Dirigido por
Data de lançamento
6 Junho 1996Duração
A Sétima Morada traça com veracidade a trajetória da vida de Edith Stein desde a sua tenra infância, até a menina altiva, determinada, de inteligência privilegiada e memória prodigiosa.
Na segunda fase, a estudante brilhante, a professora exímia e a filósofa famosa. Na última fase, a convertida ao catolicismo, seu ingresso no Carmelo de Colônia, na Alemanha. Esta última fase é um período atormentado pela perseguição do regime nazista a seu povo, no qual ela aprofunda a sua mística, baseada em Santa Teresa de Ávila e são João da Cruz.
Obrigada a fugir para o Carmelo de Echt, na Holanda, em 1942 foi presa e levada para Auschwitz, onde morreu, oferecendo a vida pela Igreja, pela paz e pela salvação de seu povo. Em 11 de outubro de 1998, Edith Stein foi proclamada santa pelo papa João Paulo II.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Impressionante descoberta: já havia me deparado com este DVD em inúmeras oportunidades, mas não imaginava que era dirigido pela Marta... Gosto muito da Edith Stein, e a descobri graças a uma jovem quase fundamentalista, em seu cristianismo, que trabalhou comigo na época do telemarketing. Adentrei a sessão desconfiado, mas fui logo fisgado pela abordagem de confinamento, estendida ao longo da narrativa, nas três fases (a das aulas interditadas por decreto nazista, a da forçação monasterial, e a do campo de concentração propriamente dito). A direção é sagaz, na inserção das obsessões pessoais da diretora, fascinada pelas redescobertas de maternidade. É uma trama muitíssimo autoral, mas que respeita a biografada, inteligentíssima, uma santa acadêmica. Filme adulto, comercializado como artigo religioso nas editoras Paulinas. Vou em busca do DVD agora, preciso rever este filmaço à frente: muito forte, comovente, tocante. Uma demonstração pragmática do que é epifania, que dialoga bastante com os trabalhos em parceria de Margarethe von Trotta e Barbara Sukowa! (WPC>)
O comentário tem imprecisões. Trata-se apenas de primeiras impressões sobre um tema que não domino.
No budismo, o monge ou praticante passa por uma experiência espiritual para atingir o estado de nirvana, ou seja, para obter a libertação da consciência em relação ao corpo e ao mundo. Isso significaria libertar-se de necessidades, desejos, emoções e sentimentos como o medo, a raiva e a vaidade. Significaria desapegar-se do mundo e da vida e libertar-se do sofrimento. Significaria domar e aquietar o ego.
A meditação é o recurso empregado para purificar a mente e chegar ao nirvana, ao estado de plenitude, de serenidade, de paz interior profundo.
Teresa d'Ávila escreveu o Livro das Moradas em 1577. Ela explica a viagem interior que a alma precisa realizar para chegar a Deus. Há semelhanças com o método budista para atingir o nirvana.
A oração, a reflexão e a penitência são os recursos empregados para realizar a caminhada espiritual. O sofrimento é o remédio para purgar a alma. Trata-se de um processo de dominação do ego, de nossas necessidades e impulsos, de nossos desejos mundanos, dos nossos sentimentos e inquietações. Trata-se de libertar-se dos prazeres carnais, de conscientizar-se de que a vida é efêmera e que não vale a pena ficarmos apegado a ela.
Na sexta morada, próximo do limite, o penitente pode sentir a mente abalada e ter visões. A alma deseja libertar-se do corpo. A última morada é o estado de desapego total em relação a si, ao corpo e ao mundo. É o encontro da alma com a liberdade e a paz absoluta, ou seja, com Deus. É o estado de santidade.
Suponho que a sétima morada seja o estado em que viviam Adão e Eva antes de serem expulsos do Paraíso. Ou seja, o estado em que os nossos ancestrais primatas viviam antes de se tornarem homo sapiens, quando viviam ainda mergulhados na natureza, como os demais animais. Retornar a este estado de fusão com a natureza, seria reencontrar-se com Deus.
Edith Stein decidiu percorrer a viagem espiritual sugerida por Teresa d'Ávila ingressando no Convento católico das Carmelitas Descalças. Precisou renegar o judaísmo.
O Convento parece ter sido concebido para as aspirantes percorrerem as sete moradas descritas por Teresa d'Ávila. Elas precisam renunciar-se a si próprias e ao mundo exterior, inclusive à família. Precisam renunciar aos bens mundanos e aos prazeres dos sentidos.
Edith Stein precisou submeter-se a regras duríssimas, sendo forçada ao silêncio, à obediência rigorosa, ao trabalho extenuante. Ela precisou domar a vaidade, o orgulho e a arrogância, precisou exercitar a humildade, anulando o ego. O objetivo da caminhada seria libertar o espírito do corpo e de todas as tentações do mundo exterior. A oração e a meditação seriam os recursos para purificar a alma. Durante o percurso, o sofrimento seria um remédio importante para fortalecer o espírito.
Atingindo a sétima morada, Stein conseguiu um certo grau de libertação da alma de seu corpo. Nesse estado, o medo da morte havia perdido sentido. A morte era o retorno do corpo ao seu estado original, ou seja, a Deus.
Tendo atingido a sétima morada, Stein pôde enfrentar com dignidade o holocausto nazista.
Poucas pessoas no mundo teriam condições práticas para realizar a experiência mística sugerida por Teresa d'Ávila e pelos budistas. O marxismo traça perspectivas diversas para a humanidade. Não propõe a negação da mente e do corpo como caminho para se chegar à liberdade. Pelo contrário, propõe o desenvolvimento de todas as potencialidades abertas pelo fenômeno humano. Em lugar de domar a mente, as sensações, os desejos e as emoções, tratar-se-ia de refiná-los. Como?
Em seu percurso histórico, movido pelo instinto de sobrevivência, o homem desenvolveu impulsos agressivos. Posteriormente, após a criação da propriedade privada, desenvolveu o sentimento de posse. Marx propôs uma forma de sociedade em que a violência e o sentimento de posse deixariam de existir.
Essa sociedade precisaria ser capaz de eliminar a luta pela sobrevivência mediante a aplicação da ciência e da tecnologia na produção de todas as coisas absolutamente necessárias para a coletividade. A sociedade precisaria eliminar a divisão social do trabalho. Ou seja, a forma de ordenação da sociedade eliminaria as fontes da maioria dos males que afligem a humanidade.
Todos os homens ficariam com tempo livre para dedicarem-se a atividades como as artes, a filosofia, as ciências, os esportes. Os homens precisariam também participar das atividades necessárias para a vida em comunidade, como plantar, pescar, produzir utensílios, educar as crianças, cuidar dos enfermos, cozinhar, limpar, lavar, coletar lixo, etc.
Certamente, aos poucos, o homem evoluiria ética e moralmente e se desenvolveria em todos os sentidos. Muitos sentimentos, — como o egoísmo, a vaidade, o orgulho, a avareza, a raiva e o ódio —, e desejos, como o de posse e dominação, desapareceriam. O homem poderia reconciliar-se com a natureza, deixando, inclusive, de enxergar o corpo como a fonte de todos os pecados; isto é, deixando de identificá-lo com o demônio.
A solução para eliminar os males da humanidade seria, portanto, coletiva, social, e não individual.
Excelente filme. Condiz com a vida de Edith Stein. Muito piedoso e comovente. Recomendo!
Lindo filme!