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Fernanda tem a vida organizada, emprego garantido e um pequeno apartamento. Sueli sonha em ser famosa, chegar à televisão, posar para revistas masculinas. As duas se conhecem quando Sueli vende para Fernanda convites para um concurso de miss. As duas voltam a se encontrar na praia, após Sueli, depois de vencer o concurso, ter sido expulsa de casa pelo pai conservador. Fernanda, solidária, oferece abrigo a Sueli, e nasce o romance entre as duas. Tudo vai bem até que Sueli se envolve com um jornalista, que parece ser o meio de realização de seus sonhos. Sueli engravida, desespera-se e suicida-se. Fernanda é acusada pela morte de Sueli. E os preconceitos afloram no julgamento.
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Um filme de tribunal interessantíssimo. Tudo o que se debate no julgamento é algo alheio à morte de Sueli, fala-se apenas sobre a vida de Fernanda, que não tem nada de errado, inclusive.
Chamo atenção também para o momento final, em que Fernanda vai ao túmulo de Sueli e lá está uma grande mensagem do pai de Sueli e nenhum indício da vida dela com Fernanda. Quantas histórias como esta não ficaram para trás?
Recomendação para quem gostar: O Menino e o Vento. Tem uma temática e uma estrutura muito semelhantes.
Uma belíssima supresa, por ser um filme que trata de uma temática relativamente polêmica (a lesbianidade quando não está sob encomenda na pornochanchada para agradar homem) e que sabe, na medida, cutucar a hipocrisia social, na época e atualmente. As ditas performances caricatas, não são ''erros amadores de uma estreante/doutrinação militante enviesada'', são, na verdade, todas intencionais e em contraste ao personagem principal de Fernanda, a única que consegue ser mais humanizada e subjetivada. O que rende ao filme uma eficácia alegórica, retratando tipos e não subjetividades (o que o cinema novo fazia com força e Bacurau, inspirado nisso, reciclou, ou o cinema de gênero com seu maniqueísmo). O filme é até pudico em mostrar a intimidade das duas (se comparado ao que era exibido nas pornochanchadas) e prefere focar no julgamento de Fernanda. Como já dissera, os tipos sociais caricatos (o crente, o advogado falso moralista, o gay afeminado, a mulher arrivista e explorada pelos pais crentes) são todos emblemáticos para reforçar confrontos sociais atualíssimos (a revanche contra a 'virtude moral' dos puritanos e manipuladores da fé alheia), vide a guerra cultural conservadora-progressista e a pauta de costumes, que visa deslocar a realidade política do que importa: a emancipação humana.
Que filme !!
E o tema é mais atual do que nunca.
Primeiro longa metragem da história do cinema nacional dirigido por uma mulher negra. E já traz um tema polêmico.
O filme tem muitas limitações, mas eu passo muito pano.
As intepretações são meio caricatas, mas gostei por ser um filme corajoso numa época pesada da história brasileira.