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Duração
Em uma metrópole decadente e melancólica, o poeta Jeová busca inspiração e reconhecimento. Sua vida começa a mudar depois que uma figura misteriosa passa a comprar suas poesias, e ele conhece Maria, uma garota de programas. Tendo que encarar seus fantasmas e desejos, numa sociedade onde tudo é medido pelo dinheiro, esses personagens marginais embarcam numa jornada de autodescoberta poética e delirante.
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As Novas Desventuras de Cliff Booth
Hora de comentar o grande pomo da discórdia da edição 2025 da Mostra Tiradentes. Conforme não disfarçado pela alta cotação, eu adorei o filme. Senti-me transportado para o ambiente urbano representado, que possui muitas similaridades com aquele em que vivo. Amei a estranheza da fotografia, em somatório aos ângulos freqüentemente diagonais, persistentes e (positivamente) cansativos, de tão repetitivos e circulares. Fiquei fascinado perante o elã do elenco, impregnado de poesia, entregues à lógica passional dos encontros casuais, ainda que à mercê do "risco da pieguice", como bem disse a debatedora Bárbara Bello, numa tentativa de diálogo com o co-diretor. E aí começam os problemas: se a (semi)nudez das personagens femininas é captada como se houvesse um Tinto Brass por detrás das câmeras, os corpos masculinos são registrados por um avatar da Dona Cacilda, da "Escolinha do Professor Raimundo" . Sobretudo na seqüência da prisão convertida em espaço cultural, fica evidente a tônica da "inveja de editais" (o que se estende a qualquer iniciativa pública de financiamento da marginalidade), o que denuncia, sim, um conservadorismo reinante e mui incômodo na tensão entre as imagens barrocas e o roteiro que se conduz para o sacrifício inevitável de quem ama. Gosto muitíssimo de como múltiplas canções e sonoridades se imiscuem, ao longo da narrativa, e realmente senti que o tom de poesia foi devidamente impregnado, numa duração que parece excessiva, mas funcional. Porém, há (mais de) um dedo podre nas mãos que amassam este pão fílmico. O gosto azedo insiste em dar as caras, em meio aos prazeres daquele recheio permeado por uma esquizofrenia da tentativa de redenção. No saldo geral, notei muito mais aspectos positivos que negativos, ainda que estes sequer tenham podido ser conversados, no debate posterior à sessão. Mas creio que voltaremos a este filme, noutra conjuntura. De minha parte, para além das assimetrias evidentes e da desconfiança premente, fui afetado. Aceitarei o jugo! (WPC>)