Agitação

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Agitação (2022)
Média do filme: 3.4 de 5 — baseado em 34 votos
MÉDIAFILMOW
3.4
34 Avaliações
Minha avaliação:
Salvando
Dirigido por Cyril Schäublin
Data de lançamento 14 Fev. 2022 Outras datas
País de origem Suíça 🇨🇭
Duração 93 min (1h33)
Status Em Breve

Dirigido por

Data de lançamento

14 Fev. 2022

Duração

93 minutos
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Sinopse

Novas tecnologias estão transformando uma cidade suíça do século XIX.

Gênero:
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Elenco

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Minha Vida com Shurastey | Teaser Oficial

Minha Vida Com Shurastey

Comentários 0
amigos querem ver

Estou absolutamente impactado com esse filme, daquela típica produção que exigirá uma revisita daqui uns anos, para digerir tudo aquilo que nos fora exposto, e com tão pouco. Daqueles filme que consegue exprimir até a última gota de criatividade mesmo com seus recursos tão limitados.
Fala sobre o anarquismo no século XIX, alguns anos após a experiência da Comuna de Paris. Cita Marx, Lênin, e consegue o fazer sem soar pedante. Mas acima de tudo conseguiu recriar o momento histórico nas linhas de produção, com um ingrediente de ser uma fábrica de relógios. Aqui sim temos uma metáfora totalmente em simbiose com as discussões mais profundas apresentadas na tela, a começar que o registro da época são as fotografias feitas à base ainda da combustão, e ao longo do filme os personagens tiram diversas fotos. É o instante começando a se eternizar.
Mas a genialidade não para aí. Para passar essa sensação de emolduramento da vida, o diretor opta por emoldurar sua câmera. note que a câmera nunca percorre pelos espaços, ela é fixa, tal qual as técnicas de reprodutibilidade usadas na época, para citar um termo de Walter Benjamin. Assim, além de alguns enquadramentos se repetirem, os próprios personagens também não estão bem centralizados, para desespero do Kubrick. Genial.
E não bastasse a técnica super competente de rodar a história, tudo isso soa muito bem com a narrativa, não sabemos ao certo em quem confiar, se no tempo da produção (liberais), se no tempo da prefeitura daquela pequena cidade na Suíça (Governo) ou se nem em um e nem em outro (Anarquismo), pois tudo que temos são fotografias, momentos, instantes eternizados, nunca um passeio pelo todo. Não há.
essa pretensão humana de abarcar o todo, criando uma sociedade perfeita soa mais como distopia. Soa como se quiséssemos domar o espaço e o tempo, mas de uma forma ou de outra sempre estaremos ligados entre si por alguma voz de comando. Destaco aqui duas cenas: primeiro uma em que o vendedor de fotografias percebe o interesse das possíveis compradoras por um de seus retratos, ele prontamente aumenta o preço do objeto, mostrando aí não apenas a ganância, mas como elas cultuam a personalidade subjetiva de indivíduos (não há como escapar, alguns indivíduos irão sobressair-se ao todo). A outra cena, o diálogo perfeito em que a trabalhadora descreve ao personagem principal, um anarquista, como é seu trabalho para confeccionar um relógio, um trabalho que exige conhecimento técnico, que nem todos dominam, e o roteiro magistralmente insere essa discrição de forma irônica.
Assim, entre seguir o tempo da prefeitura ou da fábrica (um dos momentos de discussão do filme), opta-se por um meio termo. E assim é a vida, como uma fotografia, apenas um retrato de um mundo de possibilidades. nós já vivemos o nosso metaverso, senhores!
Há tanta coisa a ser abordada nesse filme, como a obediência dos trabalhadores a um comando central (fim da alienação? risos). Não espere respostas fáceis aqui. Se o comunismo e a anarquia são opções viáveis, pois não é isso. As próprias sociedades de mercado não são perfeitas. Trata-se de mostrar como é difícil domar o leão da organização social, e é absurdamente perfeita a forma como o filme faz isso em alusão ao tempo do relógio.
Só não é perfeito porque ainda acho esse tipo de filme meio monotônico nas cenas, o que às vezes torna-o cansativo, mas pela quantidade de material posto à reflexão, vale muito o esforço.

Comentário contando partes do filme. Mostrar.

A cena final, focando no relógio e finalmente movimentando a câmera, mostra que estamos caminhando em busca das respostas, mas ao focar no vazio da densidade na floresta, ainda estamos muito longe desse controle. Perfeito.

danielreck
Daniel Reck
3 anos atrás

Sátira social muito inteligente, de inspiração Kafkiana. Retrata não apenas uma sociedade que parece inacreditável, mas também algumas obsessões dos suíços pelo tempo, fotografias e demarcações territoriais que se tornariam marcas da sociedade moderna.

kathhy
katia
3 anos atrás

Assisti em 23/10/22 na 46ª Mostra Internacional de Cinema de SP.

Novas tecnologias estão transformando uma cidade relojoeira na Suíça do século 19. Josephine, uma jovem operária da fábrica local, produz a roda do calibre — o coração do relógio mecânico. Ao descobrir novas maneiras de organizar os ganhos financeiros, tempo e trabalho, ela acaba se envolvendo com o movimento local de relojoeiros anarquistas, onde encontra o viajante russo Pyotr Kropotkin.

Vencedor do prêmio de Melhor Direção na seção Encontros do Festival de Berlim. Exibido nos festivais de Toronto, San Sebastián, New York e IndieLisboa.

pseudokane3
Wesley PC>
3 anos atrás

Que filme deliciosamente estranho! Parece uma cooptação dramático-histórica do estilo tatiano, em que as múltiplas repetições de situações e os enquadramentos rigorosos, em que várias atividades são mostradas simultaneamente, demonstram a habilidade do diretor na crítica à imposição mensurada dos ritmos capitalistas. O elenco é ótimo (entendeu muitíssimo bem a proposta do filme). Não há arroubos ativos, mas uma sutileza progressiva, que se inicia muito bem - com a explicação das principais diferenças entre o socialismo e o anarquismo, por parte de algumas garotas aristocratas - e termina com a explicação definitiva do título, referente a uma peça-chave na feitura dos relógios, no que tange à implantação do tique-taque característico. Por vezes, o filme parece lento, mas esse é o grande estratagema do enredo: fazer com que questionemos o que é efetivamente a impressão do tempo, enquanto ele transcorre. Ótimo! (WPC>)

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