Dirigido por
Data de lançamento
27 Junho 2003Duração
Primavera no deserto de Gobi, Sul da Mongólia. Uma família de pastores nômades assiste ao nascimento de filhotes de camelo. Um das camelas tem grande dificuldade no parto, mas com a ajuda da família, dá a luz a um raro filhote albino. Apesar dos esforços dos pastores, a mãe rejeita o filhote recém-nascido, recusando-se a amamentá-lo e a lhe dar o amor materno. Quando todas as esperanças para o pequeno filhote parecem ter desaparecido, os nômades enviam dois jovens em uma jornada através do deserto em busca de um músico...
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
20.06.2007
Um filme etnográfico belíssimo.
Sua montagem sem um rítmo singular, a passagem de tempo da a impressão de sermos transportados para um outro espaço, na tentativa de nos fazer sentir como é a vida cotidiana dessas personagens.
Em uma divisão etnográfica, o filme apresenta a organização social das pessoas que aparecem como personagens. A divisão de tarefas, as categorias utilizadas, hierarquia de objetos, valores, a relação familiar, a centralidade ritual do camelo e da troca. Apenas após a introdução da cultura e sua estrutura que a narrativa avança em seu drama. Vemos o nascimento de um camelo como é cotidiano para entendermos depois o que é fora do comum.
A relação entre humanos e não-humanos é expressa nas relações com a centralidade dos animais para a vida social. Os seus rituais, alimentação e tradições passam por um respeito a natureza e as gerações passadas e futuras.
Um ótimo filme para pensarmos na posição de nossas compreensões sobre o que é natural e o que é cultural. Enquanto dividimos tão fortemente com uma racionalização da natureza nos afastando da mesma, ao refletirmos mais profundamente, percebemos que a todo momento estamos mais próximos dela do que imaginamos. Ao darmos sentido à nós enquanto fora da natureza a transformamos em cultura, mas sem notar que os dois elementos se influenciam em nossa trajetória cotidiana.
O filme traz uma grande possibilidade de reflexão antropológica de estranharmos o próximo e naturalizarmos o distante através de uma fotografia que parece imparcial, embora esteja sempre focando nos elementos considerados centrais para compreendermos o sentimento das personagens, uma montagem que não tem pressa, nos deixa enxergar os processos, criar relações com quem atua em cena.
Que coisa linda! A natureza e seus mistérios flagrados pelo cinema. E uma relação entre mãe e filho que mexe com nossas emoções e faz a gente torcer por um final feliz até o fim!
A participação da direção é quase nula, logo o foco fica completamente no cotidiano de uma família de nômades que moram no meio do nada, o que é interessante por ser uma cultura e estilo de vida totalmente diferente do que a gente está acostumado, é difícil não tirar nenhuma reflexão a partir daí, mas de bônus, ainda vemos um caso totalmente curioso e inesperado do camelo que rejeita seu filhote albino. O momento onde descobrimos porque camelos também choram é sensacional. Recomendo.
Singelo, bonito, simples e tocante. Contemplativo, sem dúvida, mas extremamente prazeroso. Recomendo fortemente! Muito bom mesmo!