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Chicago dos anos 20.
Os gângsters e a corrupção na polícia.
O filme conta a história do honesto capitão de polícia McQuigg (Thomas Meighan), que quer prender o poderoso contrabandista Nick Scarsi (Louis Wolheim), mas encontra dificuldades porque é protegido por políticos e juízes.
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Ótima adaptação da Broadway para o cinema. [Spoilers] Diferente dos outros filmes da época, que tenho assistido, carregados de melancolia e expressões faciais super exageradas, aqui sinto mais sobriedade nas atuações, é mais sobre o que está acontecendo do que sobre as atuações faciais em si. Inclusive, quando a atriz Marie Prevost que faz a Helen força um pouco mais a expressão, destoa um pouco do resto do elenco, que traz mais sutileza. O Louis Wolheim tem uma vibe natural de mafioso, ele tem muita classe, gosto muito da atuação dele como Nick Scarsi. Não é um filme 5 estrelas, mas também não é um 2,5 como vi por aí, acho injusta essa avaliação tão baixa. É um ótimo filme, que inclusive serviu de referência para clássicos como Scarface e Inimigos Públicos. Talvez o público atual tenha alguma dificuldade com o ritmo do cinema mudo, que requer um pouco mais de paciência (algo praticamente extinto na geração da tela infinita e que recebe recompensa dopamínica de 15 em 15 segundos mofando em rede social), imagino que na época o filme tenha sido considerado ágil e moderno. A montagem da sequência de cenas ficou muito boa. Essa coisa de Chicago banir o filme na época por achar realista demais e que queimaria a imagem da polícia, me parece mais medo da população ficar atenta e descobrir que eles faziam as mesmas coisas. O filme escancara tão bem a corrupção dentro do sistema todo, o Nick tem todo mundo no bolso, manda e desmanda. A cena em que ele tenta subornar o capitão McQuigg é tão boa, dando a entender que vai dar certo, ele devolvendo o dinheiro em seguida. O alívio cômico no meio das tensões, entra de uma forma muito fluida, não forçada. Em muitos filmes e séries, quase um século depois, ainda aparecem os jornalistas que estão no enredo de séries policiais, de investigação e noir, apenas para trazer essa leveza contrastando com uma história em que muita gente morre, funciona muito, assim como o Miller e o Ames fizeram no filme. Tem uma cena que acho que captura muito bem a coreografia do cinema mudo, foi uma das que mais gostei com relação à organização dos papéis de cada um em uma cena maior (com muita gente), quando no meio da festa do Joe o pessoal ouve o tiro e começa a correr pra lá e pra cá, um salve-se quem puder. A direção do Lewis Milestone brilhou demais. Ele saiu da calmaria do suspense, a tranquilidade de todos na festa, para uma movimentação de massa frenética e cheia de caos em segundos. Não é à toa que ele ganhou um Oscar de melhor diretor dois anos depois, por outro filme. Achei marcante as cenas de fugas, hoje isso é comum, mas na época, fazer uma sequência de perseguição e fuga mostra uma habilidade técnica impressionante. Os ângulos deram uma sensação de velocidade e perigo, fuga de gângsters mesmo. Entendo quem acha o filme estático, com "falas" longas, ou o estilo de atuação do capitão muito contido. Eu achei que combinou com o tom mais sóbrio do filme, a única decepção é o final, eu esperava mais, foi muito abrupto e seco. O destino do Nick foi resolvido de uma forma quase administrativa dentro da delegacia. Embora isso reforce a ideia de que, naquele mundo, o crime e a lei são engrenagens de uma mesma máquina política e suja, fica aquele sentimento de "queria mais", já que o filme havia preparado a gente com cenas mais caóticas. O capitão não termina o filme como um herói, mas sim exausto, e se dando conta de que fez, fez, fez e o sistema seguiu intacto e corrupto do mesmo jeito. Não ironicamente, isso espelha a vida real, mesmo hoje, um século depois. É um encerramento mais pé no chão, talvez incomode quem gosta de finais com desfiles dos policiais sendo condecorados e aplaudidos numa cerimônia com famosos e presidentes, sorrisos e medalhas. Outra coisa é que a justiça no final me parece mais acidental do que qualquer outra coisa, nada foi planejado, vem de uma sucessão de erros e pressões políticas. Isso tira todo aquele glamour que as pessoas esperam em filmes de gângsters, no fim das contas, ele era só mais uma peça descartável para quem realmente mandava na cidade. Sobre a Helen, no enredo às vezes me pareceu perdida na dinâmica, como se fosse um acessório pra ligar os pontos entre os homens. Pelo menos não ficou como escrava trabalhando o filme todo como a Diane em 7th Heaven, já é um avanço enorme, a Helen se impõe quando acha que deve. O ponto ruim é que ela não toma nenhuma decisão que muda o rumo da história por iniciativa própria. O mundo é dos homens, o crime é dos homens e a lei é dos homens. As mulheres entram para dar um toque feminino ou ser pivô de briga entre eles, mas raramente com uma história só delas dentro do enredo. A Helen tem a malandragem de quem sobrevive na noite, diferente da Diane que ficava lá aguardando um homem para dar um passo até a calçada. Ela não tem aura de coitadinha, nem de pureza. Dá pra ver que entre os dois filmes de 1927 para 1928 o cinema transitou para menos angelicalidade e mais malícia, mesmo que mantendo a mulher em segundo plano. O filme é bom, ele é o pai de tudo que amamos no cinema policial moderno. Provou que o cinema mudo não precisa ser parado ou teatral demais e não vendeu conto de fadas, foi corajoso. Personagens endurecidos pela cidade, onde a justiça é só um mero detalhe burocrático num jogo de poder.
Acabei me perdendo lá pelas tantas na trama e muito embora para a época seja bastante inventivo parece que a trama nunca decola.
Mesmo com algumas limitações do cinema mudo este filme acaba trazendo os mafiosos para o cinema de uma maneira interessante. O chefão lembra muito Al Capone de os intocáveis. Muito curto para aproveitar e apresentar melhor os personagens. Mas é bem realizado na sua proposta.
Filme com um roteiro extremamente bem idealizado,mas dessa vez Milestone não conseguiu realizar uma grande direção.Algumas sequências são vergonhosas.
>Assistido em 31 de Julho de 2023
O filme foca em o certo e o errado, mas mostra um poder policial frágil e beirando o ridículo. Por ser mudo, a expressão corporal dos atores dão a mensagem correta e não faz o longa ser cansativo.