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Jovem governanta assume um cargo em Bly, uma enorme mansão no campo, para cuidar de duas crianças: Miles e Flora. No início, tudo é adorável e perfeito até que Ann começa a ser afetada por visões de fantasmas, principalmente um homem e uma mulher que ela não conhece.
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Pessoal se quiserem aceitar o conselho de um amigo: Não assistam esse filme terrível em todos os aspectos. Mal feito, conduzido e interpretado. Uma verdadeira afronta ao clássico de Henry James, guardadas todas as liberalidades devidas à liberdade poética, esse filme é uma perda de tempo irreparável. Se você não conhece a história, assista " Os Inocentes" de 1961, esse sim um suspense psicológico melhor dirigido e mais fiel ao que se espera após a leitura do livro. Fica a dica.
porque o nome do filme é 'a volta do parafuso'?
Minha primeira decepção com a BBC não poderia ser maior... Estou abismado com a descaracterização hedionda a que essa adaptação submeteu o clássico de Henry James. A história de “A volta do parafuso” é uma das mais originais produções literárias de terror psicológico que já li; é uma trama baseada na ambiguidade, na sugestão, nos subentendidos e na análise da lucidez e da parcialidade da narradora.
Essa produção ignora todos esses pontos-chave da obra e entrega uma história clichê, um show de horror barato e genérico com crianças violentas que falam palavrões com uma “segunda voz” (cópia de “O exorcista”) e que assistem adultos fazendo sexo. No livro, as “perversões” das crianças são tão brilhantemente duvidosas que nada fica explícito ou provado; nesse filme, ao contrário, querem dar a entender que os irmãos Flora e Miles são demônios mirins da mesma safra de Regan MacNeil.
Além das crianças, os outros personagens também foram extremamente mal representados, com destaque para os fantasmas de Quint (mostrado como um devasso insaciável e assassino incontrolável) e Jessel (apresentada como uma mosca morta submissa). Ambos são unilateralmente estereotipados.
Como se não bastasse isso, a governanta, que deveria ser a personagem mais importante da trama (afinal, é a perspectiva dela que molda o terror proposto) foi representada como uma virgem reprimida caricata a ponto de ter não apenas fantasias, mas sonhos tórridos nos quais faz sexo com o tio das crianças.
Como se vê, sutileza que é bom, nada!
Naturalmente, haverá quem defenda essa produção dizendo que o que funciona no livro não funcionaria na tela; entretanto, o magnífico filme dos anos 60 “Os inocentes” (este sim, uma produção fidedigna) está aí para desmentir tal argumento: o filme de Jack Clayton capta todas as nuances do livro e apresenta uma produção assustadora e sugestiva, sem nenhum tipo de apelação vulgar e sem uma gota de sangue. Uma verdadeira proeza da arte de assustar.
Assisti domingo passado no canal Univesp TV. Essa versão do livro do Henry James foi feita para a TV, pela BBC inglesa. O filme é mediano, tem alguns bons momentos, mas o destaque fica mesmo com as atuações das crianças. Nem chega perto do clima, da tensão e das interpretações do clássico Os Inocentes, mas também não chega a ser uma obra descartável.
Promessa de fim de ano: Assistir o filme e depois ler o livro, isso para não criar grandes expectativas.