Christine, uma russa que vive em Gaza, gerencia um salão de beleza vizinho ao quartel-gerenal de uma gangue. No pátio que separa os dois, Ahmed, um dos chefes locais, exibe com orgulho o leão que acaba de roubar no zoológico da cidade. Quando a polícia inicia uma operação para libertar o animal, o clima na região fica tenso, deixando Christine, sua filha, uma assistente e dez clientes sitiadas no salão. Em meio ao fogo cruzado, ela precisa preparar cabelos para um casamento e opinar sobre os problemas amorosos de suas clientes. Tudo isso enquanto o leão cochila logo ao lado.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Gostei desse filme. Um drama tenso, com variantes de humor negro. A trama toda se dá entre as quatro paredes de um salão de beleza em Gaza, e lembra "Embate no Furgão" (Clash), passado no Egito pós-revolução de 2011.
Na Palestina, os nervos da população andam à flor da pele, e nem eles (povo árabe) conseguem se respeitar e se organizar. Choca-nos a animosidade nos seus diálogos:
" - Sabe, você devia repicar (o cabelo). Acho que ia ficar linda. Repique.
(amiga islã) - Que Deus corte a sua língua e que você morra engasgada com ela.
- Podia fazer uma depilação também. O seu marido ia explodir de tesão.
- (amiga islã) O que vai explodir é a bomba que vão jogar em você."
Ocorre que as muitas milícias de resistência contra a ocupação israelense agem dispersas e na criminalidade (sem senso de organização e união, como no tempo das tribos de beduínos que vagueavam pelo deserto da arábia buscando sobreviver isoladamente), e são detonadas pelo Hamas (como seriam pela Fatah), quando vacilam ou não seguem as imposições desta.
Pelo estado de coisas, as mulheres do salão agonizam de sofrimento, amaldiçoando sua existência e o mundo precário que as cerca e que lhes é dado pelos homens que as provêm e comandam.
Num de seus devaneios, a cliente "de mente mais aberta do grupo" imagina a criação de um governo só de mulheres e sai distribuindo cargos ministeriais para as demais presentes. Por um instante parece que o respeito mútuo e a paz se estabelece. Mas, nada disso. É sua sina, e não há judeus na história. Logo os insultos recomeçam, as mulheres guerreiam entre si, enquanto lá fora o tiroteio e bombas não cessam. Por fim, na porta do salão um patife morre à bala e a menina sua companheira chora sua perda (poderia, ao invés, estar celebrando o livramento de seu carrasco?!). O filme é um retrato do campo minado em que se transformou a Palestina, sobretudo por erros dos árabes, senão dos próprios palestinos.
Acho que faltou contextualizar melhor o conflito fora do salão.
Um filme de arte independente de alta qualidade que mais uma vez comprova a força do cinema palestino – é uma coprodução entre Território Palestino Ocupado, França e Qatar, assinada por dois irmãos gêmeos, Arab e Tarzan Nasser, e rodado na conflituosa Faixa de Gaza. Os diretores dedicaram o filme à mãe.
Nesse drama feminino, com elenco composto exclusivamente por mulheres (são 13 ao todo), elas discutem o papel da mulher na autoritária e patriarcal sociedade do mundo árabe. São mulheres diferentes, de idades diversas: uma grávida, uma noiva, uma religiosa, uma divorciada, uma viciada em remédios etc (que compõem um quadro real daquela sociedade). Elas cuidam de suas aparências, trocam conversas íntimas, até que tudo é interrompido quando o Hamas procura por um bandido que roubou o leão do zoológico da cidade. Com o tiroteio, ficam presas no salão, enquanto a tensão cresce: bombas estouram, a água acaba, cortam a energia elétrica (o título “Degradê” pode se referir à variação de tonalidades dos problemas que se agravam, também dos tons dos cabelos delas quando modificados no salão e até mesmo à degradação, dia a dia, das mulheres nessa sociedade regida por obrigações, proibições e castigos).
Lembra um “teatro filmado”, pois tudo ocorre no salão de beleza, com uma câmera que pouco se movimenta, e com uma fotografia peculiar, alternando cenas escuras daquele espaço confinado com a claridade da luz que vem de fora e atravessa as janelas (fotografia assinada por Eric Devin).
No elenco, destaque para Hiam Abbass, atriz palestina que fez filmes em sua terra, como “A noiva síria” (2004) e “Paradise now” (2005), e nos Estados Unidos, como “Blade runner 2049” (2017) – uma atriz de forte presença e que tem o papel mais chamativo da trama.
Importante conhecer esse filme por vezes duro, mas muito sincero e humano. Em DVD pela Imovision.
POR FELIPE BRIDA - BLOG CINEMA NA WEB
Degradé - Catar - 2015 - visto no dia 29.11.2020
Filme bem regular, bem mediano. Pensei em uma coisa mas na verdade veio totalmente outra. Pensava que seria um drama bem profundo, com várias temáticas sendo abordadas, que nada. Foi nada demais. Primeiro a ideia é bacana, porém, é muito mal explorada. É fraco. Um potencial desperdiçado mas tem certas coisas interessantes porém são poucas. Primeiro: gostei das atrizes, elas representaram muito bem seu papel, principalmente nos seus momentos de atrito. Tem alguns diálogos interessantes e outros meio que desconexos. Segundo: gostei principalmente dos últimos vinte minutos do filme, onde a história se desenvolveu e chegou a algum lugar. Terceiro: ambientação do local, a tensão final, o clima de desespero crescente praticamente nos últimos 20 minutos compensou no filme onde trouxe reflexão, análise fria sobre a situação delicadíssima na região, além de quão vulneráveis estão as pessoas naquela região. Quarto: gostei das músicas, trilha sonora tbm.
Pontos negativos que sobressaem no final: mesmo com um tema com potencial, o roteiro foi brochante. Como falei, o que compensa ver essa obra são os últimos 20 minutos, pois praticamente a primeira hora de filme é morna, arrastada, praticamente não desenvolve e não acontece nada na história. Uma hora inútil como diz. Tem diálogos vazios, desconexos, tem personagens irritantes e inúteis também. No fim a história chegou, não chegou a lugar algum, mesmo com algumas cenas aproveitáveis. Nem focou no
marido da mulher que se envolvia e no porque aconteceu aquele tiroteio
seja um "deliquente" pela fala das mulheres, que esteja envolvido com o crime organizado, que a polícia ou outro grupo armado interveio para derrotar não só ele, como outros "delinquentes".
Nota: 5,0
Esperava algo mais interessante, achei uma produção superestimada e bem chata, não curti.