Colônia (1ª Temporada)

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Colônia (1ª Temporada) (2021)
Colônia (1ª Temporada)
Média do filme: 3.4 de 5 — baseado em 27 votos
MÉDIAFILMOW
3.4
27 Avaliações
Minha avaliação:
Salvando
Dirigido por Andre Ristum
Data de lançamento 25 Junho 2021 Outras datas
País de origem Brasil 🇧🇷
Duração 300 min (5h00)
Classificação indicativa de Colônia (1ª Temporada): 16 - Não recomendado para menores de 16 anos
Status Streaming

Dirigido por

Data de lançamento

25 Junho 2021

Duração

300 minutos Classificação indicativa de Colônia (1ª Temporada): 16 - Não recomendado para menores de 16 anos
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Sinopse

A produção é baseada em casos reais que ocorreram no famoso hospital Colônia de Barbacena, manicômio que ficou marcado pelo tratamento desumano destinado aos seus pacientes até os anos 1980.
O manicômio, que ficava na cidade de Barbacena, no interior de Minas Gerais, chegou a ser taxado como “campo de concentração nazista”, uma vez que internava pessoas consideradas “não agradáveis”, como opositores políticos, mendigos, homossexuais, prostitutas, indivíduos sem documentos e outros grupos marginalizados pela sociedade, além de apresentar superlotação. Estima-se que cerca de 70% dos pacientes não foi diagnosticado com doenças mentais, e que pelo menos 60 mil tenham morrido no local.

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Minha Vida com Shurastey | Teaser Oficial

Minha Vida Com Shurastey

Comentários 0
amigos querem ver
jordisonfrancisco
Jordison
1 ano atrás

A desumanidade dos verdadeiros “loucos”.

NOTA: 5,0/5,0 (OBRA-PRIMA)

“Artigo 5º da Declaração Universal dos Direitos Humanos: Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano e degradante.” – Aviso Prévio 02, mostrado logo no início de todos os episódios da primeira temporada da série.

Desumana. Pavorosa. Perversa. Essas são umas das várias adjetivações que podemos atribuir ao Hospital Colônia de Barbacena, o qual funcionou entre os anos de 1903 e de 1980, em Minas Gerais (MG), conforme apurou a brilhante jornalista Daniela Arbex em Holocausto Brasileiro: 60 mil mortos no maior hospício do Brasil, livro-reportagem lançado em 2013. Além desse material, dois documentários também foram lançados para contar as atrocidades, a saber: Em Nome da Razão – Um Filme sobre os Porões da Loucura, produzido pelo cineasta Helvécio Ratton, em 1979; e Holocausto Brasileiro, lançado em 2016, pela HBO. Já em 2021, o Canal Brasil lançou a série Colônia, a qual também foi inspirada na pesquisa profunda de Arbex. Nela, conhecemos a história ficcional de Elisa Casales de Albuquerque, jovem de 23 anos de idade que – estando grávida de quatro meses – chegou à unidade hospitalar em janeiro de 1971, em razão de sua paixão com um jovem rapaz, chamado Pedro. A ida dela para o manicômio se justifica em função da sociedade patriarcal à época, pois Júlio, o seu pai, um homem extremamente conservador, obrigou o despache da moça para aquele local horrendo por não aceitar a situação citada.

Além de Elisa, outros indivíduos da sociedade que eram considerados “indesejáveis” eram enviados para o Hospital, como os negros, as protitutas, os homossexuais, os alcoólatras, os equizofrênicos ou qualquer outra doença relacionada ao aspecto da ausência de cuidado da saúde mental. No trem, antes da chegada ao local afastado, o grupo era amontoado em meio a fezes e a vômitos, ou seja, em um ambiente completamente insalubre para qualquer ser humano, juntamente a uma sirene ensurdecedora, com a finalidade de enlouquecer qualquer pessoa que a esteja ouvindo por muitas horas seguidas. Se formos parar para pensar, tem apenas 50 anos desde os acontecimentos estarrecedores que ocorriam na unidade hospitalar, os quais, infelizmente, foram normalizados, como as torturas física e psicológica, a ausência de comida e de bebida, os banhos de água fria com mangueira e, pior, as sessões de eletrochoque, com o objetivo de “curar” os intitulados “doentes mentais”. E de forma a retratar com maestria, segundo o criador André Ristum – em entrevistas durante o lançamento do seriado -, ele não conseguia enxergar outro formato de gravação dos episódios a não ser em preto e branco, porque “(…) a vida dessas pessoas não tinha nenhum brilho, nenhuma cor, nenhuma luz… Era, de fato, uma coisa monotemática (…), um ambiente mais soturno, desesperançoso. (…) Não consigo imaginar como seria contar ‘Colônia’ colorida. Não consigo enxergar isso. Pra mim, só tinha como ser mesmo em preto e branco, não tinha jeito (…)”, refletiu o roteirista. De fato, portanto, a ausência de cores foi algo espetacular, pois conseguiu nos conectar ainda mais à trama, naquele universo de desesperança, sem vida, sem nada, isto é, demasiadamente triste.

