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Duração
Janaína é uma jovem de 18 anos que mora com a mãe e a avó em um conjunto habitacional na periferia do Recife. Ela é a primeira pessoa da família que pode obter um diploma universitário, mas uma gravidez indesejada ameaça os planos que havia traçado para sua vida.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Tema sempre difícil e com bom desenvolvido.
Sensível e realista ao lidar com o tema, mas ainda paira alguma ausência na trama ao terminarmos.
- nenhuma mulher nunca deveria passar pela angustia e sofrimento que a personagem sofreu, por isso o termino da gravidez deveria ser legalizado e com apoio social e as que escolherem manter deveriam ter direitos garantidos em todas as áreas
- bom que o filme foge de vários lugares comuns do gênero e a protagonista tem acolhimento em vários lugares
- a diálogo com a mãe no final é pedrada
- já to muito mais perto dos 40 que dos vinte, já tenho filho, mas gravidez na adolescência é uma coisa que ainda tenho medo
Produção independente, o drama brasileiro que estreou nos cinemas no último final de semana é um duro retrato da criminalização do aborto. No filme, a jovem Janaína, de 18 anos, estudante bolsista do primeiro ano de Direito, é a única pessoa da sua humilde família a entrar na universidade. Moradora da periferia de Recife, no Pernambuco, é abalada com a notícia de que está grávida, o que colocará seus sonhos e estudos à prova. Toca em um assunto delicado ao universo feminino, a gravidez não-desejada, e os desdobramentos desse tema, como a tentativa de aborto, a criminalização, o julgamento e a falta de políticas públicas sobretudo para mães solo e periféricas. Hoje o aborto é proibido no Brasil – somente aceito em casos de estupro, risco de vida da gestante ou má-formação encefálica do feto, e o debate reacende vez ou outra no país, sem nunca obter avanços significativos. Nos últimos anos foram registrados mais de 500 mil abortos clandestinos, sendo que muitas dessas mulheres morrem ou adquirem doenças graves. ‘Ainda não é amanhã’ fala disso de maneira humana e jovial, numa linguagem para todos os públicos. É o primeiro longa da diretora Milena Times, que faz uma estreia firme e brilhante, sabendo manusear o elenco de nomes pouco conhecidos, mas que prezam os papeis, como a protagonista Mayara Santos – que mergulha numa personagem difícil e angustiante, Clau Barros, Cláudia Conceição, Bárbara Vitória, Mário Victor, Guta Menelau e Lalá Vieira. Vencedor do prêmio de melhor atriz no Festival do Rio, o drama tem produção assinada pela Espreita Filmes, Ponte Produtoras e Ventana Filmes, com distribuição nas salas pela Embaúba Filmes. POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb blogspot
O filme levanta uma temática urgente: o direito ao aborto e à escolha da mulher sobre o próprio corpo.
Mas mesmo sendo um filme curtinho, consegue ser orgânico na crítica que tece. Cenas "secundárias" ilustram bem a complexidade que é lidar com um sistema que condena mulheres periféricas.
Exemplo 1:
uma cena onde o professor de direito está explicando a diferença entre Legal, Ético e Moral. Nem sempre o que a lei prescreve é moral. A criminalização do aborto pode ser legal, mas é imoral porque tira das mulheres o direito de escolha.
Exemplo 2:
quando Janaína diz, num diálogo ainda no início do filme, que a faculdade não é "de graça", pois ela vai ter que restituir metade do valor do curso quando estiver no mercado de trabalho. Será que esses programas de acesso ao ensino superior (FIES, ProUni, etc) têm como maiores beneficiados o povo de baixa renda ou os grandes empresários do setor educacional? E foda-se se você tá grávida inesperadamente, se reprovar uma matéria vai perder a bolsa.
Gostei da decisão do filme de não colocar o único personagem masculino como vilão, mas também não colocá-lo como salvador da pátria.
Quem é porreta mesmo é a Amiga. Que Amiga! A mensagem é de luta, uma luta tão abraçada pelas feministas, mas que é narrada também por uma perspectiva de questão de classe. Quem tem condição material, faz o que quer, o que julga ser moral. Quem é mulher, periférica e negra só tem aos próprios.