Na Itália dos anos 1980-1990, a agência Diva Futura de Riccardo Schicchi transforma amor livre em pornô, fazendo estrelas como Ilona Staller, Moana Pozzi e outras. A fama delas leva à eleição de Cicciolina e à candidatura de Pozzi para prefeita.
Junto de “A divina Sarah Bernhardt” (2024), a Imovision lançou nas salas brasileiras no último fim de semana outro cult movie que retrata figuras femininas no cinema. Aqui temos a história real da agência publicitária italiana Diva Futura, criada no início dos anos 1980, em Roma, pelo fotógrafo e cineasta Riccardo Schicchi (1953-2012). O empreendimento cultural descobriu modelos e logo ficaria famoso por realizar filmes pornôs europeus, distribuídos depois no mundo todo. A agência tinha a proposta de profissionalizar e dar visibilidade aos artistas do setor, principalmente atrizes que não tinham reconhecimento, apesar de certo talento. Schicchi cunhou o termo “porn-star” para valorizar seus agenciados, colocando-os em pé de igualdade com ícones italianos da Sétima Arte e da TV. No filme ele é interpretado por Pietro Castellitto, filho do veterano astro Sergio Castellitto. Ele está bem no protagonismo da fita – um ator de boas expressões, que já atuou em vários filmes e até dirigiu, apesar da pouca idade (34 anos). Na história ele abre a agência, relativamente pequena, que viraria um estúdio de gravação também; revelou principalmente três mulheres que do dia para a noite viraram estrelas do cinema adulto: Ilona Staller, a Cicciolina, que depois seria deputada; Moana Pozzi, atriz que chegou a se candidatar à prefeitura de Roma (e faleceu nova, aos 33 anos, de câncer); e Eva Henger, que também ganhou notoriedade como modelo. E agenciou ainda Rocco Siffredi, o ‘Rocco’ da produtora de cinema pornô que fez sucesso nos anos 90. As três mulheres ganham vida na tela, interpretadas respectivamente por Lidija Kordic, Denise Capezza e Tesa Litvan, cada uma com seu estilo de atuação, misturando delicadeza, sensualidade e energia. Elas trazem vigor para a história sobre o universo do cinema erótico/pornô da época, com seu glamour e cores radiantes. A Diva Futura escandalizou setores conservadores da sociedade italiana, chegou a ser impedida de trabalhar pela polícia e quase fechou no auge de seu funcionamento (ela perdeu força no final dos anos 1990, acompanhando mudanças no mercado e o desgaste da imagem pública de suas estrelas). O filme vai entremeando a trajetória dessas mulheres e do diretor da agência, mostrando tanto o glamour delas quanto o preconceito enfrentado. O impacto da Diva Futura foi cultural e político não só na Itália, mas na Europa toda, um fenômeno que consolidou a pornografia como indústria cultural. Cicciolina (conhecida pelos peitos avantajados), depois levou a discussão sobre sexualidade para dentro do parlamento, enquanto Moana Pozzi legitimou sua imagem pública na política, em campanhas para prevenir doenças sexuais. O filme é um trabalho peculiar da cineasta, atriz e produtora Giulia Louise Steigerwalt – ela fez o roteiro adaptando as páginas do livro “Oltraggio al pudore”, da jornalista Debora Attanasio (com colaboração de Ricardo Schicchi e Eva Henger). Indicado ao Leão de Ouro no Festival de Veneza de 2024, está em exibição nos cinemas do Reserva Cultural, com distribuição exclusiva da Imovision. POR FELIPE BRIDA - No blog Cinema-naweb blogspotcom
A escolha do elenco é o ponto alto do filme, especialmente no caso de Eva e Illona. No entanto, Diva Futura se perde em sua montagem e nos dramas pessoais dos personagens. São tantas histórias e situações que não cabem em 2 horas, o que deixa o longa confuso e faz com que muitas curiosidades fiquem de lado.
Junto de “A divina Sarah Bernhardt” (2024), a Imovision lançou nas salas brasileiras no último fim de semana outro cult movie que retrata figuras femininas no cinema. Aqui temos a história real da agência publicitária italiana Diva Futura, criada no início dos anos 1980, em Roma, pelo fotógrafo e cineasta Riccardo Schicchi (1953-2012). O empreendimento cultural descobriu modelos e logo ficaria famoso por realizar filmes pornôs europeus, distribuídos depois no mundo todo. A agência tinha a proposta de profissionalizar e dar visibilidade aos artistas do setor, principalmente atrizes que não tinham reconhecimento, apesar de certo talento. Schicchi cunhou o termo “porn-star” para valorizar seus agenciados, colocando-os em pé de igualdade com ícones italianos da Sétima Arte e da TV. No filme ele é interpretado por Pietro Castellitto, filho do veterano astro Sergio Castellitto. Ele está bem no protagonismo da fita – um ator de boas expressões, que já atuou em vários filmes e até dirigiu, apesar da pouca idade (34 anos). Na história ele abre a agência, relativamente pequena, que viraria um estúdio de gravação também; revelou principalmente três mulheres que do dia para a noite viraram estrelas do cinema adulto: Ilona Staller, a Cicciolina, que depois seria deputada; Moana Pozzi, atriz que chegou a se candidatar à prefeitura de Roma (e faleceu nova, aos 33 anos, de câncer); e Eva Henger, que também ganhou notoriedade como modelo. E agenciou ainda Rocco Siffredi, o ‘Rocco’ da produtora de cinema pornô que fez sucesso nos anos 90. As três mulheres ganham vida na tela, interpretadas respectivamente por Lidija Kordic, Denise Capezza e Tesa Litvan, cada uma com seu estilo de atuação, misturando delicadeza, sensualidade e energia. Elas trazem vigor para a história sobre o universo do cinema erótico/pornô da época, com seu glamour e cores radiantes. A Diva Futura escandalizou setores conservadores da sociedade italiana, chegou a ser impedida de trabalhar pela polícia e quase fechou no auge de seu funcionamento (ela perdeu força no final dos anos 1990, acompanhando mudanças no mercado e o desgaste da imagem pública de suas estrelas). O filme vai entremeando a trajetória dessas mulheres e do diretor da agência, mostrando tanto o glamour delas quanto o preconceito enfrentado. O impacto da Diva Futura foi cultural e político não só na Itália, mas na Europa toda, um fenômeno que consolidou a pornografia como indústria cultural. Cicciolina (conhecida pelos peitos avantajados), depois levou a discussão sobre sexualidade para dentro do parlamento, enquanto Moana Pozzi legitimou sua imagem pública na política, em campanhas para prevenir doenças sexuais. O filme é um trabalho peculiar da cineasta, atriz e produtora Giulia Louise Steigerwalt – ela fez o roteiro adaptando as páginas do livro “Oltraggio al pudore”, da jornalista Debora Attanasio (com colaboração de Ricardo Schicchi e Eva Henger). Indicado ao Leão de Ouro no Festival de Veneza de 2024, está em exibição nos cinemas do Reserva Cultural, com distribuição exclusiva da Imovision. POR FELIPE BRIDA - No blog Cinema-naweb blogspotcom
A escolha do elenco é o ponto alto do filme, especialmente no caso de Eva e Illona. No entanto, Diva Futura se perde em sua montagem e nos dramas pessoais dos personagens. São tantas histórias e situações que não cabem em 2 horas, o que deixa o longa confuso e faz com que muitas curiosidades fiquem de lado.