Junior

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Últimas opiniões enviadas

Junior
½
2 dias atrás

Eu tinha muitas expectativas com esse diretor desde que assisti a "Dream Scenario". Também fiquei curioso para ver como se daria o jogo de atuação de Robert Pattinson e Zendaya nesse estilo de filme de poucos personagens, em que o mais importante é a relação entre eles. Há nesse filme os elementos que mais me interessam, que são: delírios, paranoias, desencontros, dificuldade de expressão, fragilidade e o processo de miserabilidade humana.

Desde "Dream Scenario", acredito que Borgli trabalhe bem os temas da condição humana. Porém, durante o filme, esses temas, para mim, pareciam coisas menores. Não consegui me identificar com o drama proposto. Não consegui embarcar na manifestação da personagem de Haim. Consigo ver que há diversos fatores para isso. Porém, isso foi mudando da metade para o final do filme, quando pensei que não importava, para a experiência, que eu comprasse o motivo do drama tal como ele era, mas que o processo de delírio do Pattinson e o lugar em que a Zendaya estava sendo colocada importavam mais. O filme mudou completamente quando parei de tentar a identificação com a realidade americana e passei a comprar o processo de dramatização.

O filme vale, sim, para pensar problemas sociais americanos, mas acho que, nisso, outros filmes fazem melhor. Um recente, que se equipara em tamanho de distribuição e recepção de público, é "Weapons". Portanto, não gostei de pensar o filme nesse sentido, como crítica à sociedade americana, mas como um estudo da decadência das relações humanas amorosas (amorosas aqui não está restrito ao casal, mas se estende aos amigos ou a eles mesmos) por meio do delírio.

Acho que pensar o Pattinson nesse filme é interessante e renderia várias discussões também, como:

Comentário contando partes do filme. Mostrar.

A Zendaya se torna o alvo do filme a partir do seu segredo revelado, mas por que o Pattinson não é colocado em xeque, uma vez que ele não conta o seu segredo e projeta toda a sua insegurança a partir de um segredo "horrível" desvelado por sua companheira? Por que existe essa dificuldade de elaboração tão intensa que, às vezes, parece servir como instrumento para justificar suas próprias falhas e dificuldades? etc. etc.

Pois bem, eu gostei. Acho que é mais um belo filme de Borgli e que rende várias reflexões sobre temas interessantíssimos. O diretor norueguês é, para mim, um dos grandes da contemporaneidade e daqueles que ainda crescerão muito em suas carreiras.

Junior
½
4 dias atrás

Para mim, Tusk é um excelente filme.

É de se admirar um body horror desse tipo, que consegue sustentar temas interessantes e uma construção narrativa cheia de nuances. Há comédia sem perder o bizarro; há elementos que me pareceram vindos da literatura francesa e inglesa, como Holmes e Lupin; e há também o drama do desespero e da desesperança. Tudo isso dentro de um subgênero que não precisaria ter.

E não acho que todos esses elementos estejam jogados. Parece-me um filme sem pressa, ousado e muito interessante. Tentei pensar nas críticas que vi, e elas não fazem sentido para mim. Os flashbacks dinamizam o filme, não atrapalham. Eles também trazem um movimento que corta a linearidade sem se tornar enfadonho. A maioria dos personagens (exceto Teddy) é desenvolvida em alguma medida. Por mim, o filme poderia ser ainda mais apelativo, mais calmo, ter mais cuidado com a fotografia. Dava para aproveitar ainda mais o cenário, toda a transformação da Morsa e a discussão sobre a natureza humana.

Há várias coisas nesse filme que me mobilizaram; a discussão sobre a natureza humana é a principal. O final, sobre a lágrima, é outra. Mas, principalmente, a cena pós-créditos. Há diversas críticas do tipo: "a concepção do filme partir de uma brincadeira; por isso, o filme já nasceu ruim".

Esse incômodo que nós temos, essa sensação de sermos enganados, é o próprio Cinema. Não nos esqueçamos disso. O Cinema é um lugar de projeção. Nós somos enganados nos filmes "sérios" também. E esse, definitivamente, não é o problema. Incomoda, sim, mas não é um problema. A "natureza" do Cinema também é enganar. Aqui, o diretor nos engana, faz uma grande brincadeira conosco. Mas a câmera nos engana, as cores nos enganam, os personagens nos enganam.

Achei um grande filme, e me interessa muito como o pessoal da comédia consegue fazer outros gêneros de forma ousada e muito impactante.

Junior
2 semanas atrás

Há vários filmes muito bons que tratam da dinâmica institucional dos hospitais psiquiátricos. Da loucura, há ainda mais. É um grande mérito o Park Chan-wook realizar um filme desse tipo de uma maneira que o torne diferente dessa vastidão de obras feitas.

Penso que o grande perigo desse tipo de filme é reduzir os personagens aos seus diagnósticos. Quem mente é a mitomaníaca. Quem alucina é o esquizofrênico. Quem não come é o anoréxico. De maneira que o filme faça com que nós também reduzamos esses personagens a essas manifestações e reproduzamos o impedimento de que esses personagens podem ser outra coisa ou manifestar outros comportamentos. Como se também eles não pudessem falar para além desses diagnósticos, não tivessem histórias, não tivessem os porquês dessas marcas.
E penso que, nesse sentido, o diretor manejou bem. Há diversos momentos em que os sintomas se misturam: o ladrão está cantando como a cantora, a cintura elástica está na projeção de sonho dos personagens, as meias de voo estão com a Young-goon. Todos esses elementos coincidindo para que a história de resolução do conflito da personagem principal pudesse ser resolvida. Até o máximo dessa somatória resultar em uma cena em que todos compartilham da mesma dificuldade de se alimentar que ela tem. Essa forma de somar, e não dividir — algo que esses filmes e narrativas tendem a reproduzir — é um grande ponto nesse filme. Pois, também como aqueles que estão fora dessa dinâmica institucional, essas pessoas são complexas e não podem ser reduzidas aos seus sintomas. Há histórias por trás desses diagnósticos e há uma possibilidade de conversa para além deles.

Outro grande ponto para mim são os elementos de diversos gêneros no filme. Há diversas cenas de comédia que usam uma estrutura cômica para mostrar coisas muito sérias, como, por exemplo, o excesso de sentimento de culpa em um personagem. Ou a crença ferrenha na possibilidade de roubar habilidades e características. Há uma dimensão romântica que é lentamente desenvolvida até uma cena-chave em que o diretor usa uma fotografia bem clichê, mas que combina muito com o romance clichê no qual o filme está envolvido. Há uma veia de suspense que se passa nos subsolos da instituição e até uma verve de ficção científica que é construída ao longo do filme até uma cena bem emblemática à la Frankenstein. O diretor brinca nesse filme, e é com muita competência que dessa brincadeira sai um filme muito sério, porém lúdico. Pela dimensão lúdica, é possível tratar de temas tão importantes e finalizar de uma maneira tão autoral.

Outro grande ponto para mim foram as cenas de Cyborg da Young-goon. Para além da matança explícita, creio que a forma como o diretor trabalha o “delírio” por meio da fantasia é extremamente importante se pensamos no cinema como um exercício de imaginação. Nessa cena, o diretor não poupa recursos para sublimar um desejo fundamental da personagem (e seu também). E esse exercício de imaginação é fundamental para nós que assistimos; é um convite e uma realização de uma dimensão muito basal do próprio ato de assistir a um filme. E acho que ele fez isso de uma maneira muito bonita. Essa cena é incrível. (Poderia falar da cena do voo também, mas escolhi essa por ser mais explícita).

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