang chao de nu ren: Yang Gui Fei (15), ambos baseados na mesma estória. Esta foi a 1° co-produção entre Japão e Hong Kong e o único filme em língua estrangeira lançado nos Estados Unidos pela Buena Vista Film Distribution (de propriedade da Walt Disney Productions). Machiko Kyo (1924-2019) foi dublada para a cena da banheira por uma stripper, pois era considerado impensável que ela fosse vista pessoalmente nua.
O senso incisivo de análise histórica de Mizoguchi é equiparado pela sua exaltação do amor e pelo reconhecimento do preço desproporcional que as mulheres pagam pelo prazer e pela posição social. Enquanto a injustiça gera injustiça e um regime corrupto macula a beleza, Mizoguchi reserva aos seus amantes a última risada, em um dos finais mais jubilosamente irônicos da história do cinema. Mizoguchi filma o romance imperial com vigoroso ardor e humor delicado; ele delineia, com amarga clareza, as restrições legais cruelmente punitivas impostas às mulheres da corte...
Para a pacificação do império, apenas o sacrifício da mulher, em face às atitudes dos homens ímpios, corruptos ou apenas covardes.
Uma tragédia de Mizoguchi com cores que antes vibravam e agora desbotam, em um pano de fundo árido e sombrio, tal como são as lembranças doloridas.
Este foi o único filme em língua estrangeira lançado nos Estados Unidos pela Buena Vista Film Distribution (de propriedade da Walt Disney Productions)
Mizoguchi dá um show em termos visuais, novamente diga-se de passagem porém, seus enredos, que aqui foge um pouco de seus lugares comuns, dificilmente me arrebata e me gera algum interesse.
Admito que achei estranho (não necessariamente num bom sentido) ouvir típicos personagens chineses comunicando-se em japonês. Porém, Kenji Mizoguchi soube ficar naquilo que qualquer cultura mundial tem de mais intimamente comum: a associação entre feminilidade e tragédia! Se a primeira hora do filme deslumbra completamente, em sua espécie de regravação oriental enviesada de A PRINCESA E O PLEBEU, a inesperada elipse bélica deixa a impressão de que o filme foi retalhado, visto que os eventos do terço final do filme soam precipitados, ainda que o desfecho esotérico seja de uma beleza acachapante. O personagem do imperador é excelente, sendo a sua redenção do luto através de um novo amor deveras crível. Porém, as oposições engendradas pelo ódio instauram o drama - e o notório diretor japonês conduz tudo com a sua firmeza ímpar. Belíssimo uso da cor e da música, claro! (WPC>)