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Data de lançamento
29 Ago. 2003Duração
Numa noite chuvosa em Taiwan, um cinema está abrindo suas portas pela última vez. Poucas pessoas aparecem, a maioria para fugir da forte chuva, poucos de fato interessados. Num cinema com centenas de lugares, os poucos espectadores se sentam juntos para assistirem pela última vez o clássico do wushia-pian de King Hu, Dragon Inn.
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A Morte do Cinema.
Tsai Ming-liang não é um diretor "fácil", digo porque, após anos nos acostumando com um cinema de frenesi, é estranho quando nos deparamos com obras contemplativas de planos longos e pouquíssimos diálogos.
Em Goodbye, Dragon Inn, o diretor projeta um sentimento de luto.
Por todo o filme presenciamos a vida que existe dentro daquele cinema: seus funcionários, a sala de projeção e seus banheiros. Tudo girando em torno da presença "física" e espiritual do cinema.
Sua sessão final é transmitida enquanto recebe suas almas perdidas que tem ali como ponto de encontro.
Essa história que reverte a narrativa convencional faz o cinema como protagonista. Nele é onde diferentes gerações ( ênfase para cena do senhor de idade junto a criança) se reúnem por meio da arte.
Nele não há julgamentos. Não sabemos nomes, nem as histórias de cada um ali. Só estamos lado a lado. Somo apenas a companhia do estranho da cadeira seguinte.
O triste e mágico é: o último filme acabou, e o cinema será fechado. Não veremos mais aquelas pessoas, não possuímos seus contatos. Ali era o nosso único lugar em comum. Engraçado que, provavelmente, não seríamos grandes amigos fora dali. Mas isso pouco importa. Naquele breve recorte de tempo, não estávamos sozinhos, por mais diferentes que fossemos.
No meu antigo colégio do fundamental tive a mesma sensação, tentava apenas gravar aquele momento na memória pois não conseguia gravá-lo no tempo. Tudo que senti, presenciei e vivi. Aquela velha epifania de quando você percebe seu recorte no tempo, e tenta aproveitar aquele momento pela última vez.
É poético, a morte do cinema ser televisionada, em um poema de adeus.
O cinema morreu e renasceu em Taiwan.
esse aqui é, no mínimo, filme para 4,5 estrelas.
que celebração saborosa... CINEMA É IMAGEM!!
- só naquele diálogo final que fui entender porque o cara estava chorando num filme de kung-fu
- e quando cai a ficha então sobre o que é o filme.. que porrada!
- conversa demais com retratos fantasmas que vi esse ano
- salvem os cinemas de rua!
Eu vi esse filme 10 anos atrás e... nunca esqueci. Ele me desarmou totalmente como ver o outro lado de uma peça; não os bastidores o espelho.