Em 1928, nos vibrantes “anos loucos” de Paris, a dançarina Ida Rubinstein encomenda a Maurice Ravel a música para seu próximo balé. Enfrentando uma crise de inspiração, o compositor revisita os capítulos de sua vida – os desafios de seus primeiros anos, as marcas da Grande Guerra, o amor impossível por sua musa Misia Sert… e finalmente decide se dedicar à criação de uma obra-prima universal, o Bolero.
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Ex-atriz nos anos 70 e 80, Anne Fontaine se dedica à direção desde a década de 90, e já assinou filmes franceses admiráveis, como ‘Agnus dei’ (2016) e ‘Marvin’ (2017). No Brasil, acaba de ser lançado nos cinemas seu novo trabalho, inspirado em fatos verídicos, ‘Bolero – A melodia eterna’, exibido na última edição do Festival Varilux de Cinema, em novembro de 2024. Com roteiro dela, adaptado de um ensaio do musicólogo Marcel Marnat, o drama musical reúne trechos da vida do compositor e pianista francês Maurice Ravel (1875-1937), focando, como o próprio título induz, na criação de sua obra-prima, ‘Bolero’. O contexto é a Paris da década de 20, quando Ravel, apaixonado por música desde criança, agora aos 50 anos, recebe o convite da dançarina ucraniana Ida Rubinstein para escrever uma parte do balé em que ela estava envolvida. Sem inspiração, Ravel se agarra a fatos passados, revisita a infância e juventude, lembrando os traumas da Primeira Guerra e do amor não correspondido de sua musa, Misia Sert, que era patrona das artes, e assim começa a planejar ‘Bolero’, que demorou três meses para ser escrito. Concebido originalmente como uma peça de orquestra sem música, foi lançado em 1928 e se tornaria uma das músicas mais tocadas no mundo, que já foi tema de vários filmes – na abertura, temos a dimensão disso, com versões de ‘Bolero’ pelo mundo, instrumentais e cantadas por indianos, japoneses, espanhóis etc. O filme tem uma riqueza de figurinos e uma fotografia que realça o visual de Paris dos anos vibrantes da efervescência cultural. Exibido no Festival de Rotterdã, o drama, coprodução França/Bélgica, conta com um bom elenco, como Raphaël Personnaz, de ‘Anna Karenina’ (2012), como Ravel, Doria Tillier, de ‘Monsieur & Madame Adelman’ (2017), como Misia, Jeanne Balibar, de ‘Os miseráveis’ (2017), como Ida, e uma breve participação de Vincent Perez, de ‘A rainha Margot’ (1994). Em cartaz nos cinemas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Vitória, Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, Salvador e Recife, com distribuição da Mares Filmes.
POR FELIPE BRIDA - BLOG CINEMA-NAWEB
Tenta contar a biografia de Ravel. O filme é lindo e repleto de questões não esclarecidas. Mas o tema central: o Bolero, sua encomenda, seu desenvolvimento, personagens envolvidos. Tudo é lindo.