As Irmãs Makioka retrata a vida de uma abastada família da região de Kyoto e Osaka, no oeste do país. As quatro irmãs (Tsuruko, Sachiko, Yukiko e Taeko) tentam resolver juntas seus problemas familiares e arranjar um casamento para a terceira das irmãs, Yukiko, uma mulher de crenças tradicionais que aos trinta anos ainda não conseguiu se casar.
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Sublime! Nessa experiência fílmica sem igual, o diretor Kon Ichikawa triunfa em duas propostas: primeiramente, ele nos convida com extrema sutileza ao imaginário floral de uma das obras míticas da literatura japonesa. E, acima de tudo, ao seu olhar refinado numa adaptação para além da reprodução literária óbvia que muitos espectadores gostariam de ter visto, AS IRMÃS MAKIOKA é um tratado estético, crítico e social que não se contenta com a imitação, buscando ser uma companion piece à obra de Jun'ichirō Tanizaki.
É interessante mencionar que o diretor conhecia muito bem a região onde se passava a obra original e possuía até mesmo o sotaque particular de Osaka. Era o diretor ideal para o projeto, pois já havia feito também filmes com essa especifidade regional de Kansai e adaptado outras obras de Tanizaki para o cinema. Foi com muito êxito e atores emblemáticos do mundo nipônico que Ichikawa realizou esta verdadeira pintura social de uma classe média alta japonesa em decadência antes da segunda guerra mundial.
Os Makioka - uma familía predominantemente feminina com maridos de classe social inferior, "adotados" - desfilam na tela com kimonos de seda, bordados e ornamentos de um refinamento em extinção. No filme, o requinte visual dos figurinos e a arte téxtil tradicional japonesa evocam a nostalgia cultural tão importante no livro. São os diálogos marcados pelo sotaque do sudoeste do Japão, o deslumbramento pela natureza e a rotina pacata de suas personagens privilegiadas que dão ritmo ao filme, evocando sutilmente o declínio de seus valores familiares antes de culminar numa separação extrema e nas transformações socioeconômicas que formatariam o Japão do pós-guerra.
Achei o filme esteticamente impecável. A fotografia é deslumbrante, aqueles cenários e especialmente as cenas das cerejeiras são de tirar o fôlego. O figurino também é maravilhoso e nessa parte eu acho que dialogou bastante com o livro.
Mas esse roteiro e a construção dos personagens meio que prejudicou a minha experiência com o livro, que foi tão maravilhosa.
Como já foi dito abaixo, acho que foi muito desnecessário e até ofensivo eles terem criado essa paixão do Teinosuke pela Yukiko. Ele é um dos meus personagens favoritos do livro, e o filme cria uma construção totalmente diferente pra ele. Acho que seria muito mais bonito se eles colocassem a Sachiko e o Teinosuke como o casal maravilhoso que eles são no livro e o amor tão lindo que eles compartilham.
Não curti muito a escolha das atrizes também, as irmãs acabam parecendo mãe e filha aqui, com Tsuruko e Yukiko bem mais maduras enquanto Koisan e Yukiko parecem duas meninas, sendo que o livro sempre destaca a jovialidade delas.
Acho que vale muito a pena ver, e se eu não tivesse tido a experiência da leitura do livro, talvez esse filme tivesse feito mais sentido pra mim, mas é realmente difícil se apegar a uma releitura cinematográfica quando eles reconstroem de forma muito divergente personagens com os quais a gente se apega tanto.
Senti falta de Koisan também, acho que ela aparece muito pouco.
Enfim, espero que a impressão sobre o filme se vá logo e eu fique apegada apenas ao livro.
Um drama familiar aos moldes do cinema de Ozu, com uma cinematografia muito delicada todavia me causou um certo distanciamento. A sensação geral é que se trata de um filme excessivamente arrastado.
Achei bem diferente do livro, mas curti a releitura. Acontece tanta coisa na história original, que eu só consigo imaginar o quanto deve ter sido difícil fazer esta adaptação.
Na minha opinião, o filme só errou no aspecto das personagens mesmo, certas coisas sobre elas nem chegam a ser insinuadas no livro e aqui acho que forçaram a barra acrescentando essas coisas.
Essa possível paixão do marido da Sachiko pela Yukiko, por exemplo, me pareceu desnecessária. Eu adorava a devoção que ele demonstrava pela Sachiko no livro, e o filme acabou com isso.
As personagens são muito mais radiantes no livro, é claro que ele tem a vantagem de ficar muito mais tempo com o leitor do que um filme, e eu entendo isso, mas ainda assim, o filme não me pegou por conta desse erro mesmo.
Baseado em um dos maiores clássicos da literatura japonesa de Junichiro Tanizaki e adaptado às telonas pelo grande diretor Kon Ichikawa. Definitivamente, não tinha como As Irmãs Makioka dar errado!
O filme mostra de uma forma bem sutil o final dos anos 1930 e começo dos anos 1940, época de grande turbulência no Japão e de muitas mudanças. Os tempos estavam mudando, um país aberto ao ocidente mas que ainda resistia com sua cultura própria, gerando ali o embrião da "cultura híbrida" que viria a eclodir após a II Guerra.
Não li o livro, mas li sobre ele, e tem uma crítica política forte (chegou a ser censurado na época) que definitivamente não tem no filme. Talvez em uma inevitável comparação, perca em densidade para o livro, mas certamente, avaliando o filme pelo filme, com toda sua crítica à la Ozu / Naruse, é sim, um grande filme.
Destaco aqui também as atuações, é óbvio. Ninguém ali no elenco deixou a desejar, mas em especial Keiko Kishi e Kôji Ishizaka foram demais. Ótimo filme.