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Sinopse
Shoji, um jovem assalariado, começa um romance com uma datilógrafa de seu grupo de trabalho – o que acaba provocando que se separe de sua esposa, Masako. Mas, nesta mesma época, Shoji é transferido para uma filial em outro local.
Muito parecido com "O Sabor do Chá Verde Sobre o Arroz",a diferença aqui fica por conta da duração e em falar nisso,temos o filme mais longo da carreira de Ozu.Mas tudo é perfeitamente bem colocado e conduzido.Existe vários momentos de gêneros sendo bem explorados.O drama e o romance dividem a tela com ótimos momentos.Ryo e Miyake estão simplesmente perfeitas,outra ótima parceria com o Mestre.
>Maratona Yasujiro Ozu - Assistido em 23 de Novembro de 2023
"Maybe he was lucky never knowing what a salaried worker's life is like. (...) You get disillusioned fast if you have a wife and children. (...) We live on. But we're not happy."
Se a Setsuko Hara parecia carregar o peso do mundo todo nas costas e escondia isso através de um sorriso, nesse filme os personagens não se preocupam em manter tal disfarce. Talvez seja essa a surpreendente questão central do choque de gerações em uma sociedade em transformação: a exploração do trabalho, o peso das convenções familiares, a busca por válvulas de escape, enfim, existem desde as gerações anteriores, mas algo que muda é a forma de lidar com essas coisas, a dissimulação que dá lugar à visível angústia. Tudo isso no filme mais "noturno" do Ozu: com seu minimalismo habitual, a mudança formal mais evidente é que a luz parece não iluminar como antes ou passa a ter seu alcance bem reduzido. Mesmo durante o dia, nos raros momentos em que o cenário não é puramente aquele do mundo do trabalho, a natureza a ser observada é permeada por obstáculos que impedem o homem de se regozijar com sua beleza ou encontrar nela algum sentido pra sua existência. O otimismo que parecia se construir durante a reta final até se concluir em um plano muito característico do diretor (mostrando a paisagem externa, as nuvens, as montanhas, enfim, que os personagens observam de dentro de casa), é concluído na verdade em um plano do céu obstruído pela fumaça preta saída da chaminé de uma fábrica... Outros filmes do Ozu são muito muito tristes em diversos sentidos, e talvez aquele disfarce os torne ainda mais tocantes, mas neles há ainda algum otimismo que nesse filme acho ausente. Enfim, são só uns pensamentos soltos sobre mais um filme muito notável do mestre... espero escrever algo mais bem elaborado sobre a obra dele no futuro
Pode até não estar dentro da excelência típica do mestre Ozu, é verdade. Mas não posso deixar de frisar a paz que sinto acompanhando histórias singelas, pequenos dilemas familiares, e sempre o olhar de intimismo discreto sobre todos os personagens.
Ozu era um apaixonado por relacionamentos e trens, mas seus trens possuem uma simbologia linda sobre os ritos de passagem de tempo e do movimento sempre em frente apesar de todo o tumulto que se encontra dentro dele, não diferente de qualquer relação familiar.
Aqui Ozu trata de um adultério e a sua maneira é dando atenção aos dois cônjuges e a terceira parte, tudo de forma muito sóbria e célere. As personagens femininas continuam fortes, mas não me agradou o final, um pelo fato de que percebi o primeiro erro de continuidade num filme de Ozu, pode parecer besteira mas é um monstro que o próprio Yasujiro criou, o da perfeição (na cena dos remadores, o barco não aparece passando do outro lado da ponte), e outro pela última cena, apesar da força da personagem, a "rendição" foi inevitável. Interessante também a temática da morte tratada em segundo plano. O filme que até agora menos gostei do diretor, mas ainda assim, longe de ser fraco.
Muito parecido com "O Sabor do Chá Verde Sobre o Arroz",a diferença aqui fica por conta da duração e em falar nisso,temos o filme mais longo da carreira de Ozu.Mas tudo é perfeitamente bem colocado e conduzido.Existe vários momentos de gêneros sendo bem explorados.O drama e o romance dividem a tela com ótimos momentos.Ryo e Miyake estão simplesmente perfeitas,outra ótima parceria com o Mestre.
>Maratona Yasujiro Ozu - Assistido em 23 de Novembro de 2023
"Maybe he was lucky never knowing what a salaried worker's life is like. (...) You get disillusioned fast if you have a wife and children. (...) We live on. But we're not happy."
Se a Setsuko Hara parecia carregar o peso do mundo todo nas costas e escondia isso através de um sorriso, nesse filme os personagens não se preocupam em manter tal disfarce. Talvez seja essa a surpreendente questão central do choque de gerações em uma sociedade em transformação: a exploração do trabalho, o peso das convenções familiares, a busca por válvulas de escape, enfim, existem desde as gerações anteriores, mas algo que muda é a forma de lidar com essas coisas, a dissimulação que dá lugar à visível angústia. Tudo isso no filme mais "noturno" do Ozu: com seu minimalismo habitual, a mudança formal mais evidente é que a luz parece não iluminar como antes ou passa a ter seu alcance bem reduzido. Mesmo durante o dia, nos raros momentos em que o cenário não é puramente aquele do mundo do trabalho, a natureza a ser observada é permeada por obstáculos que impedem o homem de se regozijar com sua beleza ou encontrar nela algum sentido pra sua existência. O otimismo que parecia se construir durante a reta final até se concluir em um plano muito característico do diretor (mostrando a paisagem externa, as nuvens, as montanhas, enfim, que os personagens observam de dentro de casa), é concluído na verdade em um plano do céu obstruído pela fumaça preta saída da chaminé de uma fábrica...
Outros filmes do Ozu são muito muito tristes em diversos sentidos, e talvez aquele disfarce os torne ainda mais tocantes, mas neles há ainda algum otimismo que nesse filme acho ausente. Enfim, são só uns pensamentos soltos sobre mais um filme muito notável do mestre... espero escrever algo mais bem elaborado sobre a obra dele no futuro
Pode até não estar dentro da excelência típica do mestre Ozu, é verdade. Mas não posso deixar de frisar a paz que sinto acompanhando histórias singelas, pequenos dilemas familiares, e sempre o olhar de intimismo discreto sobre todos os personagens.
Ozu era um apaixonado por relacionamentos e trens, mas seus trens possuem uma simbologia linda sobre os ritos de passagem de tempo e do movimento sempre em frente apesar de todo o tumulto que se encontra dentro dele, não diferente de qualquer relação familiar.
Aqui Ozu trata de um adultério e a sua maneira é dando atenção aos dois cônjuges e a terceira parte, tudo de forma muito sóbria e célere. As personagens femininas continuam fortes, mas não me agradou o final, um pelo fato de que percebi o primeiro erro de continuidade num filme de Ozu, pode parecer besteira mas é um monstro que o próprio Yasujiro criou, o da perfeição (na cena dos remadores, o barco não aparece passando do outro lado da ponte), e outro pela última cena, apesar da força da personagem, a "rendição" foi inevitável. Interessante também a temática da morte tratada em segundo plano. O filme que até agora menos gostei do diretor, mas ainda assim, longe de ser fraco.