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“António vê a sua vida brutalmente interrompida quando é incorporado no exército português, para servir como médico numa das piores zonas da guerra colonial – o Leste de Angola. Longe de tudo que ama, escreve cartas à mulher à medida que se afunda num cenário de crescente violência. Enquanto percorre diversos aquartelamentos, apaixona-se por África e amadurece politicamente. A seu lado, uma geração desespera pelo regresso. Na incerteza dos acontecimentos de guerra, apenas as cartas o podem fazer sobreviver.”
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6.4 - Um filme de Ivo M. Ferreira, baseado numa obra de António Lobo Antunes, baseada em factos reais: a correspondência dos soldados na Guerra do Ultramar com as suas esposas ou namoradas em Portugal, através de cartas manuscritas.
Nesta película assistimos à devassidão da guerra, às angústias e terror que traz a quem a vive, entrecruzada com a leitura ou citação das cartas que os soldados trocavam com suas esposas, de conteúdo amoroso ou até lírico, como que justapondo duas realidades díspares.
No entanto, o filme não é de fácil digestão, talvez pelo seu tom lento e arrastado, embora as "imagens da guerra" não estejam mal conseguidas.
as imagens e textos são lindos, porém o filme é muito massante, parece que fiquei sentado anos no cinema querendo que acabasse logo.
Uma agradável surpresa. Belas narrativas oral e visual. Uma pellícula portuguesa de guerra e poesia que nos mostra um pouco da história que envolve dois outros países irmãos de língua e que foge da homogeneização cultural dos filmes de guerra (e das guerras) anglo-saxãs.
Outra surpresa agradável foi identificar a participação pra lá de especial de Mitó Mendes, vocalista d"A Naifa.
Pegar na escrita de Antonio Lobo Antunes e transformar as suas cartas privadas(á sua mulher, enquanto ele estava em serviço militar na guerra colonial) num filme. Este é o grande desafio do cineasta português Ivo Ferreira. Desafio difícil, mas superado com alguma distinção, apesar de certa irregularidade da obra(por vezes a voz narrativa sobrepõe-se ás imagens, gerando incomodo). Mas,tudo somado, a obra tem momentos de grande beleza narrativa e visual(excelente trabalho de fotografia). Para quem é apreciador do grande escritor português, é filme a não perder.Nota:3,5(0-5)
O Ivo M. Ferreira não faz uma simples transposição literatura-cinema. Ele compreende o papel do cinema numa adaptação, e faz algo que vai muito além de ADAPTAR um filme, se apodera dessa história, e constrói algo completamente singular. Cartas da Guerra é um filme que consegue algo que muito poucos filmes conseguem (ou mesmo, tentam), que é criar um universo com tanta fidelidade e verossimilhança que a imersão transcende as barreiras da tela de cinema. Isso, falando não só de ambientação, mas o papel do diretor aqui é fundamental e um trabalho muito único. Todavia, pra alcançar isso, tem de estar aberto. É um filme absolutamente hermético, que basicamente consiste das cartas de Antônio a sua amada, mas que encontra nisso, e naquele cenário cruel, uma maneira de demonstrar beleza, sobretudo no que concerne a uma vida durante a guerra. Não seria leviano dizer que trata-se de um filme de sensações: é necessário sentir o que está sendo proposto aqui, e, como eu disse, imergir. E depois, só curtir a viagem. Que, diga-se de passagem, é belíssima. Enormemente.