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Sinopse
Conta a história de Amy que deixa o marido para se tornar professora em escola para crianças deficientes. Ela entra para um mundo sem som e se dedica a ensinar crianças surdas a falar. Elas por sua vez, a ensinam a amar.
Amy pertence àquele tipo de melodrama que transforma pequenas vitórias em eventos quase sagrados. Basta uma palavra pronunciada pelo menino surdo diante da sala rodeada de acionistas e todo mundo fica olhando em choque. Durante boa parte do filme eu me vi dividida entre o encanto genuíno que essas cenas produzem e o desconforto de perceber exatamente o que elas estavam tentando provar.
Existe uma ternura muito real naquele melodrama de professora traumatizada que abandona o marido depois da morte do filho e vai parar numa escola para crianças surdas e cegas nos Apalaches. Amy entende muito bem esse tipo de narrativa sobre pessoas emocionalmente quebradas tentando reorganizar a própria vida através dos outros; alguém que chega num lugar desconhecido, confronta figuras que desacreditam dela e lentamente reconstrói algum sentido para continuar vivendo. É um filme que claramente quer acolher seus personagens, embora frequentemente pareça acreditar que esse acolhimento só se completa quando eles aprendem a atravessar o mundo na língua dos ouvintes. E, ainda assim, funciona. Ou pelo menos funciona em mim, mesmo quando percebo os mecanismos emocionais sendo montados diante dos meus olhos.
Amy não tenta ser um retrato frio ou realista; ele quer emocionar e, à sua maneira, sensibilizar o tempo inteiro. Quer produzir aquele sentimento de “cala a boca” silencioso, aquele prazer de ver pessoas preconceituosas sendo desmentidas diante dos próprios olhos. O problema é que, muitas vezes, o filme parece imaginar que a maior vitória possível para aquelas crianças é justamente se aproximar do modelo ouvinte. Isso aparece o tempo inteiro, mas explode de vez na cena após a morte do garoto atropelado pelo trem. A tragédia em si já é construída dentro de uma lógica extremamente melodramática, mas o que realmente importa para o filme vem depois, quando Henry verbaliza “meu amigo” e os adultos ao redor ficam chocados. E é aí que Amy me perde um pouco.
Porque o choque daquelas pessoas não nasce da dor de Henry. Não nasce do fato de ele amar o amigo morto, sofrer pelo amigo morto ou já possuir humanidade antes daquela frase. O espanto vem porque ele consegue verbalizar esse sofrimento na língua deles. Como se a emoção só se tornasse plenamente reconhecível depois de atravessar a barreira da oralização. É difícil assistir a essa cena sem sentir que o filme transforma cada palavra pronunciada num pequeno espetáculo de legitimidade social. Como se aquelas crianças precisassem constantemente demonstrar capacidade dentro dos parâmetros ouvintes para finalmente merecer acolhimento. Amy quer incluir seus personagens, mas frequentemente parece imaginar inclusão como assimilação.
E o mais curioso é que o próprio filme me mostra um caminho muito mais bonito sem perceber.
A sequência do futebol americano é provavelmente a parte que mais me emocionou em toda a história justamente porque ela não depende desse mecanismo. Henry se encanta pelo esporte, os outros meninos entram junto, a escola inteira se mobiliza e o jogo contra os alunos ouvintes vira um raro momento em que pertencimento nasce da convivência coletiva, não da necessidade de provar humanidade através da fala. Ninguém precisa entrar numa sala e chocar adultos pronunciando palavras. Eles simplesmente existem juntos, jogam juntos, vencem juntos.
E talvez por isso essa sequência pareça emocionalmente mais honesta do que os grandes discursos do filme.
Porque Amy frequentemente organiza suas emoções ao redor da validação externa. Os investidores precisam acreditar. Os professores descrentes precisam ser calados. A sociedade precisa enxergar valor naquelas crianças. Existe quase um tribunal invisível acompanhando cada pequena vitória, como se o filme inteiro estivesse desesperadamente tentando convencer o espectador ouvinte de que aqueles alunos “conseguem”. E eu entendo historicamente de onde isso vem. Em 1981, um filme como esse provavelmente parecia profundamente progressista ao insistir que crianças surdas não deveriam ser abandonadas pela sociedade. Só que hoje é impossível não perceber o limite dessa lógica: o reconhecimento continua condicionado.
Talvez seja por isso que eu tenha sentido falta de algo que o filme praticamente deixa escapar pelas mãos. Aquela escola também abriga alunos cegos, e existe ali um universo inteiro de relações que o roteiro raramente explora de verdade. Há conflitos, bullying, isolamento, diferenças internas entre aquelas próprias crianças marginalizadas, mas Amy parece mais interessado em convencer o olhar externo da capacidade dos alunos surdos do que em investigar profundamente a convivência entre eles. Até o detalhe belíssimo do sinal de Henry ligado à mãe cega acaba sendo excessivamente explicado, como se o filme não confiasse plenamente na delicadeza da própria descoberta.
