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Heibei (Nakadai) é um jovem que retorna para casa após lutar na II Guerra, e força o seu casamento com Sadako (Takamine) após violentá-la e usar sua influência para convencer o pai da garota. A partir daí, o casal vive uma relação conflituosa, pois Sadako era apaixonada por Takashi (Keiji Sada), um combatente japonês que Heibei odiava desde criança.
Amor Imortal (também chamado O Inesquecível) foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro.
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Produção japonesa em preto e branco indicada ao Oscar de melhor filme estrangeiro. O vencedor do ano foi o sueco Através de um espelho (61). O filme foi escrito, co-produzido e dirigido por Keisuke Kinoshita (1912-1998). Embora o filme seja japonês, o compositor Chuji Kinoshita (1916-2018) - irmão do diretor Keisuke Kinoshita - usou o flamenco (música tradicional espanhola) como base da trilha sonora.
Hideko Takamine (1924-2010) foi uma única atriz que conseguiu passar por uma transformação de 30 anos ao longo de 2 horas. Além dela, Tatsuya Nakadai (atualmente com 88 anos) e Keiji Sada (1926-1964) estão todos ótimos nestas décadas que se estendem pelo cineasta Kinoshita, um triângulo amoroso cheio de amargura, ódio, arrependimento e, talvez, perdão. De conter explosões emocionais, mas principalmente com os planos longos impressionantes e o lirismo das cenas em cascata .
Considero esse filme fraco, por ser de 1961.
Nada de novo, nada de diferente, a mesma história de sempre.
E nesse caso considero um filme "falho" porque o Kinoshita "tentou inventar" colocando flamenco no filme, para ter uma música diferente, com aquelas letras narrando o drama. Ficou apenas um detalhe diferente que em nada acrescenta, diferente de "A Legend or Was It" que ele fez dois anos depois e as escolhas que fez lá combinaram melhor com o tom e conteúdo da história.
Numa análise superficial é comparável a uma novela mexicana, mas quando nos aprofundamos nos dramas que envolvem estas personagens, é que realmente percebemos a beleza e a sensibilidade desta obra. Nota 7,5.
É interessante ver que aqui, como em seu filme anterior (O Rio Fuefuki), o tempo é quase que o personagem principal da história. Keisuke Kinoshita parece se preocupar muito com o impacto que determinadas escolhas e ações repercutem ao longo do tempo. Do começo do filme até o seu final somos inundados em 30 anos de história dos personagens e é aí que reside a força do filme como um todo. Com cenas muito impactantes e personagens que nos fazem pensar e sentir uma avalanche de sentimentos. É lógico que é muito fácil sentir ódio de Heibei, mas teve momentos que senti o mesmo ódio por Takashi (seja por sua passividade, seja por ser um completo bunda mole). No meio de tudo isso, o drama de Sadako toma proporções enormes. O desfecho pode não agradar a todos, mas ao meu ver, foi muito bonito. Um filme atual e que leva muito a reflexão da situação em que mulheres viveram e vivem ainda no dia de hoje, de total submissão frente aos valores machistas da sociedade.
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Maravilhoso filme do Kinoshita!! Durante o filme, nutri um grande asco pelo personagem Heibei e suas ações de "baixa índole" (para lembrar Aristóteles), sempre culpando Sadako, que a todo momento ocupa o lugar da vítima, do corpo violado -- e se pensarmos de "modo alargado", veja-se como este filme ainda nos é contemporâneo e quantos Heibeis há por aí. É muito dolorosa (a dor tem presença central neste filme) uma fala da Sadako para Tomoko:
"O que não consigo esquecer não é o seu marido, mas sim o que eu tive de passar".
No livro "História do cinema japonês" (que frequentemente venho consultando pelo seu caráter enciclopédico, mas infelizmente ocasionalmente divergindo de algumas análises), a autora, Maria Novielli, diz que após "Fuefukigawa" (O rio Fuefuki) Kinoshita fez filmes [cito] "qualitativamente menos importantes" (pág. 201,para consulta: Editora UnB, 2007). Não sei se a Novielli teve contato com este filme, mas discordo desta citação e não consigo ver este filme como "menos importante". Arrisco dizer: do que já vi do Kinoshita, penso que "A Balada de Narayama", "Vinte e Quatro Olhos" e este "Amor Imortal" se constituem o tripé fundamental do cinema de Keisuke Kinoshita. Penso também no ajuste de contas: aqui, não temos o experimentalismo visual de "Fuefukigawa", o intimismo e a bela fotografia de "A Balada de Narayama". Temos um drama familiar rodeado de tragédias. Temos um filme sobre Renúncia. A vida de Sadako é uma vida de inteira renúncia e sacrifícios. E justamente por funcionar como uma poética da renúncia que eu vejo esse filme como fundamental no cinema deste diretor. Como eu costumo dizer: filme para ficar na memória.