Além disso, a personagem-protagonista conseguiu materializar em seus trejeitos a angústia e o desespero em não querer permanecer naquele ambiente hostil. Assim como ela, conhecemos outros personagens marcantes que contribuíram para tornar o seriado impactante, como Gilberto, rapaz não heterossexual, que foi enviado para o local pela sua mãe por ela acreditar na errônea “cura gay”, visto que – na comcepção dela – ele estava “doente” e, por isso, precisava ser “tratado”; Dona Wanda, mulher que há anos sonha em ver o filho, contudo ele foi arrancado de seus braços logo após dar à luz ao pequeno; Valeska, prostituta que sonha em ser pedida em casamento, mas é enganada pelo seu amante, o Prefeito Genésio; e Rosana, mulher que desde a infância está nas dependências macabras do hospício e sempre atormenta os novatos. Em meio às histórias de cada um deles, o sentimento de indignação atormenta-nos o tempo inteiro, uma vez que ocorreu de fato um genocído manicomial no Brasil, e poucas pessoas conhecem essa atrocidade do século XX.

Ademais, além da comida em meio aos ratos, as baratas e as fezes, os pacientes eram submetidos a tomarem comprimidos em cima de comprimidos para serem “acalmados”, em uma espécie de “lavagem cerebral”, com a intenção de eles não se rebelarem com os funcionários do Hospital Colônia, como os agressivos enfermeiros Ramires e Juraci. Por falar neles, a dupla representava a sociedade vigente da época: patriarcal, preconceituosa e racista. Essa última característica vimos materializada na cena em que o personagem Raimundo foi levado para uma sessão de tortura com eletrochoque, tendo um pano inserido na boca dele para abafar os gritos. Me desculpem pelo trocadilho, mas a cena é de fato chocante! Ele ficou “petrificado” em poucos segundos e, logo em seguida, o homem perdeu a percepção de lugar, de sentimento e de se sentir realmente um ser humano, em um nítido olhar vago. Somente por meio do carinho entre os internos é que eles conseguiram suportar na medida do possível aquela realidade tão avassaladora.

Somado a isso, vale ressaltar o grande comércio de corpos abatidos e vendidos para a pesquisa, inclusive para universidades públicas brasileiras, as quais recebiam os “indesejáveis” na vida real para serem manuseados nas aulas de anatomia, por exemplo. Virou uma lucratividade para o Colônia, estabelecimento hospitalar que precisava manter as portas abertas para continuar perpetuando as maldades e as atrocidades bárbaras diárias para com os pacientes. Por falar neles novamente, tivemos duas mortes trágicas: a de Valeska, que levou um tiro nas costas durante a infrutífera tentativa de fuga na horta; e a de Gilberto, o qual morreu literalmente de frio por ter dormido do lado de fora em meio ao sereno da noite. Para piorar, Elisa também passou por sessões de eletrochoque, impactando a vida da moça em cenas angustiantes, de cortar o coração. Como consequência, a moça acabou perdendo o bebê em seu ventre materno, juntamente ao fato de ficar perambulando e conversando sozinha pelos corredores. É um sofrimento diário e inacabável. É uma atrocidade normalizada por médicos, enfermeiros, policiais, gestores, parentes… A sociedade como um todo banalizou e naturalizou a violência manicomial.

