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Data de lançamento
4 Set. 1999Duração
Em um campo de treinamento da Legião Francesa, no nordeste da costa africana, vemos a história de devoção do sargento Galoup ao enigmático comandante Bruno. Enquanto tentar entender seus conflituosos sentimentos, Galoup tem sua vida virada de cabeça para baixo com a chegada do novo recruta Guilles Sentain.
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O filme nao é ruim, eu quem fui com outras expectativas. O que achei mais interessante foi
terem mostrado essa relação entre os povos africanos com os invasores
Realmente corpos nunca foram filmados dessa maneira; A beleza no inospito, nessa dureza humana e da natureza; Tudo é tão palpavel, tão vistoso, engraçado o contraste com a clareza de tudo e a escuridão que os personagens escondem e suprimem
Eu pensei que este filme tinha um romance entre dois homens, não sei por quê. Então fiquei esperando que ele acontecesse.
Cheguei quase ao final desgostando do filme, até que chegou um momento em que tudo se encaixou. É curioso tirar conclusões desta maneira em uma história que não tem uma conclusão reveladora (como essa). Pelo contrário, a trama apenas flui para chegar onde chegou, ela não caminha a passos largos, não possui reviravoltas, é apenas linear, de certo modo. Porém só ao fim eu entendi a razão das imagens estarem ali. Talvez "entender" nem seja o termo correto, porque as tais imagens não querem dizer nada específico, mas a elas é dado um sentido, talvez? Difícil explicar.
Quando ouvi falar de Bom Trabalho, anteriormente, a maneira como os corpos são mostrados era o principal atributo destacado. E realmente, as pessoas ali presentes são o ponto alto do filme, mas a beleza não está apenas nelas e em como elas se movem, o belo está também no modo em que os tais corpos são colocados no mundo e como interagem com ele, seja vagando, rolando ou quebrando pedras naquela paisagem vulcânica. Existe uma vontade de fazer algo meio Lawrence da Arábia de filmar um mundo que parece irreal, coisa que o Herzog já fez em seus documentários, que o Glauber também fazia muito bem, porém acho que aqui existe um êxito maior em encaixar as pessoas nessa suposta surrealidade mundana, contrastando com outros momentos em que a vida cotidiana é mostrada principalmente em meio à cidade. Até dentro das festas e nas ruas estes corpos não deixam de deslizar pelos cenários, dando a entender que esse mundo não parece muito real, apesar de racionalmente ser extremamente terreno.
E é interessante ver como o protagonista traz basicamente a visão dele próprio sobre tudo o que acontece, porém não como pensamentos muito conclusivos, mas sim como frases um pouco soltas, fluidas tal qual as imagens que nos são apresentadas. Ou seja, a gente sabe o que se passa pela mente dele, porém não exatamente como aquelas ideias o levam a seus atos, até porque estes pensamentos são de certo fascínio por dois homens, que é expresso por meio de ciúme. Curiosamente estes dois homens praticamente não são mostrados juntos, então a relação entre eles é quase que unicamente nos passada por meio dos relatos e paranoias do protagonista. Então o que está sendo transmitido em tela, sobre os corpos, também é a obsessão que o protagonista possui sobre estes corpos.
Para usar o termo "corpo" pela penúltima vez: A última cena, em que o corpo de Galoup quase se desmonta enquanto dança é um dos melhores usos de músicas que já vi.
Para usar o termo pela última vez: A forma como os corpos são mostrados me lembrou muito Barravento, do Glauber.
Senti tanta coisa que nem sei expressar.
Cinema na sua forma mais pura, no sentido que quase não tem "história", a maior parte do texto vem da narração, mas consegue construir muita coisa apenas nas imagens e em como a diretora compõe as cenas. E são nessas composições que a diretora consegue desenvolver muita coisa sobre não só masculinidade, como também sobre a perda da individualidade e a supressão de sentimentos em meio ao grupo. Sério, tem umas sequências que são simplesmente geniais, onde ações de personagens aparentemente normais dentro de um treinamento militar carregam um subtexto extremamente profundo. Não é o filme que mais entretém, mas com certeza é um dos que melhor conseguem mostrar o poder da imagem no cinema.