E ainda assim… ainda assim eu gosto dele.
Talvez porque exista algo genuinamente afetuoso na maneira como Amy olha para esses personagens. O filme pode reduzir inclusão à aproximação da fala em muitos momentos, mas ele nunca olha para aquelas crianças com crueldade. Existe cuidado ali. Existe ternura. Existe desejo sincero de integração, mesmo que essa integração seja imaginada de forma limitada pelos olhos da época. E talvez seja justamente isso que torna Amy tão interessante de revisitar hoje. Não como um filme cruel ou mal-intencionado, mas como um retrato de um humanismo incompleto — um humanismo que quer abrir portas, mas ainda acredita que essas crianças precisam atravessá-las do jeito “certo”. Eu consigo enxergar os problemas. Consigo perceber a armadilha emocional sendo construída cena após cena. Consigo notar o quanto o filme transforma oralização em triunfo dramático. E, ainda assim, continuo envolvida pela ternura daquela professora tentando ajudar outras pessoas enquanto tenta salvar a si mesma.
Talvez porque alguns filmes não envelheçam exatamente mal. Talvez eles apenas revelem, com o tempo, os limites da própria sensibilidade.
Filme diferente das comédias e aventuras da Disney. Interessante por se tratar o que hoje chamamos de Educação Especial. Claro, com nada aprofundado. Achei hiper carismático o ator que faz o Henry,
Drama bem interessante produzida pela Disney Buena Vista, pouco comum produzir dramas de cunho sociológico, se bem que o verniz dá um toque bem mais leve a narrativa com o todo produto Disney. Mulher cansada da vida que leva com o marido resolve sair de casa e dar aulas num colégio para deficientes; mudos-surdos e cegos. A lógica da narrativa é de que é possível uma pessoa surda falar sem necessitar se comunicar com a língua de sinais (visão errônea da protagonista vivida por Jenny Agutter), uma vez que, a pessoa com surdez hoje em dia, precisa aprender sua língua e desta forma se inserir na sociedade. Por outro lado, a visão preconceituosa e discriminatória, abre vasão com uma escola segregadora onde não acham possível integrá-los a sociedade. Mas, a inclusão de pessoas com deficiência era assim mesmo, viviam segregadas em espaços privados ou em casa. O drama ganha verniz mais leve e espaço para romance. Uma boa pedida saudosista para uma tarde de sábado.
Um bom drama com história bacana e com alguns momentos tristes. Jenny Agutter está muito linda, e o filme emociona em alguns momentos. Merecia ser mais conhecido!
Amy pertence àquele tipo de melodrama que transforma pequenas vitórias em eventos quase sagrados. Basta uma palavra pronunciada pelo menino surdo diante da sala rodeada de acionistas e todo mundo fica olhando em choque. Durante boa parte do filme eu me vi dividida entre o encanto genuíno que essas cenas produzem e o desconforto de perceber exatamente o que elas estavam tentando provar.
Existe uma ternura muito real naquele melodrama de professora traumatizada que abandona o marido depois da morte do filho e vai parar numa escola para crianças surdas e cegas nos Apalaches. Amy entende muito bem esse tipo de narrativa sobre pessoas emocionalmente quebradas tentando reorganizar a própria vida através dos outros; alguém que chega num lugar desconhecido, confronta figuras que desacreditam dela e lentamente reconstrói algum sentido para continuar vivendo. É um filme que claramente quer acolher seus personagens, embora frequentemente pareça acreditar que esse acolhimento só se completa quando eles aprendem a atravessar o mundo na língua dos ouvintes. E, ainda assim, funciona. Ou pelo menos funciona em mim, mesmo quando percebo os mecanismos emocionais sendo montados diante dos meus olhos.
Amy não tenta ser um retrato frio ou realista; ele quer emocionar e, à sua maneira, sensibilizar o tempo inteiro. Quer produzir aquele sentimento de “cala a boca” silencioso, aquele prazer de ver pessoas preconceituosas sendo desmentidas diante dos próprios olhos. O problema é que, muitas vezes, o filme parece imaginar que a maior vitória possível para aquelas crianças é justamente se aproximar do modelo ouvinte. Isso aparece o tempo inteiro, mas explode de vez na cena após a morte do garoto atropelado pelo trem. A tragédia em si já é construída dentro de uma lógica extremamente melodramática, mas o que realmente importa para o filme vem depois, quando Henry verbaliza “meu amigo” e os adultos ao redor ficam chocados. E é aí que Amy me perde um pouco.
Porque o choque daquelas pessoas não nasce da dor de Henry. Não nasce do fato de ele amar o amigo morto, sofrer pelo amigo morto ou já possuir humanidade antes daquela frase. O espanto vem porque ele consegue verbalizar esse sofrimento na língua deles. Como se a emoção só se tornasse plenamente reconhecível depois de atravessar a barreira da oralização. É difícil assistir a essa cena sem sentir que o filme transforma cada palavra pronunciada num pequeno espetáculo de legitimidade social. Como se aquelas crianças precisassem constantemente demonstrar capacidade dentro dos parâmetros ouvintes para finalmente merecer acolhimento. Amy quer incluir seus personagens, mas frequentemente parece imaginar inclusão como assimilação.
