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Data de lançamento
24 Abril 1934Duração
Quando se casa com Jean, Juliette vai morar no barco do marido, onde o casal está acompanhado apenas de mais dois tripulantes. Pouco tempo depois, entediada com a vida a bordo, a mulher desembarca em Paris para ver a vida noturna. Irritado com isso, Jean zarpa, abandonando Juliette, mas, angustiado pela culpa e pela saudade, cai em depressão, e um dos tripulantes volta à cidade para tentar achar Juliette.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Talvez assistindo ao filme hoje a maioria das pessoas não consigam ter a dimensão do quanto a frente de seu tempo estava Jean Vigo com este clássico dos clássicos. Não é fácil enxergar a película com os olhos daquela época na década de 30. O filme é cru, escancara a realidade sem glamour que chega a chocar, mostrando personagens quebrados, falhos e cheio de comportamentos erráticos e apaixonados ao mesmo tempo. As imagens são lindas e o filme, pelo menos para mim, não me pareceu tão datado. Há momentos que a narrativa parece travar um pouco, mas no geral é um filmaço. Obrigatório.
BLOG: ORÁCULO ALCOÓLICO
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- muito óbvio que o titanic copiou aquela cena marcante desse filme aqui
- tudo as mil maravilhas no começo do casamento, mas o cara não demora a vacilar e ser bem escrotinho
- pere jules é um querido melhor personagem
- história bonitinha e simples, mas bem moderna para a época
Transitando entre o poético, o social e o surrealista, esta importante obra (prima) definia o significado de "relacionamento" nos primórdios do cinema, quando estava ocorrendo a transição do mudo para o sonoro. E, já referenciando a cinefilia europeia da época, o francês Jean Vigo esculpia a resignação de uma sociedade em crise oferendo as negações da realidade e o conformismo do casamento, mesmo envolto de amor. Pois tudo é aprendizado, seja próximo dos intelectuais ou perto dos bestas loucos, como neste filme onde o lar de um recém-casamento (acompanhado por uma espécie de marcha fúnebre) é uma barcaça chamada L'Atalante. Assim, o grotesco e o burlesco se fazem tão natural quanto o sublime em tomadas mágicas e inovadoras dentro de um pequeno barco, cujo interior cabe um mundo todo. Lindo e onírico.
Típica comédia francesa dos anos 30, com seu clima anárquico e montagem desencontrada, personagens amorais e o tradicional anti-herói, personificado por Père Jules [sob o excelente Michel Simon], nessa alegoria sobre as expectativas do casamento. Tem duas cenas bem interessantes, uma de Juliette em uma loja ouvindo música sob demanda [fantástico para 1934] e outra ousada com o casal protagonista insinuando masturbação.
Tive o bel prazer de assistir esse clássico em meados de 1999, no Centro Cultural São Paulo, na mostra de filmes clássicos europeus. "O Atalante", foi dirigido brilhantemente por Jean Vigo, promissor cineasta que faleceu no auge da carreira. É um belo e antigo exemplar do cinema francês.