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Léger e Murphy comparam os objetos da vida cotidiana aos gestos do homem e às engrenagens de uma máquina. Filme com importantes estratégias rítmicas e espaciais. O francês Léger e o americano Murphy eram pintores e apaixonados pelo cinema. Ambos realizaram alguns filmes em parceria ou com outros artistas, como Hans Richter. Curta metragem de vanguarda. Um filme experimental com influências surrealista, futurista, cubista e dadaísta.
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Maravilhoso!
murphy e leger conseguiram aglomerar tanta virtuosidade nesse compêndio de livres associações e experimentalismos que podemos chamar de dadaísmo no auge de seu amadurecimento artístico, aqui sim, "dadá é a alma-do-mundo", verdadeiramente alma-do-mundo, uma só coisa, sem distinção, tudo é potencialmente dança; há outras tantas subversividades vanguardistas — um futurismo resgatado através do frenesi da velocidade, da tão moderna modernidade da máquina e da existência urbana; o surrealismo manifestado pela espontaneidade do fluxo de imagens e delírios, e o cubismo enquanto dissolução da figura e distanciamento criativo da formalidade classicista do realismo; há também os objetos afastados de sua cotidianidade imediata que, sob um olhar mais forçoso, podem simbolizar um tipo de desprezo ao pragmatismo cego e às tendências tecnicistas, um padrão estilístico muito frequente nas obras de vanguarda da época, basta um olhar cuidadoso para os ready made do duchamp; tudo isso junto numa transa vertiginosa de 'não-narratividade' que compõe uma caprichada execução de um balé de geometrias, velocidade, movimento, sorrisos e máquinas
As vanguardas artísticas sempre me encantaram, e nunca deixarão de me impactar com suas propostas. E aqui, nesse filme cubista e dadaísta, encontramos também tons de surrealismo (como quando na escada se repetindo freneticamente como se nunca terminasse e a mulher tentasse mas não conseguisse sair dos mesmos degraus) e também do futurismo.
A montagem encaixando as máquinas com suas engrenagens rítmicas igual a uma encenação de balé, mas do futurismo, que propunha um mundo ordenado pelas máquinas, era apologético dos benefícios da industrialização e coadunou com o fascismo, pois pregava a guerra como uma benesse para um novo porvir de uma melhor sociedade, aqui há apenas insinuações de que tal como o homem as máquinas também realizam seu balé, que a cenografia é por nós imposta, mas por vezes, o homem é que foi imposto nesse novo ritmo que a industrialização causou.
Man Ray participa do curta, mas por desentendimentos entre seus realizadores quis que seu nome não fosse nele divulgado, deveria, pois, se vê nitidamente que ali tem o seu toque peculiar de olhar as coisas, como nas aparições dos olhos, quando estes mesmos viram de ponta cabeça, nas aparições dos sorrisos da mulher (Kiki de Montparnasse). Vi sem saber disso, mas mentalmente fiz essa ligação, depois soube que de fato era Man Ray que também estava ali realizando este filme.
Em 1924 o mundo estava movido a pleno vapor pela velocidade que revolução industrial vinha impondo na sociedade. A modernidade trazia à tona máquinas modernas que faziam praticamente o papel metafórico de um deus, desempenhando sinônimo de esperança através do progresso pelo viés de uma modernidade supostamente benéfica para o ser humano à época. Tamanha industrialização foi aos poucos tirando a individualidade do ser humano como pessoa e reduzindo-o aos poucos em apenas parte de um processo industrial, como se fosse apenas um braço mecânico de uma máquina que não podia parar de funcionar. Máquina esta que trabalhava de forma frenética, visando a velocidade de produção em série. Toda essa frenesi é vista na montagem do filme e nos cortes rápidos entre cada plano, o filme é como se fosse uma grande máquina operando em máxima potência para maximizar os lucros de uma fábrica. Obra prima de vanguarda do cinema surrealista francês !
A justaposicao das imagens não têm sentido. a gente nao consegue definir qual objeto é, cada objeto perde sua funcionalidade cotidiana e se torna um objeto estético, um outro tipo de percepçao, que se torna uma experiência válida, já que, faz parte do período dasvanguardas quando tentavam ser fiéis a sensação visual da luz, e fazer a exploração prática dos objetos.