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Data de lançamento
1 Junho 1960Duração
Conta a história do martírio de 16 monjas Carmelitas, vítimas da Revolução Francesa, no ano de 1794. Esta Revolução encontrava em sua bandeira os ideais de Liberdade, Fraternidade e Igualdade. Mas ninguém é tão fiel a seus ideais a ponto de suportar, democraticamente, o falseamento aparente, por terceiros, de suas intuições salvadoras.
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A ideia de que existe algo mais importante que a própria vida. Esta é a premissa de toda grande civilização e de todo grande ato de heroísmo. Uma verdade que nossa cultura hedonista e covarde, obcecada com a autopreservação a qualquer custo, não consegue mais compreender.
Uma das mais puras e trágicas representações da violência inerente ao Estado. As freiras carmelitas representam uma associação voluntária, uma comunidade pacífica existindo em seu espaço próprio. Elas não agridem ninguém, não violam a propriedade de ninguém; seu único desejo é serem deixadas em paz para exercerem sua Fé e viverem de acordo com seus próprios termos. O Estado revolucionário, por outro lado, é a personificação da violação... Ele age como um monopólio coercitivo da violência, expropriando a propriedade das freiras, ditando suas leis e, finalmente, exigindo suas vidas por não se submeterem ao seu édito. O martírio das freiras, portanto, não é apenas um ato de Fé religiosa, mais o ato final de desobediência civil e afirmação da soberania individual divina contra um leviatã estatal tirânico. Elas demonstram que o Estado pode tomar suas propriedades e seus corpos, mas não pode tomar suas almas ou sua livre escolha de morrer por aquilo em que acreditam.
Os revolucionários franceses foram a primeira 'cultura do cancelamento'. Cancelaram a monarquia, a religião e, no final, a cabeça de todo mundo.
"Um peixe não pode viver fora da água. Um cristão pode muito bem viver fora da lei."
"Os libertários são condenados à pena de morte..."
Mère Marie: "Nós não devemos apenas servir a Deus, mas também ser consumidas por Ele."
Nova Prioresa: "Não se decide ser um mártir. É Deus quem escolhe."
Soeur Constance: "Morreremos uma pela outra."
Blanche: "O medo em si não é um mal, mas a visão que se tem dele."
Nova Prioresa: "O que importa não é o que fazemos, mas o que Deus faz em nós."
Uma exegese sobre o medo, um ensaio sobre a anatomia da graça. Baseado na peça sublime de Georges Bernanos, o filme não busca entreter; ele busca confrontar, despojar o espectador de suas certezas e forçá-lo a encarar o abismo da mortalidade com nada além da Fé — ou da ausência dela (como guia)
A jornada de Blanche é uma das mais profundas e paradoxais do cinema. Ela teme a vida tanto quanto a morte. Sua luta não é contra os revolucionários (babacas), mas contra a paralisia de sua própria alma. A questão que a assombra é: Sua vocação é genuína ou é apenas a forma mais extrema de seu desejo de se esconder?
Os diálogos são uma profundidade filosófica e de beleza literária raramente vistas no cinema.
Um elenco feminino monumental, especialmente Jeanne Moreau e Madeleine Renaud
Uma das conclusões mais poderosas, devastadoras e inesquecíveis da história do cinema
A direção contida foca nos rostos e nas palavras, permitindo que o drama interno ressoe sem distrações
O filme herda a natureza estática e "falada" da peça, o que pode alienar espectadores que buscam uma narrativa mais cinematográfica
Fé e Dúvida
Medo e Coragem
Morte e Graça Divina
Martírio e Sacrifício
Orgulho Espiritual Vs. Humildade
A graça divina é um mistério que opera fora da lógica humana. A prioresa que viveu uma vida de fé morre em terror, enquanto a jovem que viveu em terror morre em serenidade. Mère Marie, que orquestra o martírio, é a única que sobrevive, negada a glória que ela tanto desejava. Bernanos, através dos diretores, postula que o medo não é o oposto da fé; é parte dela. A verdadeira coragem não é não ter medo, mas receber a força para agir apesar dele no momento exato em que ela é necessária.
O Canto do "Salve Regina": O ato final de desafio espiritual. Enquanto o Estado destrói seus corpos, suas vozes se unem em um hino que a máquina não pode silenciar
Um hino cantado à beira do abismo, provando que a tirania pode silenciar as vozes, mas nunca a canção.
Obra prima! Um dos meus favoritos.
Que final impactante, filme lindo e triste.
Filme maravilhoso e muito atual. Não devemos nos deixar corromper, a busca pela verdade é extremamente cara.
A tal enaltecida revolução francesa mostrando sua verdadeira face...lamentável que isso ocorra, ainda, hoje em dia.