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Jéssica (Nash Laila) é uma jovem de 14 anos que vive em Deserto Feliz, uma cidade do sertão pernambucano. Após ser violentada pelo padrasto, sob o olhar cúmplice de sua mãe, ela decide fugir para Recife. Ao chegar na cidade ela passa a trabalhar no turismo sexual, até conhecer o afeto através de Mark (Peter Ketnath), um turista alemão.
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Um roteiro simples e infelizmente bem real. Bom filme, mas colocar uma "véia" de 20 pra fazer uma adolescente de 14, aí é rir da cara do espectador (tão imitando os americanos é??kkkkk). e outra coisa que irritou bastante foi a câmera tremida, ainda que seja proposital, foi uma péssima ideia. Nota 7,0.
O ritmo e o desfecho talvez pesem para quem espera encontrar uma história carregada de justificativas verbalizadas e a redenção final da protagonista. Mas pessoalmente eu amei o filme. O vazio é muito maior por não sabermos dos acontecimentos suprimidos pelos saltos temporais... É como se a vida de Jéssica fosse vivida a partir desses flashes, e tudo que compreende os intervalos entre grandes mudanças estivesse subscrito na sua memória de sobrevivente. Agrada-me sobremaneira suas interações com Pâmela e Dayane... Rende sempre cenas que causam reflexão ou riso (ou ambos). Acho que a interpretação de Nash Laila está no tom certo, transmitindo um pouco da criança confusa que ainda é em seu semblante meio apagado. Vi muitos reclamarem da ausência de diálogos em certas passagens, mas confesso que achei melhor assim, pra mim passou mais naturalidade do que se tivesse falas em momentos que são, na prática, caros ao emudecimento das relações. Um bom filme que descobri por acaso no YouTube e que eu nem sabia se tratar de obra do Paulo Caldas com seis kikitos na bagagem.
- 7/10
- podia ter mais diálogos, muitos dos sentimentos e ações devem ser interpretados pelo expectador e não são apresentados pelo filme, mas não prejudica a obra, só da um olhar diferente
- violência, esperança e a cruel realidade
Filmado de uma maneira praticamente documental, “Deserto Feliz” é um desafio para a plateia que decidir encará-lo. Toda a obra é calcada em cima dos aspectos contrastantes de Jéssica, especialmente o silêncio. É interessante perceber como a vida dela passa a ser determinada por uma série de acidentes justamente por ela não ter um eixo, ou seja, aquela pessoa que seja franca com ela quando é necessário ser. Por isto mesmo, é importante lembrar, durante toda a duração do longa, que estamos diante de uma adolescente que está tentando encontrar seu caminho na vida e que foi vítima das circunstâncias que experimentou.
Um bom filme, Paulo Caldas sabe trabalhar emoções com poucas palavras. A fotografia e a câmera turbulenta, vem para dialogar oque esses personagens, com seus vazios existenciais, não conseguem falar. O filme peca na historia que ele quer contar, não por uma questão de linearidade narrativa, mas por finalidade. Quem é pernambucano fica com a trilha sonora desse filme marcada, Fabio Trummer e Erasto Vasconcelos fazem um excepcional trabalho. Embora intimista e exista um cotidiano vazio, grandes frases são feitas ''Acho que eu vou me especializar em cú".