Cuba, final do século XVIII. Uma plantação de açúcar e o respectivo engenho de refinação são explorados por um conde, tendo como mão-de-obra escravos negros. Em uma Quinta-feira Santa o conde convida doze dos seus escravos para cear consigo. No dia seguinte, tendo reencontrado o sentido da dignidade humana, os escravos revoltam-se…
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Interessante a paródia proposta por Alea , especialmente no que condiz este desejo cristão hipócrita na busca pela auto "martirizaração" dos seguidores de Cristo: os escravos sentam-se á minha mesa , compartilho minha comida desde que compreendam sua posição de inferioridade, caso contrário é cabeça cortada e corpo crucificado. Penso que a ceia em si acabou ficando um pouco monótona e repetitiva mas o trecho final ganha em intensidade.
Filme com baixo orçamento, mas que entrega um produto final melhor que os da Globo filmes, bons atores e roteiro bacana.
É o Bacurau cubano
Esse filme é sobre a hipocrisia cristã, bem como sobre a falácia da igualdade entre as raças. É quase desenhado para quem ainda acredita que todos têm as mesmas chances ou que basta querer para conseguir. O que eu mais gostei foi
a maneira realista com que a resistência apareceu após o banquete e tb como ela foi dizimada, ou seja, ao mostrar a população negra na sua diversidade, racionalidade, criatividade e organização para além da submissão clichê.
É uma aula sobre sistema escravocrata, sobre a relação desigual entre raças e tb sobre o poder da igreja católica.
Tomás Gutiérrez Alea recorre ao exemplo da escravidão na Cuba colonial para falar da injustiça social. Destaque para a longa e magistral sequencia que dá título à película: a “santa ceia” do senhor de engenho com doze de seus escravos. Obra-prima!