No final, com a ajuda da enfermeira Laura, a jovem Elisa consegue finalmente sair do Hospital em uma eletrizante cena de fuga, com direito de a nossa protagonista fingir estar morta em meio aos sacos de pano com corpos empilhados e ao extremo odor fétido. Destaque para o momento de luta e de resistência da protagonista com o enfermeiro Juraci, o qual não conseguiu impedi-la de machucá-lo com a cruz e, ainda por cima, fugiu, conseguindo, dessa forma, chegar à fazenda de sua família. No episódio derradeiro, então, somos surpreendidos, assim como os pais de Elisa, com o retorno da jovem, com ela apontando uma espingarda para eles e dizendo: “Oi, pai!”. E, desse modo, o décimo episódio da primeira temporada de Colônia finaliza, fazendo-nos pensar em diversas teorias para uma segunda temporada, a qual – apesar de ter sido confirmada – ainda não foi divulgada uma data de estreia.

Será que finalmente Júlio perdoará a filha? Elisa conseguirá salvar os seus amigos do Hospital? E as denúncias às autoridades competentes serão feitas? Onde está Raimundo, outro paciente que fugiu ao lado de Elisa? Para nos deixar ainda mais apreensivos com os novos episódios, fomos impactados com Juraci deitado no chão mexendo os dedos após a luta na rua. Aparentemente, ele não morreu e, com certeza, vai querer se vingar pelos atos da garota. Por enquanto ainda não temos respostas, todavia temos a certeza de que o seriado – embora tenha apresentado uma história extremamente triste e revoltante – conseguiu promover a reflexão para com os telespectadores, de modo que não tenhamos mais a intenção de repetir essa barbárie tão desastrosa enquanto seres humanos. Ninguém merece ser tratado pior do que lixo, e, justamente por isso, André Ristum e equipe conseguiram de forma brilhante nos emocionar com toda a trama de Elisa. Enfim, profundidade, amizade, força, resiliência e emoção estiveram presentes ao longo dos 10 episódios exemplares da primeira temporada de Colônia.

Portanto, percebe-se que a verdadeira loucura está na maldade humana dos “normais”, e não naqueles que foram de forma errônea considerados “indesejáveis” – homossexuais, alcoólatras, grávidas foram do casamento, prostitutas, por exemplo – perante à sociedade. Apesar de ter ocorrido uma reforma psiquiátrica no Brasil, juntamente à Luta Antimanicomial, ainda como sociedade precisamos avançar muitos anos-luz à frente do combate às diversas formas de violência e de desumanidade. Para vocês terem uma ideia, de tão degradante e negativo que foi essa ocorrência, o município de Barbacena, em Minas Gerais (MG) – localidade onde encontra-se o verdadeiro e já desativado Hospital Colônia – ficou conhecido como a “Cidade dos Loucos” pelo médico e escritor João Guimarães Rosa, no conto Sorôco, sua mãe, sua filha, de 1947, em virtude de ser um verdadeiro purgatório da vida real. Hoje, o endereço dá espaço ao Museu da Loucura, inaugurado em 1996, de forma a registrar essa memória genocida, em que os poucos sobreviventes recebem indenização do Estado, inclusive, conforme está escrito na obra-base. Dessa maneira, Colônia incomoda e muito: não é um conteúdo fácil de ser consumido, afinal de contas a série comprova que os verdadeiros “loucos” são os homens considerados “normais”. Eles são os verdadeiros monstros, que, por razões distorcidas e maldosas, praticaram uma violência exacerbada em cima de indivíduos vulneráveis e inocentes. É chocante: há 50 anos estávamos “fritando” pessoas em uma unidade hospitalar, sendo o procedimento considerado “exemplar”. É absurdo e imperdoável.

Em novembro de 2023, o seriado ganhou um filme intitulado Ninguém Sai Vivo Daqui, também contando a mesma história de Elisa, mas com promessas de ter uma inédita perspectiva. No entanto, para a minha frustração, a obra audiovisual mencionada foi transformada em uma espécie de “colcha de retalhos” da série-base, já que as cenas foram brutalmente recortadas e montadas de forma apressada e sem sentido. Não sei se ele merece uma Crítica aqui, no filmow, porque, embora seja um material super convidativo, o resultado final não é nada emocionante, e sim decepcionante. Inclusive, pelas notícias divulgadas, o longa iria apresentar cenas inéditas, porém isso não foi exibido, nem ao menos nas cenas pós-créditos. Foi uma verdadeira frustração! Espero que isso seja corrigido na segunda temporada, a qual, apesar do desastroso filme, estou com uma expectativa positiva.

