Adaptação de Wim Wenders do romance homónimo de Nathaniel Hawthorne, contando a história de uma mulher que, por ser adúltera, é marginalizada pela comunidade puritana em que vive (Salem, no século XVIII) e forçada a usar a letra "A" nos vestidos. O seu marido, julgado desaparecido, regressa com outra identidade para descobrir quem fora o amante dela.
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20.07.1997
Primeiramente, o que mais me incomoda no filme é ver uma obra literária americana feita inteira na Alemanha, falado em alemão e todo mundo fingindo que está nos Estados Unidos e é americano. Fiquei imaginando alguém fazer isso com o Machado de Assis ou a gente filmando A Letra Escarlate em Paraty com todo mundo falando em português. Qual o sentido disso? Se tivessem adaptado para um vilarejo na Alemanha era muito mais fácil comprar a ideia. Eu gostei do filme pegar um trecho do livro e não querer adaptar a obra toda, há tomadas que achei muito bonitas e tirando as atuações da Yella Rottländer (a Pearl, que parece estar muito a vontade) e Rüdiger Vogler (que está felizão com sua flauta) o resto do elenco é bem fraco (mas Lou Castel como o padre ganha de longe como o pior ali). Não parece nem haver romance entre os personagens. Apesar dos tropeços, achei a edição do filme boa, ele passa rápido, não achei ruim de assistir. Longe das obras memoráveis do diretor.
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Não li o livro de Nathaniel Hawthorne mas, pelo que vi deste filme, ele traz um tema que incomoda ainda na atualidade. Quanto ao filme de Wim Wenders, achei que poderia - e deveria - ser melhor. Não gostei das atuações do elenco, pareceram-me postiças, forçadas, como se tivessem sido realizadas por estreantes. Não me convenceram. Outra coisa que me incomodou foi o visual dos personagens. A história é ambientada na América do século 17, época da colonização, um contexto nada amigável e onde tudo era difícil e cansativo. Mas quando eu olhava para o vestuário do elenco (até das crianças brincando ao ar livre) parecia tudo novo. Por sorte a própria temática facilitou a manutenção da minha atenção até o final do filme.
Incrível como o filme é sem ritmo: o roteiro [e tão cheio de buracos que a impressão é que estamos diante de uma abreviação dadaísta de uma minissérie com mais de 5 horas de duração. Os atores parecem estar interpretando uma comédia, e não uma tragédia, e as motivações passionais dos personagens estão aquém da estória, maravilhosamente encenada por Victor Sjöstrom no passado. O filme entedia em nível extremado, visto que os personagens nunca se mostram como tais... Aliás, péssima interpretação do pároco pusilânime. Interessante a idéia de situar a trama após o adultério propriamente dito, mas a encenação é péssima, extremamente desordenada, não intencionalmente. A adesão de Wim Wenders ao conservadorismo punitivo chega a ser vexatória! (WPC>)
O aspecto que mais me desperta interesse em Wim Wenders é a sua fotografia. Quando ele emigrou para os EUA se defrontou com as pinturas e visão de Edward Hopper, que mexeu com a sua cabeça, suas fotografias, a partir de então, passaram captar o verdadeiro espírito da solidão americana através da arquitetura sob o efeito da luz, exemplificada no seu maravilhoso filme "Estrela Solitária".
"A Letra Escarlate" , como não poderia ser diferente, tem ótimas fotografias que remete-nos aos quadros flamengos do sec. XVIII, mas a estória/roteiro aborda uma moral inquisitória indigerível que não deixa lição alguma. O filme e/ou o romance, fora a fotografia, para os nossos tempos é um fiasco.