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Odiado em sua época, Lynch permaneceu fiel até o fim no acreditava. Nunca fez questão de satisfazer o público, muito ao menos se render a ele.
Apesar deu ter gostado o filme perde um bom tempo de tela em uma narrativa vil. Parece um grande prólogo, para começar só depois de 30 minutos.
Nesse longa, Lynch está - bem - mais Lynch. Das diversas formas de se interpretar sobre o que é o trauma da Laura Palmer, eu não sou tão adepto do mal visto apenas como entidade literal. O que me faz "desgostar" dessa abordagem é que dilui as diversas formas de interpretar o BOB e o trauma da Laura Palmer.
Para mim, toda ficção serve para fazer alusões do nosso mundo real, em paralelo como ele é. O Bob como uma resposta ao trauma da Laura faz mais sentido para mim, quando isso surge como uma resposta aos seus abusos sofridos pelo próprio pai. Ela "desvincula" sua figura paterna como uma resposta a esse trauma. Tanto é que por mais que os atos sejam praticados pelo Leland, é o Bob que sempre leva a culpa. Ao seguirmos a narrativa pela Laura, o seu pai nunca é "vilão" ele também é uma vítima da entidade. Tudo para fugir da destino fatídico de ser abusada pelo próprio pai, ao criar seu próprio monstro externo.
E evidente que depois de todo esse processo de autodestruição da Laura que hipersexualiza seu estilo de vida e abuso de drogas, gera um terreno fértil para Bob "entrar" e a possuí-la (aqui já encarado como a própria depressão)
O mais genial e lindo desse final é que apesar da Laura morrer, ela vence, e vence nas diferentes versões. Seja o Bob um demônio, trauma ou depressão, Laura não cede a possessão, e não se torna o monstro que tanto a atormentou.
Para começar: sim, eu li o livro. A diferença primordial é que eu entendo que existem diversas formas de adaptar uma obra além da "literal" transposição para tela, como muito têm se cobrado aqui por parte do público. Essa requisição de fidelidade, pra mim é apenas birra de fã chato, afinal temos diversas e inúmeras versões do Morro dos Ventos Uivantes, de diferentes propostas, que vão de séries de televisão até adaptações de cinema japonesas. Além disso, o marketing forçado dos atores principais serviu como um publicidade "negativa" gerando o Hate-watching por parte do público.
Não estou nem aí para o marketing, ele não faz parte do filme. Malmente vejo trailers. E segundo: absolutamente nenhum filme tem o dever de me satisfazer, ser o que eu espero, ou principalmente: me fazer avaliá-lo pelo que ele poderia ser.
Se removermos esses principais fatores de hate ao marketing, adaptação fiel, e baboseiras e falatórios sobre a obra principal, removeremos a esmagadora maioria das críticas. E pasme: dos principais críticos com visibilidade e alcance no Brasil.
Após esse disclaimer com a incompetência dos profissionais, confesso que esperava bem mais inventividade do que realmente teve.
Isso porque o filme adota a postura de adaptação de releitura da obra, ou seja, manteremos a essência da obra original. E essa essência foi respeitada aqui? Ao meu ver? Sim. A história de amor de duas pessoas que nunca conseguiram ficar juntas.
E quanto as modificações da obra original? Fiquem à vontade de revisitar o livro, ele estará sempre lá inalterado. Gosto bastante, mas ele pouco interessa nesse momento.
O amor dos dois que no livro fica apenas em elipse, devido talvez limitações de censura ao seu tempo, aqui é explicitado em tela para todos sentirem visualmente essa transposição. E para mim, parece real.
Por outro lado, a dissonância musical criada pela diretora combina perfeitamente com a plasticidade dos figurinos e fotografia após o casamento da Cathy. E isso conversa perfeitamente com nossa geração ao mostrar essa felicidade artificial provocada pelo bens de consumo. Tudo ali parece extravagante, mas irremediavelmente falso. Falso como a vida da Cathy foi após sua escolha fatídica em deixar Heathcliff.
Em paralelo vemos como a escuridão toma conta do Morro dos Ventos Uivantes e como isso é contado pela imagem que contrasta os dois mundos de apenas 8 quilômetros de distância.
E após a irremediável perda do Heathcliff- essa distância parece ser infindável.
Últimos recados
Amizade mais que aceita Matheus! Bora nos filmes!! 👊🏼
Oi, Matheus, obrigado pela minha curtida da lista de Artes Plásticas e espero que tenha gostado dela. Abraços.
Oxe, fui seguir você, mas já somos amigos aqui :)
Dexter nunca foi uma série hiper realista, mas nessas últimas temporadas ela demonstrou muito mais desleixo. Parte dessa sensação me evoca o pensamento que após tantos anos os roteiristas ficaram sem saber para onde ir e principalmente: sem saber aonde levar os personagens. Retcons desnecessários, suspensão de crença enorme e conveniências beirando o absurdo, mas tirando isso vamos ao que importa;
Deb: teve altos e baixos na série, teve sua escalada, queda e agora finalmente estava desenvolvida, quando do nada é descartada numa cena ridícula de tiro (parece muito baixo orçamento), sem aparentemente alguma grande razão. No mais, mataram ela apenas para sustentar a brilhante ideia do Dexter lenhador isolado nas montanhas. O que por si só, é uma ideia extremamente covarde.
O roteiristas não conseguiram matar o personagem, muito menos ter a coragem de deixar em aberto. Então nessa cena "pós crédito" eles deram a resposta insossa para o público que Dexter está vivo. Logo, a morte da Deb foi em vão. Porque Dexter estar vivo, por mais isolado que estivesse, sua ameaça ainda continua viva. Não é atoa que novas temporadas vieram, e decisão de matar Deb vira nula, porque ele vai continuar ferindo todo mundo que se aproximar dele. Então, não faz sentido ele continuar vivo, por mais isolado que estivesse.
Dá pra entender o que eles tentaram fazer, mas é impossível dizer que foi uma boa escolha. Tentar equilibrar entre não matar o personagem que todo mundo ama, sem passar a ideia de "o crime compensa". Já que se Dexter escapasse com Hannah ele escaparia de todos os crimes que cometeu sem nenhum tipo de punição.
Faltou coragem de matar o personagem ou de mostrar que o mundo muita vezes deixa muita coisa impune.