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Data de lançamento
18 Dez. 2020Duração
Chicago, 1927. A sessão de gravação de um álbum da lendária Ma Rainey é mergulhada em tensão entre seu ambicioso trompista Levee e a gerência branca que está determinada a controlar a incontrolável "Mãe do Blues". Porém, uma conversa no local revela verdades que irão abalar a vida de todos.
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Eu sei que muita gente torce o nariz para filmes que adaptam peças de teatro e não fogem muito do texto e da linguagem do teatro, mas eu não me incomodo com isso.
Pelo contrário... Neste caso, por exemplo, eu consigo imaginar claramente como a peça seria encenada no palco e pra mim isso é um mérito de uma adaptação do August Wilson. A princípio eu confesso que demorei entrar no clima — apesar de estar familiarizado com a existência do filme e que a Ma Rainey é inspirada numa pessoa real, eu não fazia a mínima ideia de qual era a trama —, mas uma vez que eu entendi o que estava vendo, eu passei a prestar atenção no que estava sendo discutido.
Enquanto muitos podem acabar achando um demérito que George C. Wolfe, Ruben Santiago-Hudson e Denzel Washington não fugiram muito da qualidade de teatro na história, eu fiquei grato por ter tido a oportunidade de entender todos os simbolismos e temas discutidos por August Wilson em sua obra.
Parte do que me fez querer ver esse filme agora foi ter assistido "Pecadores" e praticamente todos os temas centrais trabalhados no filme do Ryan Coogler em relação ao blues, à apropriação cultural, as estruturas sociais e a religiosidade e resistência estão tratados aqui através dos dramas, dos monólogos. Coogler certamente bebeu dessa fonte. O choque entre a beleza da liberdade na arte e a tragédia do racismo e da violência estão representados aqui. E a cinematografia faz um ótimo trabalho em dinamizar o ambiente e criar quadros belissimos.
Viola Davis dispensa comentários, assim como Colman Domingo... e, cara, que deleite ver o Chadwick aqui. Ele era um verdadeiro "buesman" na arte da atuação. Que homem!
Viola Davis!
E o monólogo do Levee sobre Deus fazem o filme valer a pena.
O drama é pesado e arrastado, chegando a ser entediante em alguns momentos. Valeu apenas pela direção de arte e performance do elenco.
Apesar do bom desempenho do Chadwick Boseman em seu último trabalho nas telas, falta algo no filme como um bom roteiro, mas isso é pedir muito vindo da Netflix com seus roteiros cada vez mais rasos. A história só se resume no ego inflado de uma cantora e na discussão sem sentido de integrantes da banda, o que faz seu estilo teatral com muito diálogo acabar cansando.
Eu gostei, a treta na gravação é um bom retrato de como a Ma se colocava frente a indústria musical, mas falta dinâmica, é lento demais, boas atuações, bons diálogos, mas tudo em um lugar só praticamente, dava a sensação de chatice e demorava a sair disso pra outra coisa. Não necessariamente precisa ter vários cenários, discordo disso, mas deve sim trazer elementos pra esse cenário mudar.