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Data de lançamento
18 Dez. 2020Duração
Uma família vive em uma região selvagem remota e ganha a vida como caçadores de peles. Joseph Mersault, a esposa Anne e a filha Renée lutam para sobreviver e pensam que as suas armadilhas estão sendo destruídas por um lobo. Determinado a pegar o predador, Joseph deixa a família para trás para rastrear o lobo.
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Todo caçador sabe que rastros podem enganar. Pegadas desaparecem, cheiros se confundem e, às vezes, aquilo que parecia um lobo era outra coisa completamente diferente. Hunter Hunter entende bem essa ideia. Só não demonstra a mesma habilidade quando chega a hora de seguir os próprios rastros.
Isso não significa que o filme fracasse em criar tensão. Mesmo adotando um ritmo mais lento, consegue extrair suspense da própria floresta. A constante sensação de que existe algo observando aquela família à distância transforma cada caminhada mata adentro em um potencial perigo. O problema surge quando o filme finalmente decide mostrar as cartas. A revelação de que o verdadeiro predador não era exatamente aquele que imaginávamos é interessante e até ressignifica alguns momentos anteriores. Ainda assim, a sensação é de que o longa encontra uma boa ideia, mas não sabe desenvolvê-la.
Para um filme chamado Hunter Hunter, existe pouca caça de fato. Falta um verdadeiro jogo entre predador e presa. Não há uma dinâmica particularmente envolvente entre a mãe da família e o assassino. Tudo acontece de maneira rápida e, por vezes, conveniente demais, especialmente quando personagens gravemente feridos parecem recuperar as forças na velocidade exigida pelo roteiro.
Apesar dessas limitações, Hunter Hunter guarda uma última cartada. Tenho a impressão de que o idealizador imaginou a cena final primeiro e só depois escreveu o resto do filme. E quer saber? Talvez tenha sido a decisão correta. Porque, embora a caçada prometida pelo título nunca aconteça de verdade, o longa guarda para seus minutos finais uma ironia tão cruel quanto memorável.
Ao esfolar o assassino utilizando as mesmas técnicas empregadas nos animais que caça, Anne oferece ao filme sua imagem mais poderosa: a do predador reduzido à condição de presa. É grotesco, chocante e difícil de esquecer.
Eu simplesmente amei esse filme, dei play completamente alheia do que se tratava a história e me surpreendeu muito, o homem sempre será o predador mais perigoso.