Ali (Abdelhak Zhayra), Kwita (Mounim Kbab), Omar (Mustapha Hansali) e Boubken (Hicham Moussoune), todos com 12 anos, são meninos de rua em Casablanca. As ruas são sua casa e as pessoas que nelas moram sua família. Sem ter para onde ir nem onde se esconder, a sobrevivência é um problema cotidiano e a amizade o elo insubstituível que os une. Até que um dia Ali é morto - teve sua vida abreviada por um ato de vingança de uma gangue rival. Seus amigos bem que poderiam abandoná-lo ali, morto, mas decidem dar-lhe o enterro que merecia - o de um rei.
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Marrocos venceu um dos jogos da Copa, e como combinado, peguei um filme do país pra ver; e que filme!!! Sobre quatro garotos entre 12 anos de idade que vivem na rua, envolvidos em furtos, drogas e abusos; todo tipo de miséria e sujeira. Após a morte de um deles, os garotos passam o filme todo buscando um meio de dar um enterro digno ao amigo. A frase "A vida é uma merda" é repetida diversas vezes pelos personagens, e nas palavras de um deles, pelo menos o enterro do amigo não precisa ser uma merda. Como deve ser difícil conduzir crianças em um filme, principalmente fazer com que elas atuem com maestria, e eu fiquei impressionado em saber que as 4 crianças do filme eram moradoras de rua de verdade e tiveram um treinamento básico de atuação antes das gravações. Baita filmaço, daqueles que chega certo momento que você nem lembra que está vendo um filme, de tão realista que é.
*Dica: Pixote, a Lei do Mais Fraco (1980)
Uma ótima versão marroquina do clássico brasileiro Pixote, inclusive um dos moleques achei bem parecido fisicamente e atua bem.
Pixote marroquino.
Melhor que enxergar pelos olhos do estrangeiro, é assistir aos problemas de um país pelas câmeras do seu próprio povo. Isto que o diretor franco-marroquino Nabil Ayouch fez nas ruas de Casablanca, ora de modo real e cru, ora abordando oniricamente o abandono e, consequentemente, a delinquência infantil de inúmeras crianças da maior cidade e, também, do maior porto do Marrocos. E esta questão portuária sobrevoa toda a obra, sendo, inclusive, personagem principal juntamente com os amigos de vida e morte que dão uma aula de cumplicidade, carinho, zelo e amor. Pode-se estranhar a dualidade contos de fada e pobreza extrema, assim como um tema nada original, mas o problema ocorre de fato e necessita ser reverberado. Sem contar que o filme envolve e pulsa mesmo em meio de tanta miséria e ladroagem. Em suma, seja no Canadá, Brasil, Europa, Ásia ou Austrália, os sonhos nunca se envelhecem. Sobretudo na África.
Ainda tenho esperanças de um dia ter um mundo melhor para todos, triste ver essas crianças sem perspectiva nenhuma.