"Brava Gente Brasileira" é um dos versos que o jornalista Evaristo da Veiga escreveu para o refrão do Hino da Independência, que ganhou música do imperador Dom Pedro I e que foi, até 1890, o hino nacional brasileiro.
O filme retrata a relação conflituosa entre portugueses e índios no século XVIII.
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IMPRIMATUR - visto no cinema no ano 2000:
A ausência de uma polarização narrativa é notável, só achei muito lento.
Avaliação em nota: 6.4
Achei razoável. É eficaz em trazer a memória como os indígenas formam massacrados no processo de colonização.
- a única brava gente são os povos originários, o resto não passa de colonizador fdp
- e o filme mostra bem porque temos que ter ódio desses seres que só vieram pra roubar e destruir
- e o pior, tudo em nome da religião
Lúcia Murat, no filme ‘Brava Gente Brasileira’, desmitifica os guaicurus, embora os homenageie e refaça a história da conquista do seu território
O romantismo foi pródigo em invenções — e urna das que mais perduraram foi a do indianismo. “O primeiro habitante” passou a encarnar urna espécie de cavaleiro medieval — como em “O Guarani” — ou mãe geradora dos brasileiros, depois de ceder gentilmente seus encantos ao português — como é o caso de “Iracema” —, para citar apenas o mais expressivo escritor do romantismo brasileiro, José de Alencar. Mas esse não era o único índio a ocupar o imaginário brasileiro: havia também espaço para o seu antípoda, que é o do ignorante, irracional, violento, animal em todos os sentidos. As diferentes nações indígenas foram entendidas das duas formas, num movimento pendular que pode ser percebido até antes dos românticos: nos Séculos XVI e XVII, os canibais tupis eram encarados pelos colonizadores como civilizáveis, ao contrário dos tamoios, apesar de os últimos não utilizarem em seus ritos carne humana.
Os dois modelos, embora pareçam distantes, tocam-se em um ponto: como acreditava o filósofo Hegel, não havia história para os índios. Esses formavam sociedades paradas no tempo, como se o fato de não possuírem escrita os tornassem incapazes de aprender e transmitir suas experiências.
O índio era tão imaginário que sua presença, seu apresamento e mesmo o caráter mestiço da população brasileira foi capaz de conviver com a ideia de que a porção portuguesa do continente formava um grande vazio territorial a ser ocupado pelo colonizador. Em “As Guerras dos Índios Kaingang — 1769-1924” [Editora da Universidade de Maringá,1994], Lúcio Tadeu Mota mostra como a elite paranaense construiu uma narrativa que ignora a presença dos também chamados coroados, embora a palavra conquista expressasse o processo muito melhor do que a palavra ocupação, que domina as narrativas da história paranaense.
Os índios lutaram constantemente contra a presença branca por mais de 150 anos, utilizando as mais sagazes armadilhas para dificultar a vida dos agressores. Guias traidores, cercos inesperados, massacres de colonos invasores: nada disso aparece na historiografia tradicional do Estado, que louva a “ocupação” de um planalto vazio.
Tal corno esse estudo faz com os caingangues, Lúcia Murat, em “Brava Gente Brasileira”, desmitifica os guaicurus, embora os homenageie e refaça a história da conquista do seu território. Nessa perspectiva histórica, os índios estão longe dos ingênuos [ou trouxas, dependendo da perspectiva] bons selvagens e dos selvagens cruéis. Aprendem com a chegada dos brancos, não porque os portugueses e espanhóis são mais avançados, mas porque o contato é um fato de que extraem conhecimento. Mudam suas atitudes, domam os cavalos, planejam armadilhas; cortam as mãos dos inimigos corno vingança. São tão capazes de surpreender quanto os portugueses, às vezes até mais. Se perderão a guerra, essa é uma consequência de terem decidido fazê-la, de não terem aceitado a dominação. A opção, no entanto, não elimina a violência que significou a chegada dos europeus. Tudo, como diria a velha coleção, é história.
Brava gente invasora...