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"Em Caicó, Rio Grande do Norte, Elói Dantas, o rico herdeiro de um fazendeiro, volta da Europa para ampliar os negócios do pai. Vem com a mulher Beatriz, sempre bêbada e louca para voltar para Londres. Associado a grupos estrangeiros, Elói quer explorar ouro e xelita (sic) e para isso tenta se apropriar do pequeno sítio de Antônio Vaqueiro, rico nos minerais. Antônio, que já não tem nada (até seu último boi morreu de fome), recorre a Maria dos Remédios, uma curandeira cigana, e a Tião Poeta, fazedor de versos e sonhador, para ajudarem-no a salvar o pedaço de terra que lhe resta. Ela transmite seus conhecimentos sagrados a Tião para que ele, armado com o sonho e a magia popular, enfrente a crueldade do fazendeiro. Em suas fantasias audiovisuais, o poeta sonha com o boi de prata, um boi brilhante e misterioso, símbolo da libertação do povo. Elói Dantas contrata um grupo de jagunços armados para invadir a terra de Antônio. Este, junto com Tião, construiu um muro de pedras, sua música arma de defesa contra os invasores, que logo o destroem com dinamite. Matam Antônio e torturam Tião. Mais tarde, num churrasco em uma fazenda vizinha. Elói Dantas, vitorioso, e Beatriz, já completamente bêbada, assistem a uma apresentação de bumba-meu-boi. Elói toureia o boi que o derruba. Dele sai, com uma faca, o poeta Tião, matando-o. Todos fogem, encontrando no caminho o boi de prata que passam a seguir." (Resumo da cópia)
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- sempre assim esses ricos burgueses safados só querem crescer em cima dos pobres e tomar o pouco que tem
- filme excepcional, uma grande surpresa do cinema nacional que infelizmente é pouco conhecida
- um realismo fantástico muito bem feito
- viva a nossa cultura! mostra a força que ela tem e como também pode ser usada para combater injustiças
vi num festival e me apaixonei. Tornou-se meu filme preferido. Pra mim, a maior representação do sertão no cinema. (PRECISO MUITO DE UMA CÓPIA)
Este filme é uma pérola raríssima, descendente do Cinema Novo e Marginal, assim como seu diretor, um caicoense oportunista e inteligente que foi assistente de Nelson Pereira do Santos mas que infelizmente teve carreira curta. O longa foi fruto da regionalização da produção cinematográfica no Brasil, que levou a execução de cinema a lugares inéditos no país, ainda em plena ditadura. A Embrafilme entrava com 2/3 do custo e o estado em questão completava. Existe uma cópia ridícula que gira pela cidade de Natal, mas que deu a oportunidade de várias pessoas tentarem experienciá-lo e, ano passado, graças a pesquisadora Flávia Assaf, que também escreveu um livro acerca do filme, foi lançada uma versão digitalizada, e só então me dignei a vê-lo. Na verdade essa história do lançamento da versão digitalizada era antiga e eu a ansiava há tempos. E a oportunidade me veio numa live de abertura do Curta Caicó, nada mais propício né?! Um festival de cinema que vem crescendo na terra do diretor do filme. Boi de Prata é uma miscelânea de culto a cultura seridoense, com uma abordagem acerca da fé, e um forte discurso de resistência do nosso povo aos desmandos dos gringos e coronéis. Além de uma rica narrativa, tem uma beleza estética admirável. O filme aborda exploração de riquezas minerais, esoterismo, cinganismo, e é muito poético. Existe uma história de que a polícia flagrou quase toda a equipe do filme fumando maconha no hotel que estavam hospedados em Caicó, denunciados por um funcionário, chegaram a ser detidos, mas depois o filme foi executado sem maiores problemas. É até surpreendente que tenha passado pela censura, apenas com classificação indicativa para maiores de 18. Na fotografia temos a estreia em longas metragens de ninguém menos que Walter Carvalho, a trilha sonora é de nosso querido Mirabô Dantas, a maquiagem é também do grande Amaro Batista, com quem já tive a honra de trabalhar proximamente, Jussara Queiroz foi assistente de montagem, o elenco conta com o grande Lenicio Queiroga, e a deusa do Cinema Novo, Luiza Maranhão, entre vários outros grandes profissionais, além de uma bela participação performática do Boi Calemba de São Gonçalo do Amarante. Ao fim da sessão rolou um bate-papo incrível entre Flávia e Walter, extremamente enriquecedor. Infelizmente o filme não recebeu distribuição nacional, que era responsabilidade da Embrafilme, o que explica seu sumiço e desconhecimento do público, uma grandessíssima pena.