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Perto de resolver uma situação crítica em sua empresa, para a qual reservou uma grande quantia em dinheiro, o executivo de uma fábrica de sapatos descobre que seu filho foi raptado. O valor do resgate pedido pelos seqüestradores se aproxima do dinheiro que tem em mãos para o seu negócio. Porém, quando resolve salvar a vida do filho, ele tem uma surpresa.
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1. Trama
Poucos ou quase nenhum filme japonês tinha dado oportunidade para situações de sequestro invadir suas histórias,mas Kurosawa conseguiu prender com facilidade. Um fato curioso é que depois que esse filme foi lançado os casos de sequestro no Japão aumentaram bastante e a imprensa acabou criticando Kurosawa por tal situação.
O mais interessante desse filme tirando o assunto principal,é a forma em que a trama se divide,mais especificamente em três partes e todas elas com uma tensão fora do normal,as duas últimas com um pouco mais de ação e investigação. E a parte em que a história não esconde mais o sequestrador é outro acerto gigante,ali pensamos que o filme não vai conseguir mais sobreviver com o que estava mostrando,mas temos boas reviravoltas dali em diante que torna a história ainda mais cheia de suspense. A degradação do filme,seus personagens e os rumos tomados faz jus ao título,do alto do apartamento caríssimo às vielas sujas e com pessoas doentes,sem esperança retratam bem todo o contexto por fazer tal sequestrador realizar tal ato. A cena final onde os dois homens conversam na delegacia é fantástica,consegue mostrar como pessoas com poder conseguem resolver suas situações de formas diferentes.
2. Direção
Kurosawa estava vindo de uma sequência memorável de clássicos filmes de samurais,entre eles as preciosidades "Os Sete Samurais" e "O Trono Manchado de Sangue",aqui muda completamente seus elementos de filmagem,mesmo trazendo seu ótimo elenco de confiança para uma nova e belíssima companhia. Existe tantas sequências e tomadas geniais do diretor que fica difícil citar apenas uma. Toda a história inicial sendo contada em apenas um cenário e a sequência do trem são ótimos exemplos disso e mesmo se o filme terminasse com apenas essas duas cenas o diretor já sairia vangloriado.
3. Elenco
Não vou citar apenas um ou alguém específico,pois todo o time montado tem seus momentos de glória. Mifune no primeiro ato é aquele espetáculo de sempre. Nakadai no segundo e terceiro toma de conta da situação. O trabalho com o elenco de apoio é muito bem orquestrado pelo diretor,nas cenas da delegacia e na boate fica difícil de imaginar que aquilo ali estava sendo gravado.
4. Nota
Vários filmes após esse conseguiram contar suas histórias de sequestro com mais facilidade. O anime "Detetive Conan" homenageia muito esse filme em seus episódios e até mesmo o nome do protagonista saiu daqui,o famoso Shinichi.
Filme que te prende com facilidade e mesmo com a extensa duração fica difícil desgrudar os olhos da tela.
>Revisto em 14 de Outubro de 2026
Produção japonesa que é um drama de mistério e suspense policial em preto e branco da Toho e Kurosawa Production Co. indicado ao Globo de Ouro de melhor filme em língua estrangeira; no Festival de Cinema de Veneza, foi nomeado ao Leão de Ouro de melhor filme. O filme é uma adaptação livre do romance de 1959 "King's ransom", de Evan Hunter (1926-2005), que usava o pseudônimo Ed McBain. A obra foi considerada influente no gênero de filmes policiais e ganhou diversas refilmagens ao redor do mundo.
Outras versões: as produções indianas Inkaar (77) e Dongala Veta (78), a produção honconguesa Bong ga (2007), a produção japonesa feita para a TV Tengoku to jigoku (07) e refilmagem americana Luta de classes (25). Após o lançamento do filme, houve um aumento nos casos de sequestro no Japão. O próprio Akira Kurosawa recebeu ameaças de sequestro contra sua filha, Kazuko Kurosawa. Yutaka Sada (1911-2017), que interpreta o motorista Aoki, não possuía carteira de motorista quando foi escalado para o papel. Embora tenha obtido a habilitação antes do início das filmagens, ele enfrentou dificuldades durante as gravações. O 11° e último filme dirigido por Akira Kurosawa a contar com a participação de Minoru Chiaki (1917-1999).
Uma das coisas mais notáveis sobre o filme é como suas metades interagem, de tal forma que a tensão sufocante do confinamento dá lugar ao ar livre. Não só consegue conectar diferentes pontos de vista e motivações, como também estabelece um discurso instigante sobre classes, desmistificando as convenções clássicas de gênero. É um filme que envolve o espectador numa investigação policial, moral, social e estética que será impossível de esquecer.
Confesso que assisti antes de assistir ao remake de Spike Lee, pois desconhecia este trabalho de Akira. Este filme é sensacional! É incrível como a gente acha que já assistiu toda a filmografia de um diretor e vê que é impossível, e amei ter conhecido esta obra, um thriller sensacional. Tem claro como o próprio nome diz, uma crítica social, mas eu não sou analista e falo como fã. Recomendo muito este filme, e que bom que Spike Lee fez um remake assim descobri o original, já confesso que o remake de Spike Lee é bem fraco, mas ai são outros quinhentos.
Uma aula de roteiro!
O filme me impressionou pela direção precisa de Kurosawa, que constrói quadros visualmente ricos e cheios de detalhes, muitas vezes explorando o foco profundo para permitir que múltiplas ações e reações coexistam no mesmo plano. A narrativa avança com grande elegância, transitando do espaço controlado da mansão de Gondo e de suas negociações tensas para o trabalho meticuloso da investigação policial, culminando em um envolvente jogo de gato e rato que mantém o interesse do início ao fim.