Dirigido por
Duração
Olda Zdenek Lsiburek é um garoto submetido a espancamentos pelo pai cruel e às provocações de outras crianças por causa de sua baixa estatura. A mãe do menino é sua única protetora, enquanto seu pai está mais preocupado em ter seu cavalo confiscado pelo exército. Olda recebe uma ordem de seu pai para esconder o cavalo na floresta, mas os nazistas capturam o animal. Então o menino arrisca sua vida entrando furtivamente em um acampamento do exército russo para roubar um cavalo e não ter que enfrentar a ira de seu pai.
Um conto sobre um garoto vagando por uma paisagem dilacerada pela guerra, “At' zije Republika” é um filme comovente, destacado por sua fantástica edição: vemos a vida do menino como um amontoado de imagens do passado, do presente e fantasiadas.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Fotografia e montagem inacreditáveis. A atuação do pequeno Olda igualmente incrível. Esse filme é fantástico, e eu me recuso a acreditar que seja um filme tão pouco conhecido. Isso se deve, em parte, ao afastamento dos países do leste em relação à Europa Central, mas definitivamente esse não deve ser o único motivo.
Se por um lado é bastante frustrante saber que um filme desse dificilmente terá o alcance de um 400 Blows da vida, por outro, sinto-me extremamente motivado a continuar explorando a produção cinematográfica em busca de preciosidades como esta. Imensamente recompensador.
Seguindo um pouco o mesmo assunto de seu filme de 1960 (Garoto-Estilingue), Kachyňa nos brinda com outra filme de guerra um pouco mais denso e pesado, que lembra bastante A Infância de Ivan, mas que tem seus momentos de descontração. É interessante perceber que os diretores desta época foram crianças durante a Segunda Guerra Mundial, então acho natural que tenham mostrado inúmeras vezes a guerra através dos olhos de crianças. O filme só peca em demorar demais, acho que em determinado ponto ficou um pouco cansativo. As imagens são maravilhosas, a narrativa é extremamente entrecortada, nos brindando com cenas do presente, passado e da própria imaginação do personagem. A crueldade das outras crianças para com o protagonista é de cortar o coração. Um filme de guerra, que apesar de momentos divertidos, foi um dos mais sombrios que já assisti, porque atinge direto na alma, onde mais dói.
BLOG: ORÁCULO ALCOÓLICO
Sigam nossa página no Facebook
Poderia-se dizer que se trata de uma versão tcheca, separada apenas por três anos, d'A Infância de Ivan. Afinal, são muitos elementos em comum: o perspicaz garoto protagonista, a figura da mãe como principal laço afetivo (sempre presente nas memórias - aliás, este outro ponto em comum: o rememorar entre desejo, sonho e lembrança) e a guerra vista pelos olhos de uma criança. Temos também a diferença de tom que, ao marcar um contraste na oposição de atitudes, também aproxima as duas obras: Tarkovski opta por uma abordagem mais soturna, enquanto Kachyna permite alguma descontração; ambos, no entanto, convergem na questão de trauma. Mesmo a própria lógica das "brincadeiras" presentes em Republika segue um padrão de violência e embrutecimento, desde as atitudes infantis até o incidente do pastor alemão que puxa a saia, por exemplo. A guerra está presente nos pormenores.
Apesar da comparação, reduzir At' žije Republika à sua provável inspiração tarkovskiana seria tirar todo o mérito do filme. Kachyna cria o seu próprio "arquétipo" infantil, baseado em sua própria percepção, e nos traz o envolvente Olda. O trabalho de montagem não apenas fragmenta o tempo do filme numa lógica não-linear, mas também insere elementos que não estão situados em nenhuma cronologia, porém são retratos dos desejos/temores do protagonista na forma de sonho ou alegoria. A fronteira não é explícita, mas o rico mosaico que nos é apresentado cria uma coesão bastante agradável tanto aos olhos, quanto à narrativa.
Enfim, sem se alongar mais: bom trabalho de montagem e direção. Vale assistir.