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Data de lançamento
12 Out. 2018Duração
Lisa Spinelli (Maggie Gyllenhaal) é uma professora de Staten Island que é excepcionalmente dedicada a seu trabalho. Quando ela descobre que um de seus alunos de cinco anos é um prodígio, ela fica fascinada com o garoto e, em última instância, arrisca sua vida familiar e liberdade para nutrir seu talento.
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É um drama que explora o fundo do ser humano, com muita inteligência e espaço para várias leituras artísticas. Recomendadíssimo.
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Achei bem chatinho!
Li um comentário aqui falando "como não ser uma professora de educação infantil" é exatamente isso que esse filme mostra.
(Dito por uma professora da educação infantil)
Começo esse texto com um trecho do conto “O Retrato” de Nikolai Gógol, que ao meu ver representa todo o turbilhão emocional ocorrido com a professora.
“O pintor conheceu aquele terrível suplício que ocorre por vezes, como uma exceção assombrosa, na face da terra, quando um talento fraco se esforça para criar algo maior do que ele próprio, mas não consegue criá-lo, aquela angústia que resulta, para um jovem, em grandes ações, porém se transforma, para quem já atravessou o limite de seus devaneios, numa sede insaciável, numa dor lacerante que torna um homem capaz de horrendas atrocidades.”
A personagem de Maggie Gyllenhaal, encontra-se em um ponto angustiante da vida, que talvez tenha sido dessa forma já por muito tempo e que a tornou conformada, que a fez abdicar de suas vontades em nome do que é visto como útil pela sociedade.
Todos nós passamos por isso, nos incomodamos, sentimos que algo não está certo e de que temos um potencial ainda não desenvolvido.
A resposta para isso varia de pessoa para pessoa, alguns indivíduos vão na raiz do problema e reconhecem a possibilidade de força e se esforçam para alcançá-las (o que não é nada fácil), outros utilizam o externo como justificativa para sua condição miserável, outros levam a vida que não queriam confortáveis com pequenos momentos de angústia que logo passam devido a alguma distração que utilizam para remediar a dor por um tempo, como uma anestesia para uma perna cortada, da qual você para de sentir dor por um tempo, mas o sangue não para de jorrar.
No caso da personagem a angústia que carregava viu no pequeno aluno um novo sentido, um sentido de relevância que todos nós precisamos sentir para enxergar algum sentido na vida e a infeliz personagem com isso, toma atitudes questionáveis uma após a outra condicionadas pela irracionalidade de suas emoções e do seu vazio existencial.
O Estado e a sociedade capitalista desde nossa infância, castram qualquer forma de individualidade do sujeito, em nome do que eu chamaria de um “coletivo individualista” que é a mistura da visão genérica da qual o Estado enxerga as pessoas (apenas como números e pagadores de impostos) com a visão mercadológica do capitalismo onde todos são mercadoria e com isso devem atender aos imperativos do mercado de trabalho e do consumismo.
Trocando em miúdos, toda essa conjuntura nos transforma em seres que se esquecem de olhar “para dentro” e pior, passam a vida sem sequer saber que há um lugar dentro de si para ser visto. Linda, a protagonista, em algum momento da vida pode ter vislumbrado sua subjetividade e com a dinâmica da fase adulta, do trabalho, dos estudos formais, do casamento, foi soterrando a parte mais sensível de si.
Mesmo que seja cercada por uma família cheia de amor, isso não se trata de algo suficiente para Linda e ao meu ver não é porque ela não os ama, mas porque ela os ama sem amar também a si mesma e em qualquer relação, isso cobra seu preço.
Ela faz tentativas da forma errada de "ajustar" seus filhos a uma condição mais subjetiva, quando claramente já estão tão absortos nas armadilhas desse mundo externo que se confundem com elas.
Quando Lisa vai ao trabalho do tio do menino, estando diante de um “igual” (sensível como ela e castrado ao trabalho alienado), a personagem sintetiza sua angústia e é sincera como não havia sido nem com sua própria família no seguinte diálogo:
“O talento é tão frágil e tão raro. E a nossa cultura faz de tudo para destruí-lo. Quer dizer, mesmo aos quatro ou cinco anos, eles chegam à escola grudados aos celulares, falando apenas sobre programas de TV e videogames. É uma cultura materialista, que não apoia a arte, a linguagem ou a observação. Até meus próprios filhos, que são ótimos, não leem. Sabe, você acha que talvez seja só uma fase. Mas eu me preocupo que seja algo maior. Falta de curiosidade. Falta de reflexão. Ninguém tem espaço para poesia.”
Lisa, mesmo que sensível, ainda carrega consigo traços da ideologia dominante (como todos nós), ver o pequeno Jimmy como um prodígio, um talento e ignorar todas as outras crianças ao meu ver é um sinal.
O ideal do gênio é parte disso, a noção de que alguém se destaca porque é "especial" enquanto todas as outras não, é exemplar do imperativo da meritocracia anunciada aos quatro cantos e ao mesmo tempo sutilmente pela ideologia capitalista. Linda fala sobre Mozart e como o mesmo recebia suporte de reis e rainhas para exercer sua arte, minha questão é, quantos “Mozarts” teríamos se todos pudessem ter esse suporte à sua disposição? Naquele jardim de infância onde Linda trabalhava quantas crianças “prodígio” não haveriam de ter? (e cada uma delas com sua arte, particularidade e sentimento) e foram completamente ignoradas por Linda e sua obsessão.
Por que não levar a poesia para os outros alunos, levá-los para o auditório e incentivar como ela fez com Jimmy? Seria melhor para todos e até para o menino, saber que haveria gente como ele, da idade dele, com a qual contar.
No fim só havia uma pessoa com a qual ele podia contar, que via sua sensibilidade para além de algo banal, como um delírio infantil que em breve seria podado, entretanto ao se ensimesmar, Linda esqueceu que não somos os messias de ninguém.
É de doer o coração a cena final, da qual a policial (representante e figura do Estado) declara que irá comprar um sorvete para o menino, em uma frase que soa mais como um protocolo da polícia ao lidar com crianças em situações parecidas do que alguém que realmente se vê no papel de cuidar de outra que precisa (como deveria ser o trabalho da polícia, entre outras profissões).
Adoraria uma continuação da história com o pequeno adolescente e suas problemáticas na passagem para a vida adulta e quem sabe suas reminiscências sobre todo o ocorrido da sua infância e da antiga professora.
Como disse Elliot Smith, um artista sensível que partiu cedo demais “The potential you'll be that you'll never see…”
O potencial que você será e que nunca verá.
criança chapa de noite e ela ve potencial nas loucuras, enxerga a si mesma no menino e quer que o menino tenha a visibilidade q ela terminou nao tendo na vida mas essa criança, por escolha, faria o q da vida? provavelmente nao faria isso porque a gente raramente escolhe fazer algo que a gente faz bem kkkk a gente sempre deseja algo que tá fora do alcance e enjoa/cansa do que faz bem/está acostumado
O filme tinha TUDO para entregar, mas tudo clichê.
Previsível, Maggie única atriz neste filme, o resto pareceu um bando de amador.