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Acostumado a dirigir filmes simples e sem grandes implicações, o cineasta John L. Sullivan decide fazer um filme sobre os problemas sociais, mas é desencorajado por seus produtores, que o acham incapaz para tal. Para provar o contrário, ele se traveste de mendigo e vai para as ruas, para viver a experiência de perto e ter contato com a realidade.
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Desde o começo de Sullivan’s Travels (1941), no Brasil Contrastes Humanos, já dá pra perceber como Sullivan inicia a jornada acreditando que pode entender a miséria apenas vivendo algumas situações controladas. Ele parte cheio de confiança, achando que tudo aquilo é apenas um experimento pessoal, algo que ele poderia abandonar a qualquer momento se achasse necessário.
Conforme a viagem avança, essa sensação de controle vai desaparecendo. As experiências começam a sair do planejado, ele passa a depender dos outros, enfrenta dificuldades reais e a fronteira entre “pesquisa” e “realidade” simplesmente se desfaz. O ponto decisivo acontece quando ele é atacado e reage, acertando o homem com pedras — e, por causa disso, é confundido com outro criminoso. Ali ele finalmente perde totalmente o domínio sobre o que acontece com ele.
Foi bom, não contava com esse final com ele realmente sofrendo algo que não era calculado por ele, diferente de toda a trama que ele mesmo tinha arquitetado, a qual ele poderia sair dela a qualquer momento. Quando Sullivan é jogado na cadeia, sem identidade, sem voz e sem chance de explicar nada, fica claro que ele está vivendo algo que nunca imaginou de fato enfrentar.
Agora ele passar por tudo isso e no final fazer uma comédia foi foda, eu entendo ele pensar nas pessoas que sofrem e talvez tenham uma unica fuga da realidade a comédia para rir e extravazar. Ver ele chegar a essa conclusão depois de presenciar o efeito que uma simples cena engraçada tem sobre quem vive em sofrimento torna essa decisão coerente dentro do que ele experimenta ali.
Porém acho que ele deveria ter feito mais, achei Sullivan um personagem soberbo na maioria do tempo e burro demais principalmente na hora do julgamento dele, em que usar o subterfugio dele não lembrar de nada para ser condenado, já que ele poderia ter alegado legitima defesa quando ele tinha sido agredido antes de acertar o homem com as pedras, e nem de lembrar quem ele era, mas no momento em que chega para puxar sua sentença ele de prontidão já se lembrou quem ele era.
A única coisa boa nesse filme e que em nenhum momento deixa a desejar é Veronica Lake, essa mulher com esse rosto perfeito e esse cabelo diferenciado, principalmente para a época, era extremamente sexy e deslumbrante, amo essa mina. Ela eleva cada cena em que aparece e dá ao filme um charme e uma presença que fazem enorme diferença.
No fim, a trajetória de Sullivan funciona justamente por esse contraste entre a arrogância inicial e o choque da realidade que ele é obrigado a viver, que transforma a visão dele sobre o cinema e sobre a importância da comédia para quem sofre — ao mesmo tempo em que expõe claramente as falhas do próprio personagem.
Assistido em 03/12/2025
Singela homenagem ao Cinema, com excelente atuação de McCrea, com situações que tentam mesclar a comédia pastelão dos filmes mudos com a verborrágica comédia dos anos 40.
Amplamente considerado o maior dos filmes clássicos de Sturges dos anos 1940, é um híbrido impressionante, misturando pastelão vertiginoso e humor afiado com realismo social sombrio e inabalável. McCrea e Lake formam um par divertido, cômico e romanticamente, enquanto Robert Greig é uma piada como o mordomo divertido de Sullivan. É difícil imaginar alguém além de Sturges inventando esta sátira de Hollywood com roteiro incisivo e lindamente dirigida, que, em última análise, tem muito a dizer sobre o poder restaurador do riso.
A auto afirmação do próprio trabalho como um diretor popular de comédia enquanto critica a pretenção dos filmes ''sérios'' foi passada de forma bem inteligente, ótimo final. Mas podia ser mais profundo nesse sentido, no fim das contas ele não ajudou absolutamente ninguém, fez uma e outra caridade de dinheiro completamente impessoal e não falou do real problema...que segundo ele não precisa ser falado? Seria Preston um paralelo do próprio protagonista? Alguém que nunca sofreu fazendo um filme sobre dificuldades? Enfim. Boa comédia, meia estrela a mais pela Veronica Lake.
Incrível perceber como nos dias de hoje esse filme perdeu seu valor.Uma das maiores aventuras urbanas daquela década e a cada esquina uma diversão diferente.Lembra muito os acontecimentos vistos em "Aconteceu Naquela Noite",com uma dupla tão divertida quanto.
>Assistido em 14 de Março de 2023