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Data de lançamento
16 Junho 2000Duração
Em plena Cidade do México, um terrível acidente automobilístico ocorre. A partir deste momento, três pessoas envolvidas no acidente se encontram e têm suas vidas mudadas para sempre. Um deles é o jovem Octavio, que decidiu fugir com Susana, a mulher de seu irmão Ramiro, usando seu cachorro Cofi como veículo para conseguir o dinheiro para a fuga. Ao mesmo tempo, Daniel resolve abandonar sua esposa e filhas para ir viver com Valeria, uma bela modelo por quem está apaixonado. Também se envolve no acidente Chivo, um ex-guerrilheiro comunista que agora atua como matador de aluguel, após passar vários anos preso. Ali, em meio ao caos, ele encontra Cofi e vê a possibilidade de sua redenção.
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Assisti esse filme depois de 13 anos por ter a mínima lembrança de que tive a impressão de que Iñarritu era um nome para eu ficar de olho. Essa vaga lembrança reapareceu essa semana, vendo o pôster de Digger, e achei que rever esse filme, depois de tanto tempo, poderia conversar com essas memórias.
E assim foi. É nítido o talento de Iñarritu nesse filme. Essa forma cruel, dolorosa e cruamente real de representar os amores, amores e formas de amar que são contingentes com a sua própria realidade, amores que machucam a carne, que a expõem de forma visceral — arco de Ramiro, Susana e Octavio —; amores confusos no diálogo e no confronto com a realidade, como é o de Daniel e Valeria; ou até mesmo o Amor Ideal, aquele que atravessa a relação imediata e se projeta para além da História, em expressão Política e de Ideal de mundo-político, como é a incrível história do Amigo do Povo El Chivo!
E tudo isso com uma das formas de amor mais brutais, no sentido primitivo, em um sentido que, mesmo impedido pela linguagem dos Homens, se impõe pela linguagem da Natureza: com os cachorros. Acompanhando as relações humanas, o amor está também atravessado pela ferocidade dos canídeos, além de toda a sua outra face, como a agressividade, a tristeza e o ódio. Iñarritu consegue trabalhar muito bem com toda a dimensão do amor, em suas duas faces, preservando toda a ambiguidade desse fenômeno, tanto nas relações Humanas quanto nas que se propõem da Natureza, e isso é incrível, ainda mais se tratando do seu primeiro trabalho no Cinema.
A questão da montagem eu achei boa, pero no mucho. Acho que em Babel ele faz isso melhor, mas isso não quer dizer que seja ruim. Acho só que poderia ter costurado e escondido melhor as linhas, ter feito algo mais suave. Os personagens se conectam, mas se conectam pouco, e eu acho que ficaria melhor se eles se conectassem mais e mais suavemente.
É um grande filme, um ótimo filme para conhecer o Cinema do Iñarritu e um filme incrível para falar de amor, relações humanas e formas de amores, com a crueza e a visceralidade transpassando todas essas categorias.
Assistido 1a x: alguma data de 2013
Assistido em: 03/10/2026
Meus amigos que filme intenso, enredo que te prende do ínicio ao fim sem “barriga” sem enrolação, somente a vida acontecendo. Lindo demais.
/MUBI
Meus amigos que filme intenso, enredo que te prende do ínicio ao fim sem “barriga” sem enrolação, somente a vida acontecendo. Lindo demais.
/MUBI
Há séculos já havia assistido 21 gramas também e Babel, mas sempre adiei Amores Perros. A história instiga, queremos saber tudo que vai acontecer, e de certo, a vida se torna imprevisível em cada recorte. Cachorros são o que, de certa forma, dão nome aos recortes de cada história, e amores como esses podem ser devastadores, humilhantes e levar você pra o fundo do poço. Pelo menos foi isso que eu senti na história.
Múltiplas histórias fragmentadas contadas de maneira absurdamente profunda, sem confundir o espectador e prendendo-o durante toda a narrativa.
As diferentes tramas são permeadas por momentos de intimidade, como a dinâmica de uma família, casais ou amizades, e num geral são relativamente pesadas, expondo um dos objetivos do diretor, o de mostrar a realidade em toda a sua complexidade: a violência e a empatia que coexistem no ser humano.
Além disso, Iñarritu desata os nós dessas múltiplas histórias aos poucos. A fragmentação vai além do mero recurso narrativo. À medida que o filme avança, o mesmo acontecimento ganha novos sentidos conforme a perspectiva muda. O objetivo está em expor como indivíduos reagem ao mundo e às circunstâncias que compartilham, mais do que seguir uma linearidade com um desfecho decisivo.
A paleta de cores é bem sombria, reforçando tanto o caos emocional quanto a violência social presentes na narrativa; existe também, de forma bem evidente, o uso de cortes bruscos que intensificam o choque emocional e a adrenalina.
Trilha sonora absolutamente maravilhosa. Cada música encanta e complementa com mansidão as diferentes tramas que se desenrolam, trazendo um pouco de leveza e sensibilidade a um filme que por vezes pode ser bem "sufocante."