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Uma mulher de 40 anos vive uma vida tranquila e desinteressante com o marido e o filho em idade escolar. Ela percebe que logo não será tão necessária em casa, o menino cresce e a relação com seu marido começa a se desintegrar. Ela percebe que a vida tem mais a oferecer quando conhece Jacek e passa a contemplar a possibilidade de um recomeço em busca da liberdade que nunca teve.
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A história é contada por Marta, uma mulher de trinta e poucos anos que leva uma vida harmoniosa que inclui seu marido, filho, um belo apartamento e seu trabalho. No momento em que a história começa, ela inicia um movimento de repensar se sua vida está boa do jeito que se apresenta. Por um lado, ela encontrou seu lugar na vida e criou uma existência segura para si mesma. Por outro lado, ela questiona se tudo o que ela tem é felicidade real. Ela percebe que há muita inércia e estagnação em sua vida cotidiana. Nesta situação, Marta encontra uma amiga de infância que montou sua vida de maneira bem diferente da dela, vivendo apenas para si e sem preocupações. Com o tempo, ela se permite ser apanhada no seu modo de vida. Marta segue a amiga, que passa alguns dias de férias à beira-mar e o tempo lá a faz pensar no seu passado, é, por certo, um tempo de reflexão e contemplação. Ela faz um balanço de sua vida e finalmente compreende o que tem o maior valor para ela. O filme tem uma temática meio batida, por agora, mas em 1975, na Polonia, toma outra dimensão!
Marta você estava ótima.. até no fim.. ploft...
Cada vez mais me surpreendo com o cinema de Zanussi. O ritmo que ele insere em seus filmes é sui generis: a maneira como entramos dentro da vida de Marta é digna das mais sofisticadas narrativas cinematográficas. No entanto, para além do tour de force técnico cujo trabalho já me era conhecido, a surpresa quanto à personagem de Marta foi avassaladora. É (ou deveria ser) uma das grandes personagens femininas do cinema. Não sei como era a relação feminina na Polônia comunista, mas a liberdade (ou a subversão total) de Marta é explosiva. Somos arremessados dentro de uma lógica completamente desconhecida até então: uma mulher colocando a própria vida em suas mãos. Talvez para mim, como um brasileiro, crescido num lar conservador, em que a mulher é enjaulada em uma situação de completa submissão, encontrar a figura de Marta foi como um choque elétrico. É perturbador! É inacreditável, também, que um filme como Balanço Trimestral tenha sido feito por um homem. Isso também choca. Marta ficará para mim com uma espécie de Madame Bovary do século XX, uma Madame Bovary que colocou a vida sob controle e tentou, mesmo que com tropeços, driblar o destino. (outro nome para destino seria: condicionamento cultural e histórico) O filme nos convida, ou nós mesmo nos convidamos o tempo todo, a julgar a conduta de Marta. Porém, o tempo de filme passa e o que resta de julgamento é conservadorismo e medo, pois somos tragados na voragem que a consome. Viva Zanussi! Mas mais que isso: Viva Marta! Que mulher! Depois deste filme, le déluge