Uma mistura de drama e humor negro na história de Martin (Hugo Weaving), um homem cego que acha que estão sempre lhe enganando. Na infância, ele pensava que sua mãe mentia quando descrevia as coisas e paisagens. Adulto, apesar de cego, ele virou um fotógrafo, mas continua achando que o enganam. Ele tem um relacionamento de amor e ódio com Celia (Genevieve Picot), a mulher que cuida de sua casa. Quando ele conhece e se torna amigo de Andy (Russel Crowe), surge um complicado triângulo amoroso: Andy se apaixona por Celia, mas ela tem ciúmes da amizade dos dois e trama um plano para que Martin fique decepcionado com o novo amigo.
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Uma história simples mas com detalhes interessantes, e 3 personagens peculiares que se cruzam, muito legal ver o Russell Crowe, nessa época ela fazia alguns filmes progressistas, e vida loka.
Filmaço! Personagens muito bem desenvolvidos.
Caraca, que pela descoberta, adorei o roteiro, o elenco ta impecável, q complexidade o drama de um cego que nunca enxcergou o mundo através dos proprios olhos e teve q aprender desde cedo a usar de outros meios para conhecer o mundo, as pessoas, ambiente, o dtama da empregada que nutria uma paixão pelo patrão, a de um jovem desajeitado na vida enfim 3 pessoas que se entelassam nessa historia que te prende do inicio ao fim recomendo!
Como eu li em uma outra review, confiar a uma personagem cega a missão (e a função) de ser a padroeira da verdade, no roteiro, é uma sacada que já vale toda a execução do filme. As pessoas passam a vida fotografando e filmando qualquer cena que veem e não se contentam em apenas guardar na memória, mas ninguém entende que existe vida em uma cena estática, uma espécie de movimento invisível. É preciso que alguém tenha uma sensibilidade fora do comum, como tem o protagonista Martin, interpretado por Hugo Weaving (que eu confundo com Guy Pearce), para se deixar levar por essas sensações.
Se o filme fosse literalmente só dele, ainda mais enxuto do que é, eu não me incomodaria. Queria ter visto mais do seu background de infância (as cenas dele ainda criança com a mãe são até poéticas, puxando um lado menos convencional da narrativa) e mais cenas isoladas em que pudéssemos conhecer melhor as motivações e a introspecção dessa personagem. Para isso, talvez fosse necessário reduzir ainda mais o elenco, mas aumentar a duração.
Por outro lado, por mais que o núcleo do triângulo amoroso se forme de maneira inevitável e de certa forma rompa um pouco nosso contato com Martin, ele também ajuda a estabelecer prioridades. Todo mundo se relaciona com todo mundo: Martin com Andy (Russsell Crowe), em uma amizade que se torna cumplicidade e adoração, Martin com Celia (Geneviève Picot, perfeita para oscilar entre o rancor e o afeto reprimido) e Celia com Andy. Aliás, esse é um triângulo platônico: todos se adoram e se aceitam de longe (por mais que às vezes finjam se odiar), porque cada um desenvolve no outro algum tipo de emoção adormecida (como na cena em que Celia leva Martin à ópera), mas eles nunca funcionam efetivamente como um trio.
É Martin, sozinho, que, mais do que simplesmente analisar, faz tudo acontecer. Isso é óbvio para quem assiste, mas a forma como Jocelyn Moorhouse costura isso na narrativa é muito eficiente.
Filme bom para discutir a eterna ideia platônica do que é a realidade e o que são meras experiências sensoriais. Além de ter um toque bem vindo de inventividade com um triângulo amoroso implicitamente homoerótico e um background claramente de repercussões psicanalíticas.