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A Rússia do século XV passa por um período turbulento, o povo sofre injustiças e está fragilizado pela fome. Nesse cenário, acompanhamos um pouco da vida do pintor Andrei Rublev, que mais tarde abandonaria seu ofício para dedicar-se a Deus.
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Revisto em 04/07/26. Obra prima
Venerado como santo na Igreja Católica Ortodoxa Oriental, Andrei Rublev, que vivera na transição do Século XIV para o XV, foi um dos maiores pintores russos medievais de signos e afrescos cristãos. Assim, baseado vagamente na vida desse artista, este épico e dramático filme funciona como uma identidade histórica de um período turbulento da Rússia, com conflitos incessantes entre príncipes rivais, invasões tártaras e a pesada mão do cristianismo, moldando o que viria a ser aquele grande país. Acima de tudo, busca detalhar a interseção entre fé e arte, sendo que, para o diretor soviético, essa é necessária para esta. Logo, em pleno ateísmo de Estado quando do lançamento, a obra sofreu diversas censuras e cortes, tendo várias versões espalhadas por aí. Porém, é um cinema altamente original, cerebral, poético e grandioso, rico em detalhes visuais iconográficos identitários.
Andrei Rublev é um primor cinematográfico! Um trabalho digno dos grandes! Um dos melhores que assisti até aqui, e, até o momento, o melhor de Andrei Tarkóvski pra mim.
Mais um filme irretocável de um gênio do cinema. As três horas podem ser uma duração desafiadora, mas nada no tempo de projeção é desperdiçado. Mesmo as cenas mais longas trazem um caráter contemplativo que poucos diretores conseguem realizar de forma tão sublime. Ao acompanhar a jornada de Andrei Rublev entre sua saída de Moscou e o fim de seu voto de silêncio, Tarkovski traz uma série de temáticas e diálogos, tratando da fé, do dogma, do caráter e da função da arte, de missão terrena e espiritual, da crueldade e da bondade humana, do perdão, da inveja, do orgulho, da ganância e da ambição humana, ou seja, um passeio por dúvidas e questionamentos que fazemos no decorrer de nossas vidas, e que determinam quem somos e o que deixaremos para a posteridade. É um grandioso filme sobre arte, alma e descoberta, que somente alguém como Tarkovski poderia realizar.
Da primeira vez, o vi em más condições; na segunda, numa tela de cinema, restaurado. Fiquei fascinado, tanto quanto os meus companheiros de sessão. Trata-se de uma obra-prima inequívoca, mui dificultosa em termos de realização e eventualmente complexa, no que tange ao entendimento, por conta do modo capitular (e elíptico) com que é narrado. Mas é sempre magistralmente interpretada, fotografada, musicada e conduzida directivamente, culminando num desfecho sumamente emocional, belíssimo. Sigo pensando nele, muitas horas após a sessão. Já quero e preciso revê-lo. Belíssimo, meu segundo favorito do diretor! (WPC>)