E o mais curioso é que o próprio filme me mostra um caminho muito mais bonito sem perceber.
A sequência do futebol americano é provavelmente a parte que mais me emocionou em toda a história justamente porque ela não depende desse mecanismo. Henry se encanta pelo esporte, os outros meninos entram junto, a escola inteira se mobiliza e o jogo contra os alunos ouvintes vira um raro momento em que pertencimento nasce da convivência coletiva, não da necessidade de provar humanidade através da fala. Ninguém precisa entrar numa sala e chocar adultos pronunciando palavras. Eles simplesmente existem juntos, jogam juntos, vencem juntos.
E talvez por isso essa sequência pareça emocionalmente mais honesta do que os grandes discursos do filme.
Porque Amy frequentemente organiza suas emoções ao redor da validação externa. Os investidores precisam acreditar. Os professores descrentes precisam ser calados. A sociedade precisa enxergar valor naquelas crianças. Existe quase um tribunal invisível acompanhando cada pequena vitória, como se o filme inteiro estivesse desesperadamente tentando convencer o espectador ouvinte de que aqueles alunos “conseguem”. E eu entendo historicamente de onde isso vem. Em 1981, um filme como esse provavelmente parecia profundamente progressista ao insistir que crianças surdas não deveriam ser abandonadas pela sociedade. Só que hoje é impossível não perceber o limite dessa lógica: o reconhecimento continua condicionado.
Talvez seja por isso que eu tenha sentido falta de algo que o filme praticamente deixa escapar pelas mãos. Aquela escola também abriga alunos cegos, e existe ali um universo inteiro de relações que o roteiro raramente explora de verdade. Há conflitos, bullying, isolamento, diferenças internas entre aquelas próprias crianças marginalizadas, mas Amy parece mais interessado em convencer o olhar externo da capacidade dos alunos surdos do que em investigar profundamente a convivência entre eles. Até o detalhe belíssimo do sinal de Henry ligado à mãe cega acaba sendo excessivamente explicado, como se o filme não confiasse plenamente na delicadeza da própria descoberta.
E ainda assim… ainda assim eu gosto dele.
Talvez porque exista algo genuinamente afetuoso na maneira como Amy olha para esses personagens. O filme pode reduzir inclusão à aproximação da fala em muitos momentos, mas ele nunca olha para aquelas crianças com crueldade. Existe cuidado ali. Existe ternura. Existe desejo sincero de integração, mesmo que essa integração seja imaginada de forma limitada pelos olhos da época. E talvez seja justamente isso que torna Amy tão interessante de revisitar hoje. Não como um filme cruel ou mal-intencionado, mas como um retrato de um humanismo incompleto — um humanismo que quer abrir portas, mas ainda acredita que essas crianças precisam atravessá-las do jeito “certo”. Eu consigo enxergar os problemas. Consigo perceber a armadilha emocional sendo construída cena após cena. Consigo notar o quanto o filme transforma oralização em triunfo dramático. E, ainda assim, continuo envolvida pela ternura daquela professora tentando ajudar outras pessoas enquanto tenta salvar a si mesma.
Talvez porque alguns filmes não envelheçam exatamente mal. Talvez eles apenas revelem, com o tempo, os limites da própria sensibilidade.
2175.
Filme diferente das comédias e aventuras da Disney. Interessante por se tratar o que hoje chamamos de Educação Especial. Claro, com nada aprofundado.
Achei hiper carismático o ator que faz o Henry,
Drama bem interessante produzida pela Disney Buena Vista, pouco comum produzir dramas de cunho sociológico, se bem que o verniz dá um toque bem mais leve a narrativa com o todo produto Disney. Mulher cansada da vida que leva com o marido resolve sair de casa e dar aulas num colégio para deficientes; mudos-surdos e cegos. A lógica da narrativa é de que é possível uma pessoa surda falar sem necessitar se comunicar com a língua de sinais (visão errônea da protagonista vivida por Jenny Agutter), uma vez que, a pessoa com surdez hoje em dia, precisa aprender sua língua e desta forma se inserir na sociedade. Por outro lado, a visão preconceituosa e discriminatória, abre vasão com uma escola segregadora onde não acham possível integrá-los a sociedade. Mas, a inclusão de pessoas com deficiência era assim mesmo, viviam segregadas em espaços privados ou em casa. O drama ganha verniz mais leve e espaço para romance. Uma boa pedida saudosista para uma tarde de sábado.
Um bom drama com história bacana e com alguns momentos tristes. Jenny Agutter está muito linda, e o filme emociona em alguns momentos. Merecia ser mais conhecido!
Sensível.
Jenny Aguter lindíssima.
Elenco do filme bem entrosado.