Depois de 30 anos passados na política, o prefeito de Lyon é um homem exausto, incapaz de renovar seu discurso e suas idéias. Sua equipe então acrescenta uma jovem filósofa, Alice, para estimulá-lo intelectualmente.
Gratíssima surpresa! Não sabia do sucesso (de crítica e também de público) obtido por este filme, mas achei tão ousada quanto bem-vinda a sua abordagem comunicacional: em tempos em que somos a explicar o óbvio (que a Terra é redonda, que vacinas salvam vidas e que o armamentismo não é uma recomendação de Jesus Cristo), o tipo de questionamento que esse enredo traz à tona é benfazejo. Precisariam, de fato, os políticos serem intelectualizados? Não seria o pragmatismo inerente à função um obstáculo? Fabrice Luchino compõe de maneira brilhante o seu personagem, sendo Nora Hamzawi a sua correspondente oposta, uma verdadeira antípoda. Diálogos inteligentíssimos (e também sensíveis), apesar da constatação de que há uma assimetria entre os recursos de direção e o roteiro propriamente dito. Lembrei do julgamento de Fredric Jameson sobre a necessidade de compensação formal, por parte de um cinema que tematiza a nostalgia, acerca da "perda da historicidade em nossa época". O uso dos clássicos musicais é um tanto programado, mas isso faz parte do projeto de identificação que o filme nos lega: muitas vezes, flagro-me diante do mesmo questionamento "será que estou emburrecendo?". A subsunção ao envelhecimento capitalista torna isso inevitável. É um filme que parece mais longo do que efetivamente é, mas absolutamente merecedor de recomendações entusiasmadas, uau! (WPC>)
Gratíssima surpresa! Não sabia do sucesso (de crítica e também de público) obtido por este filme, mas achei tão ousada quanto bem-vinda a sua abordagem comunicacional: em tempos em que somos a explicar o óbvio (que a Terra é redonda, que vacinas salvam vidas e que o armamentismo não é uma recomendação de Jesus Cristo), o tipo de questionamento que esse enredo traz à tona é benfazejo. Precisariam, de fato, os políticos serem intelectualizados? Não seria o pragmatismo inerente à função um obstáculo? Fabrice Luchino compõe de maneira brilhante o seu personagem, sendo Nora Hamzawi a sua correspondente oposta, uma verdadeira antípoda. Diálogos inteligentíssimos (e também sensíveis), apesar da constatação de que há uma assimetria entre os recursos de direção e o roteiro propriamente dito. Lembrei do julgamento de Fredric Jameson sobre a necessidade de compensação formal, por parte de um cinema que tematiza a nostalgia, acerca da "perda da historicidade em nossa época". O uso dos clássicos musicais é um tanto programado, mas isso faz parte do projeto de identificação que o filme nos lega: muitas vezes, flagro-me diante do mesmo questionamento "será que estou emburrecendo?". A subsunção ao envelhecimento capitalista torna isso inevitável. É um filme que parece mais longo do que efetivamente é, mas absolutamente merecedor de recomendações entusiasmadas, uau! (WPC>)
Cinema como atividade intelectual. Amém!