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Um jovem, de vinte e poucos anos, sai da prisão depois de ter cumprido pena por três anos. Ele quer começar uma nova vida em um lugar onde não é conhecido e sonha apenas em ter um emprego, uma esposa e uma família. Ele consegue realizar parcialmente os seus sonhos, mas, em seguida, mete-se em um conflito no trabalho entre o chefe corrupto e os colegas que secretamente planejam uma greve. O conflito entre a não destruição de seus sonhos e a fidelidade aos seus ideais o conduz à sua inevitável destruição.
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"Não diga nada. Não há nada para ser dito aqui."
Calma (Spokój. Polônia, 1976)
Direção: Krzysztof Kieslowski.
Com: Jerzy Stuhr, Izabella Olszewska, Jerzy Trela.
O Belas Artes está com uma mostra maravilhosa chamada " Festival Filmes Incríveis", e a cereja do bolo desse festival é um filme inédito de Krzysztof Kieslowski.
"Calma" é de 1976 e nunca passou por aqui. A cópia tá restaurada e o filme é belíssimo.
Um jovem sai da prisão depois de ter cumprido pena por três anos. Ele quer começar uma nova vida em um lugar onde não é conhecido e sonha apenas em ter um emprego, uma esposa e uma família.
Ele consegue realizar parcialmente os seus sonhos, mas, em seguida, mete-se em um conflito no trabalho entre o chefe corrupto e os colegas que planejam uma greve.
As belíssimas imagens de Kieslowski vão tomar conta da tela nesse filme imperdível!!!
#KrzysztofKieslowski
#cinemapolones
Kieslowski dirigiu muitos filmes antes da famosa “Trilogia das Cores”, e os temas foram dos mais variados, sempre recheados com teor político e social. Esse drama é sobre um rapaz que sai da prisão e quer mudar de vida, ter um bom emprego, constituir uma família. Porém, em seu novo trabalho, ele se envolve numa situação dúbia entre seu patrão e seus amigos de trabalho. É um filme de curta duração, mas a narrativa é arrastada demais, precisa ter paciência e nada é muito claro. Esse é o estilo do diretor polonês, tem muitos admiradores, mas eu prefiro filmes que sejam mais envolventes, com histórias mais simples e diretas.
Produção polonesa que foi filmada, depois arquivada logo após as filmagens, em 1976. Então, foi finalmente lançado em meados de outubro de 1980, depois dos Festivais de Cinema de Polonês de Gdansk, em setembro de 1980, e seguido pelo Fórum de Cinema de Berlim em fevereiro de 1981, em uma versão truncada, mal mutilada, com conexões, conversações e links narrativos ausentes. O original provavelmente está perdido para sempre. O filme foi filmado em Cracóvia mas foi banido pelo estado por causa de seu assunto - greves eram ilegais na Polônia durante esse período.
Uma visão corajosa e pouco lisonjeira da corrupção na sociedade e na indústria polonesa em meados da década de 70. Não foi uma surpresa ler que isso ficou inédito na Polônia por cinco anos depois de concluído. Um drama tenso, seco e tocante, que chega a ser revoltante algumas situações por que passa o esforçado operário Antek Gralak.
Bom drama do mestre polonês Krzysztof Kieslowski. A história, aparentemente simples, fala de recomeço, realizações, corrupção, exploração, verdade, e seria apenas um filme comum nas mãos de algum outro diretor. Mas Kieslowski deixa sua marca de gênio registrada, através das imagens, dos diálogos, das atuações, nos momentos de alegria, descontração, anseios e perturbações vividas pelos personagens.
A aparente simplicidade do roteiro de "Spokój" não anula aquilo que Kieslowski pretendia filmar: uma experiência de liberdade. Pretensão realizada. Não é difícil assimilar o conceito de liberdade presente no filme dado que ele é mostrado a partir de um protagonista para o qual ela fora negada por três anos. Ser liberto da prisão representava a oportunidade por excelência que lhe trazia a perspectiva de mudanças bem como o sentimento de estar vivo. Todo este contexto inicial fora apropriado para que o diretor filmasse tanto uma realidade objetiva, as relações de trabalho, quanto uma condição interna, o sofrimento humano.
O roteiro se sustenta em um humor excelente conforme apresenta as investidas do protagonista na busca por um recomeço. Há situações em que ele até mesmo parece ingênuo, o que desconstrói o esteriótipo de um criminoso - ótima "jogada" de Kieslowski que revela sua abordagem não-moralista sobre o sujeito. Em momento algum se tem a impressão de que seus personagens são julgados ou mesmo rotulados, pelo contrário, a ênfase é dada naquilo que é realmente pertinente à reflexão: as relações trabalhistas bem como a demarcada cisão entre o trabalho prescrito e o executado. É uma obra ímpar acerca das identidades que se constroem a partir das vivências profissionais bem como das dificuldades de comunicação entre camadas hierárquicas opostas. Ademais, muito pode ser dito sobre a sensibilidade do diretor, mas há uma cena que, se interpretada, muito bem a retrata:
Quando Gralak, eufórico ante o casamento com data marcada, anuncia a notícia aos companheiros de trabalho, a câmera acompanha sua subida e declínio em uma plataforma. Para o protagonista, até então, os dois grupos de trabalho eram uma unidade. É uma imagem que revela a cisão do ambiente corporativo, bem como a diferença de posições. O protagonista, que transita entre elas, toma consciência desta realidade com o conflito relativo ao desaparecimento de materiais. Logo, este fator demarcaria um fim à sua ilusão de um meio trabalhista pautado na justiça e valorização do empregado. Só então pode-se considerar se a perspectiva inicial de mudança fora-lhe ou não totalmente desconstruída.