OBS: Entre as muitas sucursais do inferno abrigadas pelo nosso Brasil está o Colônia, fundado em 1903 em Barbacena, Minas Gerais. Deveria ser um hospital psiquiátrico, mas o que aconteceu por lá foi superlotação, descaso, irregularidades e outros acontecimentos banalizados e ainda vistos ao se deparar com hospitais, postos de atendimento e demais locais onde teoricamente a saúde deveria ser cuidada. Some-se um agravante: nem todos seus internos eram doentes. O livro-reportagem Holocausto Brasileiro (2013, Geração Editorial; 2019, Intrínseca), de Daniela Arbex, conta a história tenebrosa desse lugar.

Após diagnóstico, qualquer pessoa com um problema mental era enviada ao Colônia, embora nem sempre houvesse precisão nos diagnósticos – especialmente no Brasil da primeira metade do século passado. Mas o Colônia recebeu muitos sãos, como pessoas abandonadas por suas famílias, gente falsamente vista como doente, e muitos “indesejados” daquele período, de alcoólatras a mendigos, homossexuais a mães solteiras, compondo a estatística de que cerca de 70% dos internados sequer deveria estar lá.

O tratamento abandonava os internos à própria morte, desde a anulação de qualquer vestígio de identidade, devido à precariedade de registros, e também pela aparência padronizada deles, com cabelos raspados e a desnutrição estampados na face, além dos uniformes que não os protegiam do clima – quando havia uniformes. Havia também um tratamento à base de eletrochoque para “acalmar” alguns internos, e às vezes recrutavam-se pacientes menos “nervosos” para segurar alguém (supostamente) descontrolado enquanto a equipe responsável pelos cuidados médicos amansava o indivíduo.

Como se esses fatos não bastassem, nem após a morte os internos tinham descanso. O quarto capítulo do livro detalha a venda de cadáveres do hospital e questiona sua legitimidade e origem, além de escancarar outros aspectos da administração precária do hospital. Outros capítulos descrevem a passagem de ex-funcionários pelo Colônia e de ex-internos e o que conseguiram fazer de suas vidas; além de breves incursões na investigação sobre o hospital cujo resultado é esse livro, incluindo a espera de respostas na apuração das informações, e a busca por quem o registrou em reportagens antigas.

Difícil destacar uma informação entre as histórias contadas no Holocausto Brasileiro, cujas palavras e fotos dimensionam o quanto se destratou e descartou pessoas como se fossem menos do que coisas, compondo um relato doloroso de uma parcela da nossa história.

editado
williamlita
William
4 anos atrás

O problema da série é seu tom extremamente novelesco do começo ao fim, teve alguns episódios bons, mas outros completamente irrelevantes, a atriz principal segura a série nas costas, achei desnecessário esse preto e branco, o hospital tem história com muito mais peso e informação, não apenas oque foi mostrado, porém, vale o registro.

fabiogueiros3
Fabio Tudor
4 anos atrás

Essa história horrenda é muito mais que essa série (Globoplay), mas vale como registro!!

editado
danieltu
Daniel
½
4 anos atrás

Hospital Colônia de Barbacena tem muita história, tem muita informação, tem muito conteúdo, tem muita violência, muita violação de direito, muita trama política, coisas pesadíssimas. Quem chegou até aqui deve conhecer o livro e o documentário.

Comentário contando partes do filme. Mostrar.

Tinha muito potencial pra ser um símbolo da Reforma Psiquiátrica e da luta antimanicomial.
Mas essa série aqui é muito fraca. Muito arrastada, muito enrolada. Meu sonho era ver a trama dessa série com uma produção tal qual a da série Chernobyl.

editado
marciareginaaraujo3
Marcia Regina
5 anos atrás

Fraca...pra quem viu o documentário isso só foi uma pitadinha bem leve no assunto, ai juntou uma pegada de valorização da mulher, negra, e etc...terminei de ver dia 29/07/21.

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Listas com a série

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Elenco de Colônia (1ª Temporada)

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Ana Kutner 3 3

Ana Kutner

(Rosana)
Andreia Horta 27 341

Andreia Horta

(Valeska)
Arlindo Lopes 3 5

Arlindo Lopes

(Gilberto)
Augusto Madeira 3 22

Augusto Madeira

(Juraci)
Augusto Trainotti 1 9

Augusto Trainotti

(Pedro)
Eduardo Moscovis 7 151

Eduardo Moscovis

(Major Carvalho)

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