O que você faria quando sua esposa não sabe mais a diferença entre um psiquiatra e uma loja, seu filho de 8 anos pode ter problemas psicológicos e seu padrinho gay está à beira da morte no hospital? E quando seu chefe quer que você pratique um embuste que poderá lhe custar a carreira e seu pai espera mais de você do que você pode dar? E se os segredos de uma prostituta, revelados por sua assistente social, pudessem ser usados contra você? Toda família tem segredos. Estes são os dilemas de Marcus Aylesbury. Da diretora Martha Fiennes (irmã de Ralph Fiennes) e com um elenco de super-estrelas, Chromophobia é um drama recheado de humor negro, ambientado na Londres contemporânea, onde o dinheiro, a beleza e o sucesso substituíram valores tradicionais, como a honestidade e a amizade como as pedras angulares da vida.
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A meu ver, esta pode não ser muito fácil de digerir.
Sobretudo porque mexe em feridas sociais tradicionais,
ou seja, aquelas que orbitam a sociedade e seus valores.
Ainda mais quando estes estão pautados pelo dinheiro e
pelo poder.
Num primeiro momento temos o único personagem
imbuído de verdadeira compaixão. Aquela que
não visa recompensas. Nem as terrenas tampouco
as metafísicas. O qual diz que se cansou do que fazia
e, depois de um período de reflexão, decidiu dar um significado
mais plausível à própria vida.
Este personagem, segundo consta, é um ex policial que,
diante da percepção da falta de sentido no que fazia,
decide entrar para o serviço social e fazer algo efetivo
pelas pessoas. O que se torna evidente ao ter contato
com sua primeira assistida. Pela qual desenvolve uma
compaixão pura.
Em contrapartida, todos os outros personagens estão
chafurdados pela ganância. Começando pelo advogado
abastado que, mesmo diante de uma promoção duvidosa,
não recua diante do lucro vindouro. Algo que semelhantemente
ocorre com sua esposa, cuja vida luxuosa não é o bastante
para fazê-la feliz, se afogando em hobbies fúteis como comprar
superfluidades, terapias e cirurgias estéticas enquanto
o filho do casal, cuidado por uns e outros, é anestesiado
por brinquedos e tecnologias na imensidão da mansão onde moram.
Carecendo do essencial de seus progenitores, ou seja, o afeto.
Na mesma linha gananciosa, temos o juiz aposentado que vive
os prazeres dos espólios de uma vida sugestivamente corrupta
enquanto se orgulha da promoção ardilosa do filho e mantém
um relacionamento secreto com uma mulher cuja vida precário
lhe custa a própria saúde.
Sem deixar de mencionar o jornalista ganancioso que se
aproveita de uma amizade antiga para vender uma boa história
e do entusiasta de arte cuja sede por colecionar relíquias funciona
como um paliativo para tergiversar sua condição sexual mal vista
por aqueles que o cercam. E que acaba em coma por conta da
ganância de três jovens que se aproveitam dessa condição.
Em suma, o ex policial é o único personagem que age pelo
que considera correto. Sem ganância, tampouco visando lucro,
prestígio ou poder. Legando-nos um pouco de esperança nessa
contemporaneidade caótica e cruel.
Confesso que quando me interessei pelo filme lendo a sinopse, acreditei ser um filme bem mais perturbador. Ok, ele tem seus momentos de ser, mas tende muito mais à reflexão. No mais, ele até que se faz envolvente, especialmente por conta de seu elenco altamente qualificado. Expressa bem a batalha do ser humano sobrevivendo na selva social.
É um filme estranho e tem cenas desconfortáveis (mostra uma cirurgia em detalhes). Um filme com um grande elenco (Ralph Finnes, Kristin Scott Thomas e Penélope Cruz), mas que não fêz com que eu mudasse minha opinião. Eu não gostei. Na verdade, eu gostei apenas dos últimos 10 minutos do filme. Duas estrelas, todas para o elenco.
Só eu que gostei. Tá.
Filme louco! Mas gostei!