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Data de lançamento
30 Nov. 2011Duração
Filha de um herói da independência da Birmânia, Aung San Suu Kyi (Michelle Yeoh) foi morar no exterior ainda jovem. Na Inglaterra se casou com Michael Aris (David Thewlis) e teve dois filhos, Kim (Jonathan Raggett) e Alex (Jonathan Woodhouse), mantendo contato com o país através de livros publicados e o acompanhamento das notícias locais. Ao saber que sua mãe está internada em um hospital, Aung decide voltar à Birmânia para revê-la. Logo ao chegar ela é procurada por vários líderes locais, que desejam que ela coopere com o movimento pela implementação da democracia no país. Aung aceita o convite e, pouco a pouco, torna-se um ícone do movimento. A situação não agrada a ditadura militar local, que passa a acompanhar todos os seus passos e tenta impedi-la de promover manifestações. Até que, na esperança de fazer com que o povo se esqueça de Aung, o governo ordena que ela permaneça em prisão domiciliar por 15 anos.
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20/04/23
Um dos filmes mais diferentes e fantásticos da carreira de Luc Besson.O filme é inteiramente de Michelle Yeoh e David Thewlis.O patriotismo rende momentos dilacerantes.
‘Além da Liberdade’ e o viés político do cinema
Golpe em Mianmar, no início de fevereiro de 2021, renova a atualidade de ‘Além da Liberdade’, lançado há dez anos pelo diretor francês Luc Besson.
Cinema não é apenas entretenimento, claro. Incontáveis são as possibilidades da chamada sétima arte e uma delas é o direcionamento de holofotes para realidades problemáticas. E não ficcionais. É o que faz Além da Liberdade (2011), do cineasta francês Luc Besson. The Lady, conforme o título original, é uma cinebiografia da política birmanesa Aung San Suu Kyi.
O roteiro mescla com destaque dois aspectos:
1) a narração da luta de Suu (Michelle Yeoh, de O Tigre e o Dragão) pela implantação da democracia em um país que foi dominado por rígido regime militar há décadas;
2) o retrato da devoção da protagonista à sua família, composta pelo marido britânico Michael Aris (David Thewlis) e pelos filhos Alexander e Kim Aris (Jonathan Woodhouse e Jonathan Raggett, respectivamente).
É nesse segundo aspecto que se encontra a maior fraqueza do filme. Se, por um lado, o enfoque do relacionamento familiar é fundamental para a compreensão e humanização do relato, por outro, ganha tons cada vez mais sentimentalmente exagerados e acaba desembocando em um melodrama.
Talvez a preocupação do roteiro em dar amplo destaque à família seja uma forma de aproximar a história da grande audiência. Afinal, falar apenas da política de Mianmar poderia afastar o público médio ocidental. Porém, o retrato feito do núcleo familiar traz pessoas perfeitíssimas, engajadíssimas e preocupadíssimas umas com as outras. A aura sacrossanta que as une é artificial demais e os superlativos aqui usados sem economia estão intimamente ligados ao exagero que se vê na tela.
Para admirar Além da Liberdade, no entanto, é preciso ser condescendente com eventuais fraquezas narrativas. A força desta obra de Luc Besson está nas razões básicas pelas quais foi feita: denunciar atrocidades em Mianmar; servir de apoio à implantação da democracia no País asiático. Essa “campanha” já contou com a concessão do Prêmio Nobel da Paz a Suu em 1991, ampla cessão de espaço ao assunto em importantes veículos de comunicação mundo afora e até o engajamento de estrelas do show business, como é o caso do grupo U2, que compôs a canção Walk On em homenagem à ativista birmanesa.
Além da Liberdade nasceu do propósito de dar (ainda mais) visibilidade a uma história que, em meio à forte repressão, clama pela divulgação. O próprio nome do País é motivo de controvérsias: hoje, é chamado de Mianmar; mas como a mudança veio durante o governo ditatorial, nem todos os países o reconhecem. Uma frase atribuída a Suu (e usada com destaque no filme) é pertinente para ratificar a própria razão de ser deste trabalho de Luc Besson:
“Usem a sua liberdade para promover a nossa”.
Por outro lado, a ativista birmanesa recebeu críticas mais recentemente por ter negado ou minimizado a perseguição religiosa feita pelo exército birmanês à minoria rohingya. A maioria da população de Mianmar é budista e os rohingyas são muçulmanos. Por dividir o poder com militares e nunca ter efetivamente vivido uma democracia plena, Mianmar seria um ambiente difícil e complexo para Suu.
No início de fevereiro deste ano, inclusive, ela foi novamente presa em um golpe dado pelos militares, que não reconhecem o resultado das eleições na qual o partido de Suu venceu com mais de 80% dos votos. O fato enfraquece ainda mais a trajetória do país rumo a um regime democrático e renova a atualidade deste filme lançado há dez anos.
Dica:Assista os filmes VJs de Myanmar e Golden Kingdom.
Filme muito legal e diferente, pq contou a História recente de um país desconhecido pra nós brasileiros, que é a Birmânia (atualmente se chama Myanmar).
Interessante assistir um filme sobre a Birmânia, um país que talvez seja o menos conhecido daqueles que estão ali próximos ao sul da Ásia (Vietnã, Tailândia, Nepal, Índia). A história é sobre uma mulher que quando bem nova, era filha de um líder da Birmânia, saiu cedo de lá, casou-se na Inglaterra, teve filhos e numa viagem de volta por causa da mãe que estava doente, acabou ficando pra ajudar o país a sair dos domínios de um ditador tirano. Mas o drama maior dela, além da luta pelo seu povo, foi ter que ficar refém em seu próprio país e sem poder ver a família. Esse filme é daqueles que além de ser emocionante e bem realizado, vale também como uma boa aula de história.